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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Tati - A eles a liberdade.


Tati não depositava muita confiança na capacidade dos adultos para saberem existir livremente. O sopro anárquico estava reservado para as crianças e para os animais, criaturas que não reconheciam barreiras. Em O Meu Tio esta ideia surge limpidamente exposta: os únicos que saltitam alegremente entre os espaços delimitados do “antigo” e do “moderno” sem ficarem presos em nenhum são um grupo de crianças e uma matilha. E Hulot, claro, filmado como espécie de “inconsciência” que guardou um toque de infância e, porque não?, uma medida de animalidade. (Jornal Público – Ipsilon – 21.Agosto.2015)


sexta-feira, 20 de março de 2015

Há cem anos o terramoto Orpheu virou do avesso a literatura portuguesa.


Na primeira metade do século XX português não houve escassez de revistas literárias importantes e duráveis, como a Águia (1910-1932) ou a Presença(1927-1940), para citar apenas duas. Mas é hoje surpreendentemente consensual que a mais influente e icónica de todas foi uma efémera publicação de que apenas saíram dois números no primeiro semestre de 1915. Chamou-se Orpheu e foi recebida pela imprensa da época com títulos como “Literatura de Manicómio”, “Os Poetas do Orpheu e os Alienistas” ou “Orpheu no Inferno”.
Decorrido um século, o centenário do lançamento do primeiro número deOrpheu, que terá saído da gráfica a 24 de Março de 1915, vai ser evocado por estes dias em colóquios, exposições, lançamentos, leituras públicas e outras iniciativas. Tudo somado, não é de mais, já que Orpheu não foi apenas um terramoto que deixou irreconhecível a paisagem literária portuguesa da época, foi também, enquanto gesto fundador do nosso modernismo, o início de uma aventura criativa que atravessou todo o século XX e que só agora começa a dar sinais de esgotamento. E foi ainda, sobretudo no seu segundo número, a materialização mais significativa da colaboração entre dois génios criativos: Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Sem eles, poderia ter existido Orpheu, mas dificilmente estaríamos hoje a celebrar o seu centenário.
No plano académico, o momento mais significativo destas comemorações é o grande colóquio luso-brasileiro 100 Orpheu, que decorre em Lisboa, na Gulbenkian e no Centro Cultural de Belém, entre os dias 24 e 28, e que terá depois uma etapa brasileira em São Paulo, no final de Maio. Com pessoanos de várias gerações e proveniências, de Eduardo Lourenço ou Teresa Rita Lopes a Richard Zenith, Steffen Dix e Jerónimo Pizarro, o congresso começou com um aperitivo portuense na Fundação Eng.º António de Almeida, que inaugurou ontem o colóquio Orpheu e o Modernismo Português e a exposiçãoMemória d’Orpheu.
Na Biblioteca Nacional, abre no dia 24 a exposição Os Caminhos de Orpheu, organizada por Richard Zenith, que mostra o percurso da revista desde os seus antecedentes até às posteriores tentativas de Pessoa para ressuscitar o projecto. A par de muitos outros materiais que documentam a história deOrpheu, e não esquecendo a importância que as artes plásticas e gráficas tiveram no movimento, a exposição inclui vários papéis inéditos, incluindo documentos que demonstram que o envolvimento de Pessoa na produção do célebre número zero da revista Contemporânea, em 1915, foi muito mais decisivo do que se pensava.
Ocupando vários espaços da Casa Fernando Pessoa (CFP), inaugura-se a 25 a exposição Os Testamentos de Orpheu, de Pedro Proença. E a CFP está ainda a desenvolver com o Instituto Camões (IC) uma outra mostra – Nós, os de Orpheu –, que circulará em Portugal e na rede internacional do IC. E, a partir de 28 de Março, propõe-se fazer regressar Orpheu aos cafés onde o projecto foi pensado e discutido, convidando actores a ler textos que convoquem “o espírito do grupo” que fez a revista.

Mais discretas mas não menos importantes, duas iniciativas editoriais assinalam o centenário de Orpheu: 1915 – O Ano do Orpheu, com organização de Steffen Dix, uma belíssima edição da Tinta-da-China (a capa inspira-se no grafismo do segundo número de Orpheu). O livro acabou de ser lançado e reúne textos de mais de 20 investigadores, contextualizando o surgimento da revista, abordando as experiências afins noutras literaturas europeias e tratando individualmente os “órficos” mais relevantes. Em Abril, a Assírio & Alvim lançará, na colecção Pessoa Breve, o volume Sobre Orpheu e o Sensacionismo, co-organizado por Fernando Cabral Martins e Richard Zenith. (Jornal Público)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional distinguidos no Prix de Lausanne.


Miguel Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea.Ito Mitsuru obteve o terceiro lugar na final do concurso.
O bailarino português Miguel Pinheiro e o japonês Ito Mitsuru, ambos alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, foram distinguidos na final do Prix de Lausanne, que se realizou neste sábado na cidade suíça.
Miguel Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea, no Prix de Lausanne, além de garantir uma das bolsas atribuídas pela competição, e Ito Mitsuru obteve o terceiro lugar na final do concurso.
O bailarino português disse à Lusa que a dança contemporânea é uma modalidade que aprecia particularmente, na qual se sente seguro. "Estive muito à vontade", durante a prova, disse à Lusa. "Já não era a primeira vez [que prestava provas] e correu muito bem", afirmou.
O seu colega em Lisboa, o bailarino japonês Ito Mitsuru, obteve o terceiro lugar na final do concurso do Prix de Lausanne.
Para o director da Escola de Dança do Conservatório Nacional, Pedro Carneiro, este resultado recompensa o trabalho de ambos. "O mérito é todo deles", disse.
Domingo, os restantes três candidatos portugueses presentes na Suíça – Alice Pernão, Teresa Dias e Francisco Patrício, também alunos da escola lisboeta – têm entrevistas marcadas com directores de escolas e companhias internacionais, no quadro do fórum especial de dança, organizado pelo Prix de Lausanne, de acordo com Pedro Carneiro.

Lançado em 1973, o Prix de Lausanne constitui um dos mais exigentes certames de dança a nível mundial, para jovens entre os 15 e os 18 anos, na fase final de formação. (Jornal Público – 7.Fev.2015)


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Como o Palácio do “Monteiro dos milhões” deslumbrou Taylor Moore.


Taylor Moore esteve no Palácio da Regaleira e ficou deslumbrado com aquilo que viu. Fotógrafo canadiano, registou o edifício e, também, a respetiva quinta. Vale a pena ver o resultado.
“Um lugar de magia divina e de mistério”. É desta forma que Taylor Moore, cuja página na rede social Facebook pode ser visitada aqui, caracteriza o Palácio da Regaleira e a respetiva quinta, em Sintra. O fotógrafo canadiano visitou o lugar, com as suas grutas, pequenos lagos, um poço iniciático, torres e jardins e ficou deslumbrado. Afirma que se trata se um daqueles sítios que convida a ser fotografado “de noite ou de dia”.
Palácio da Regaleira foi mandado construir por António Monteiro, nascido no Rio de Janeiro em 1850 e falecido em Sintra em 1920, que ganhou a alcunha de “Monteiro dos milhões” pela fortuna que herdou e que fez crescer através de negócios no café e pedras preciosas. A propriedade foi adquirida por Monteiro em 1892, as obras começaram em 1904 e terminaram seis anos depois. O projeto foi desenhado pelo arquiteto italiano Luigi Manini (1848-1936), que conjugou diversos estilos como o gótico, renascentista e manuelino, a expressão portuguesa do gótico.

(observador.pt)








domingo, 16 de novembro de 2014

Senhoras e senhores, apresentamo-vos o "padeiro dos livros".


Nove mil livros e 30 anos depois, Alberto Casiraghi, poeta, pintor, músico, construtor de violinos e impressor, tem a sua primeira exposição em Portugal. Chama-se "9000 Formas da Felicidade: as edições Pulcinoelefante".

Uma gravura baseada no famoso quadro de Goya, "Três de Maio de 1808 em Madrid", assinada por Luciano Ragozzino. Fotografias de Marylin Monroe coladas sobre uma mão de papel e uma fotografia também da atriz, provavelmente recortada de um jornal ou revista, com números pintados sobre o papel. Um poema de Rainer Maria Rilke, o poeta alemão, escrito em italiano. Três fotografias de Alda Merini (1931-2009), a escritora italiana que teve a admiração de artistas como Pasolini, Salvatore Quasimodo e Giorgio Manganelli, e foi vencedora em 2003 do Premio Librex Montale, que reconhece poetas italianos contemporâneos. É ela, aliás, que assina alguns dos livros expostos (mas já lá vamos).
Mais à frente, entra-se no chamado "Núcleo: Alberto em Portugal". Uma fotografia a preto e branco de Manuel Alegre, vestido de fato. E um desenho de um homem deitado com uma monumental letra "M" junto à sua cabeça, parecendo decapitá-lo, e que segundo o programa da exposição é do livro de Alberto Pimenta, o escritor português, feito e escrito por ele. Miguel Martins, Luís Manuel Gaspar, Manuel de Freitas. Outros nomes da poesia portuguesa contemporânea que aparecem destacados. O 91 da exposição é de Vasco Graça Moura, é de 2013, e tem uma dedicatória sua na capa que diz assim: "Na verdade, o poema é um ruído modelado de gente".
Chama-se "9000 Formas de Felicidade: as edições Pulcinoelefante", é dedicada a Alberto Casiraghi, poeta, pintor, músico, construtor de violinos e impressor, e inaugurou no final de outubro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, onde fica até 31 de janeiro.
É a primeira exposição em Portugal dedicada a Alberto, que prefere, no entanto, ser conhecido como o "padeiro de livros", e o "único padeiro que trabalha durante o dia". Há uma boa razão para isto: desde 1992, tem feito, em média, mais de um livro por dia. Atualmente, são mais de nove mil.
Os livros "belos e simples" do mestre Alberto
Em 1982, depois de ter sido despedido da tipografia onde trabalhava, uma grande casa em Milão que imprimia jornais, Alberto Casiraghi decidiu construir a sua própria oficina, a que deu o nome de Pulcinoelefante. Fê-lo em casa, na cidade de Osnago, em Itália, onde nasceu. Fala-se muito dessa tarde ventosa e de um primeiro livro dado à estampa nesse dia: "Una Lirica. Una Immagine", de um escritor chamado Marco Carnà. No ano seguinte, 1983, foram lançados mais quatro livros, três com textos do próprio Casiraghi (assinados, não sabemos, se por ele, se por um dos seus três pseudónimos) e o outro da autoria de Gaetano Neri, também ilustrados por Carnà, em conjunto com Pierluigi Puliti e Gianni Maura. Em 1984, sete, e no ano seguinte, nove. Ao fim dos primeiros dez anos, estavam feitos 236 livros, ou 236 "pulcinos", nome por que são chamados.
Mas o que são, afinal, os "pulcinos"? A descrição oficial diz assim: são quatro ou seis folhas de papel Hahnemühle, tamanho A4, dobradas em A5. Contêm um aforismo ou um pequeno poema impresso em carateres móveis, e uma ilustração, que tanto pode ser uma impressão digital dos desenhos de Alberto, uma xilografia, águas-fortes, litografias, fotografias, colagens, desenhos e pinturas com todas as técnicas, ready-made, esculturas, entre outras intervenções. As tiragens vão de 15 exemplares a 30 ou 35, numerados sequencialmente.
A descrição não-oficial é esta que nos traz Catarina Figueiredo Cardoso, comissária da exposição, e responsável por outros projectos anteriores na área da edição independente e livros de artista. Distingue nos "pulcinos" a "beleza e a aparente simplicidade". Do ponto de vista tipográfico, assegura que são "impecavelmente bem feitos". "O que torna o Alberto diferente é a consistência da sua prática e a mestria com que a utiliza. Há muitos problemas na utilização dos tipos móveis: gastam-se, partem-se, as máquinas desafinam e avariam, todo o material envolvido é caro e a sua utilização é difícil e implica muita prática. Ora o Alberto tem tudo: foi tipógrafo de tarimba, tem imensos tipos, tem a máquina e sabe concertá-la se for preciso. É por isso que ele se distingue dos restantes impressores".

A técnica que nasceu na China antes de Cristo
O primeiro sistema de impressão a partir de tipos móveis (letras, símbolos e sinais de pontuação individuais), feito em porcelana chinesa, é atribuído a Bi Sheng (990-1051 AD), e terá sido criado por volta de 1040 A.D., na China. Quando, cerca de 200 anos depois, a técnica começou a ser usada na Coreia, os tipos móveis passaram a ser feitos em metal. "Jikji" (1377), ou "Antologia de ensinamentos zen pelos grandes sacerdotes budistas", documento budista coreano, é o mais antigo livro imprimido com o uso desta técnica, título que a UNESCO confirmou em 2001, tendo incluído o livro no programa "Memory of the World", destinado a preservar documentos e arquivos de grande valor histórico.
Por volta de 1450, os tipos móveis voltariam à mó de cima (eram caros e exigiam muita mão-de-obra e isso teve consequências), com a impressão da Bíblia por Johannes Gutenberg, na Europa, a partir de um sistema que o próprio inventou, e que superava em larga medida os antigos modelos. Como se passou para a impressão em línguas europeias (número mais limitado de carateres), a técnica tornou-se rentável e foi, dito de uma forma abreviada, um sucesso. Mais tarde, já no século XIX, com a invenção da composição mecânica e seus sucessores, acabaria por entrar em declínio.

Cabras, coelhas e galinhas, e máquinas grandalhonas
Numa das fotografias dos livros em exposição, Alberto surge acompanhado de uma cabra. Ao vê-la, lembramo-nos das imagens do editor e tipógrafo, arrumadas em vídeos (no youtube), que nos trazem essa outra realidade de um quintal cheio de cabras e coelhos e galinhas, e uma casa aparentemente pequena cheia de máquinas grandalhonas que já ninguém parece saber ao certo para que servem, e livros, muitos livros, atrás das portas de vidro dos armários altos ou ali mesmo à mão de semear.
É nessa casa que Alberto continua a receber visitas, artistas, poetas e ilustradores, que ali vão "para lhe ditarem os textos e ajudarem a fazer os livros, cortar o papel e coser as páginas", explica Catarina. E foi também nessa casa que recebeu a escritora italiana de que falávamos, Alda Merini, amiga e colaboradora. Catorze dos 110 livros expostos são dela. Parece pouco, mas há outra história por detrás disto, que podemos arriscar, embora com palavras que não são nossas, contar assim: "A amizade e consequente colaboração com Alda Merini conduziram ao aumento alucinante no número de livros produzidos, e à enorme projeção de Alberto e da sua editora em Itália, nos Estados Unidos e no Japão". A escritora deu, ainda segundo essas páginas que acompanham a exposição, "uma dimensão inesperada à Pulcinoelefante".
O mestre Alberto em Portugal
Em 2013, Alberto vinha pela primeira vez a Portugal, a convite de Catarina. "Achei importante dar a conhecer aos meus amigos portugueses que se dedicam à edição a obra de um dos expoentes da arte da composição tipográfica com tipos móveis".
Nesse ano, fez um workshop no Homem do Saco, um dos ateliers que, segundo Catarina, continua a dedicar-se à técnica de impressão em tipos móveis. A outra é a Oficina do Cego, também em Lisboa. Desse workshop resultaram quatro "pulcinos" sob a supervisão direta de Alberto, que deram aos tipógrafos e artistas portugueses envolvidos (alguns têm agora expostos os livros que fizeram) a motivação necessária para, a partir daí, dedicarem-se à "criação de edições artísticas inovadores e imaginativas que os singularizam no panorama da edição independente."
Mas a ligação de Alberto a Portugal é bem mais antiga. Em 1993, fazia o primeiro livro de um escritor português. É lançar um palpite e acertar, senão à primeira, pelo menos à segunda. Sim, foi mesmo de Fernando Pessoa, mas esse não está entre os que viajaram de Itália para Portugal. Vai ter de ficar para a próxima.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

João Machado é um mestre do design da Graphis.


O designer gráfico português João Machado foi distinguido na edição de 2015 do International Journal of Visual Communication – Graphis como um dos seus mestres do design.
Nessa lista de mérito, João Machado surge ao lado de Alan Fletcher, Takenobu Igarachi, Werner Jeker, Gunter Rambow e Massimo Vignelli. Na mesma edição especial em que a publicação divulga alguns dos melhores trabalhos internacionais da indústria da comunicação visual, surge ainda como vencedor em duas categorias de premiação: Ouro para Melhor Cartaz pelos materiais de divulgação das Festas de Almada de 2013 e ainda pelas campanhas ambientais Roots Think Green (2014) e Water for Life (2014), e Mérito tanto pelo trabalho para as celebrações do 25 de Abril também de Almada (2013) como pelo cartaz do festival de Cinanima (edição de 2014).
Sobre os cartazes premiados com o Ouro, o designer gráfico diz ao PÚBLICO que no caso das Festas de Almada, por ocasião do S. João, “a imagem desenvolvida baseia-se numa forma que não é mais do que uma interpretação pessoal daquilo que é o balão de S. João”. “As cores utilizadas fazem parte da minha paleta habitual de cores. Cores planas acentuadas por grandes contrastes, características afinal comuns a este tipo de festas populares”, explica João Machado.
Já no que diz respeito aos outros cartazes, desenvolvidos no contexto da preservação ambiental, pretende-se  sensibilizar as pessoas para a necessidade de garantir um planeta mais sustentável: “Ambas as imagens pretendem representar a vida (terra e água). A raiz ainda que doente e pálida, mas que é capaz de se regenerar, se assim o quisermos. As cores que as suas extremidades assumem são sinais dessa vida. No cartaz Water for Life, o movimento e as cores sugeridas por criaturas marinhas conferem a energia e a vitalidade de um planeta habitável e ideal.”
Várias vezes distinguido por esta publicação, João Machado, nascido em Coimbra em 1942 e formado em escultura pela Escola Superior de Belas Artes na Universidade do Porto, trabalha como designer desde o arranque dos anos 1980. Há um ano, recebeu também o Ouro para Melhor Cartaz com o trabalho que fez para promover as Festas de Almada, novamente, e ainda pela campanha Think Green e pelo poster do Cinanima.
A Graphis edita várias publicações especializadas em design, artes gráficas, fotografia e publicidade. Com mais de 300 edições até hoje, foi publicada pela primeira vez em 1944 em Zurique, na Suíça, tendo mudado a sua sede para Nova Iorque em 1986, quando o título foi comprado por B. Martin Pedersen. Ao contrário de outros concursos, aqui não há prémio monetário. A recompensa é o reconhecimento e a oportunidade de poder mostrar o trabalho produzido. 
João Machado tem trabalhado para clientes nacionais e internacionais entre os quais se contam empresas de referência como a Ach Brito e a Amorim, grandes instituições como a Assembleia da República, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém e a Fundação Oriente, vários museus e institutos públicos bem como uma multiplicidade de câmaras municipais.  



Já este ano, o designer gráfico viu o seu trabalho ser distinguido no Grande Prémio Asiago de Arte Filatélica, que lhe atribuiu o Melhor Selo do Mundo, na categoria Turismo, com o selo de 0,36 euros da emissão filatélica "Ano Internacional da Estatística".  (Jornal Público – Out. 2014)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Artistas ocuparam Museu do Chiado pelo direito à cultura.


"Cultura não é luxo", "Os mirós são nossos", "A cultura é de todos, a arte é para todos" - estas foram algumas das palavras de ordem nos cartazes usados pelos cerca de 50 artistas e agentes culturais que ocuparam o Museu de Arte Contemporânea, em Lisboa, na última noite.
A ocupação "artivista" foi incentivada por Rui Mourão que ontem inaugurou no museu a instalação multimédia Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas Vossas Urnas e, durante a sessão, apelou aos convidados a participar numa ocupação pacifista da instituição.
O artista desafiou as pessoas para um ato que era ao mesmo tempo artístico e político. "Estamos aqui em ocupação 'artivista' do Museu Nacional de Arte Contemporânea. Estamos a ocupar o museu em defesa do museu e não contra o museu", disse o artista, na abertura da exposição, que procura demonstrar que o protesto político também é arte. A ação de protesto foi feita "em defesa do direito à Cultura", explicou à Lusa, Rui Mourão.
Alumas pessoas já vinham preparadas e munidas de sacos-cama, como num acampamento. Os ativistas realizaram uma assembleia que votou pela continuação da sua presença nas instalações do museu para além do horário de funcionamento. A manifestação terminou, mas algumas pessoas permanceram no museu durante a noite.

A organização divulgou este vídeo da ação:



(Diário de Notícias)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda.


"A arte deve ser livre porque o ato de criação é em si um ato de liberdade", escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen no semanário Expresso, a 12 de julho de 1975, num artigo a que chamou "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda". Este impulso criativo sempre se mostrou como uma inevitabilidade na vida da poetisa, que se iniciou na escrita aos 12 anos. Foi ainda jovem, aos 24, que publicou por iniciativa própria o primeiro livro, intitulado "Poesia". 
De origem dinamarquesa, desembarcou no Porto e ali permaneceu, na Quinta do Campo Alegre (hoje o Jardim Botânico do Porto), onde viveu com o avô e acabou por crescer. Uma casa cujo jardim foi cortado pela Ponte da Arrábida e cujos plátanos foram arrancados, disse Sophia numa entrevista ao "Jornal de Letras" a 5 de fevereiro de 1985.
Talvez tenha sido a ausência desse jardim, imortalizado no poema "A Casa do Mar", que tenha cravado a temática 'natureza' no universo poético da autora: "A casa que eu amei foi destroçada/ A morte caminha no sossego do jardim/ A vida sussurrada na folhagem/ Subitamente quebrou-se não é minha".
Mar, casa, tempo, amor. São ainda outros dos temas do universo da mítica escritora portuguesa, que não gostava que lhe perguntassem porque é que escrevia. À poesia, encontrou-a antes de saber que existia a literatura, disse um dia. Sempre lhe foi natural.
Sophia foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa. Quando, em 1999, numa entrevista à TSF o jornalista lhe perguntou "porque não o Nobel?", Sophia respondeu "que o nome do Nobel não vale o de Camões".
A transparência da palavra, o ritmo melódico dos versos, a lucidez e pureza da escrita da poetisa inserem-na no panorama da literatura nacional como uma das autoras mais reconhecidas e amadas pelo público. 
 A poesia está na rua
Detentora de vários galardões literários e condecorada três vezes pela República Portuguesa, a poesia de Sophia situa-se entre uma sensibilidade estética espiritual e uma poesia social, de denúncia a qualquer tipo de ataque à dignidade humana (cujo estilo se acentuou durante o período que antecedeu o 25 de abril de 1974). "Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio / E livres habitamos a substância do tempo", escreveu sobre esse dia de abril.
Ainda agora, a intervenção de Sophia subsiste. Exemplo disso é a presença da frase por ela escrita "a poesia está na rua", outrora presente no emblemático quadro da pintora Vieira da Silva e imortalizada hoje pelas várias paredes dos bairros lisboetas.
Também o mar - há muito desbravado - foi das temáticas mais presentes na sua obra poética, cuja "escrita é de nau e singradura". Tanto é que o Oceanário de Lisboa expõe os seus poemas em zonas de descanso da exposição, permitindo aos visitantes absorverem esse mar enaltecido por "Sophia como quem procura a ilha sempre mais ao sul", escreveu Manuel Alegre num poema de homenagem.
Foi no dia 2 de julho de 2004 que morreu na sua residência, em Lisboa, aos 84 anos. Sophia de Mello Breyner Andresen deixa editada uma vasta obra de poesia, antologia, prosa, ensaios e teatro. Casada com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares e mãe de cinco filhos, entre eles o jornalista e escritor Miguel Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner permanece como uma poetisa intemporal, humana, uma poetisa do e para o povo.
Ainda o artigo "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda", que Sophia escreveu para o Expresso: "Quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro".

Ler mais:
http://expresso.sapo.pt/a-cultura-e-cara-a-incultura-e-mais-cara-ainda=f878882#ixzz36RfROzwH

sábado, 21 de junho de 2014

A energia da inquietação.


Festa, alegria, violência, futuro, comprometimento, fragilidade. São as palavras e os significados que envolvem Artistas comprometidos? Talvez, a colectiva apresentada na Gulbenkian no âmbito do programa Próximo Futuro
Fundação Gulbenkian. Está cansado – “escapou” há minutos do calor da rua – mas visivelmente satisfeito e saúda os artistas que encontra pelo caminho, interrompendo-se aqui e ali para olhar a montagem final das obras. “Artistas comprometidos? Talvez”, a exposição que comissaria, no âmbito do programaPróximo Futuro, está quase pronta. A meio da sala, o artista moçambicano Celestino Mudaulane termina a sua pintura mural e ao fundo a instalação de Wum Botha parece concluída. Nas paredes, já se exibem as fotografias do franco-argelino Bruno Boudjelal, os estranhos e coloridos “retratos” do sul-africano Athi-Patra Ruga e a pintura do brasileiro Luiz Zerbini. No chão, algumas obras esperam a sua vez. Como já se tornou, presume-se, evidente, os artistas participantes nesta colectiva (ao todo são 21) não se subsumem a uma geografia. Há-os de diferentes continentes e países, o que denota uma coerência com os fins do programa Próximo Futuro e, neste, com a actividade de curadoria de António Pinto Ribeiro. Mas o que dizer do título? Que sentido tem a palavra “comprometidos”?
“Há aqui dois tipos de comprometimento”, diz o curador. “Um comprometimento com o legado artístico, com a arte, que considero profundo. E uma atitude que no meio das maiores vicissitudes, das maiores catástrofes, encontra espaço para a expressão de uma certa alegria, de uma ideia de festividade. Não se trata de uma regra, mas é substancial. É uma energia que os artistas canalizam para a expressão artística, para a criação das suas obras”. Alguns trabalhos tornam presente esse energia, Veja-se o tromp-l’oeilque espreita da pintura de Luiz Zerbini, a indeterminação colorida dos seres de Athi-Patra Ruga, as luzes e o movimento da instalação de Wum Botha. A cor e a diversidade de linguagens são aspectos que ressaltam e envolvem o visitante. E a par de pinturas, de esculturas e instalações, encontram-se filmes, pinturas murais, referências a cidades ou a lugares específicos (a costa do Norte de África, o Mediterrâneo, Maputo, as ruas de Joanesburgo), inclusive a outras artes (a BD). Como se articula toda esta diversidade, e o comprometimento que a atravessa, com a possibilidade de uma intervenção? “Nas conversas com os artistas, houve sempre um debate em torno do papel interventivo, quer da obra, quer do artista como cidadão. Que implicações surgem na produção contemporânea e na relação dessa produção com os cidadãos? As obras e actividades dos artistas desta exposição não são militantes ou panfletárias, mas partem de um programa individual, pessoal”.
Fragilizar a mediação
Algumas estratégias que ilustram a complexidade, bem como a singularidade, desses programas podem ser: evocar ou documentar um período negro da história de um país (é o que fazem o sul-africano Conrad Botes ou a guatemalteca Sandra Monterroso), confrontar a violência de uma sociedade (nas pinturas de Celestino Mudaulane, na proposta da artista brasileira Berna Reale) ou explorar narrativas da história política (Bouchra Khalili). Na maioria destes trabalhos, o que se evidencia não será um gesto de denúncia, menos ainda de activismo, mas uma inquietação provocada pelas condições sociais e políticas do real; inquietação que só se mostra, só emerge se transfigurada pela arte. Repare-se nas imagens de Bruno Boudjelal. Ao longe, parecem pinturas de paisagens e são paisagens o que vemos representado. Um olhar mais aproximado, permite descobrir outra coisa: são fotografias, tomadas, ofuscadas pela luz, da costa argelina e da costa da Europa do Sul que o artista fez durante uma série de viagens. A alusão às travessias do Mediterrâneo por jovens africanos que tentam chegar à Europa vai-se revelando. Escreve o artista no catálogo: “Virando as costas a África, diante das margens europeias de Espanha ou Itália, regressei aos locais onde embarcam estes migrantes clandestinos. Estas paisagens brancas fixam numa mesma fotografia o encandeamento da luz, o desaparecimento da paisagem e as construções da memória.”
Apesar da articulação entre temas próximos ou comuns, refira-se que grande parte dos artistas não se conhecia pessoalmente. “Não houve colaboração entre eles, mas existiu um processo de debate interno”, nota Pinto Ribeiro. “Houve conversas, leram-se textos, houve reflexão. Verificou-se um processo de partilha, com propostas e contra-propostas, trocas de imagens. E mostrei-lhes a história da exposição anterior, para terem uma perspectiva com que se pudessem relacionar”. O curador, embora participante, assumiu a fragilização da sua função, atitude que, no seu entender, modera a autoridade excessiva do mediador. Podemos intuir, na opção, uma crítica ao mundo da curadoria? “É hoje uma evidência o excesso de mediação entre os artistas, o público e as instituições. E isso tem uma razão de fundo que é grande diversidade e a ausência de cânones da arte contemporânea. Cabe muito do poder de selecção aos curadores. Mas o problema não são os curadores, e sim o excesso da sua influência e autoridade, que vai personificando um star-system”. A este problema, acrescem outros obstáculos que desvirtuam a produção artística: “Há muitas situações de promiscuidade entre curadores, responsáveis por colecções e críticos. E isso não é nada saudável para os artistas e as programações”.
Comprometimento com o futuro
Dos participantes em Artistas comprometidos? Talvez só se contam dois nomes portugueses: Pedro Barateiro e João Ferro Martins. Que conclusões se podem tirar desta parca representação? Que a inquietação que anima esta colectiva não é partilhada pela actual arte portuguesa? António Pinto Ribeiro admite que sim. “A responsabilidade não é, contudo, dos artistas. Eles estão inseridos num processo histórico onde o mercado e as galerias se lhes impõem, não permitindo outro tipo de orientações. Também não encontro essa inquietação na arte que se torna panfletária ou naïve. Há uma falta de comprometimento radical. O Pedro Barateiro e o João Ferro Marins, para mim, têm esse comprometimento com o futuro, com o devir, mas por razões que terão a ver com os limites de produção, tendem a fazer obras minimais, com escalas mais reduzidas”.
Uma escala reduzida é algo que não se encontra emTeoria, peça de Eduardo T. Basualdo, uma enorme rocha negra, suspensa sobre o foyer da Fundação. A sua localização inusitada (parece rasar as cabeças dos visitantes) e a sua queda latente (um fio segura-a ao tecto) interpelam quem passa. Primeiro, o receio face à possibilidade de uma catástrofe, logo a seguir o encontro com uma presença surreal, fantasiosa, plena de ilusão. Não é ferro ou granito o que a constitui, mas folha de alumínio. Entre a aparição violenta e a ironia, testemunha-se uma transfiguração semelhante à realizada pelas imagens de Bruno Boudjelal, com a diferença de que aqui é a relação entre os homens e os objectos, e menos entre os homens e os lugares, aquilo que o artista vem interrogar.

Regresse-se à sala principal. Acolhe filmes da autoria de Bouchra Khalili, de Miguel Jara, de Pedro Barateiro e Solon Ribeiro. Todos lidam com questões distintas, quanto muito contíguas: a performance, a montagem, a memória do cinema, a animação, a documentação. Em comum, sobressai um envolvimento com a cultura das imagens e os arquivos que ela vai construindo. Esse é também um aspecto relevante do projecto. Mas há outro que surge mais interpelador. A aparição da pintura mural, nas propostas de Conrad Botes, vindo da BD experimental, de Celestino Mudaulane (que tem apresentado desenhos e esculturas em edifícios devolutos de Maputo) e do mexicano Demián Flores, que retoma um “movimento” que marcou a história da arte do seu país. Pergunta “provocadora”: por que não levar estes trabalhos para o exterior, para o interior da cidade? “Isso seria um gesto de falsa rebeldia”, responde o curador. “Não faz sentido, neste contexto instalar e pintar um muro numa rua da cidade. Seria uma situação de extrema hipocrisia. Esta é uma exposição que decorre numa instituição. É mais transparente e honesto propor essas obras no interior da exposição, com os limites possíveis, do que ir para os subúrbios”. A presença ameaçadora de “Teoria”, do Eduardo T. Basualdo, sobre as nossas cabeças, no foyer da Fundação, parece dar razão ao curador. (Jornal Público)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Google Cultural Institute lança colecção de Street Art no seu arquivo de arte online.


A Google Cultural Institute, um arquivo online de exposições e colecções de todo o mundo, lançou esta terça-feira uma colecção de Arte Urbana que conta, em Portugal, com o apoio da Galeria de Arte Urbana de Lisboa.
Desta colecção faz parte o mural da rua das Murtas, em Lisboa, Rostos do Muro Azul, resultado de uma parceria da Google com a Galeria de Arte Urbana, refere um comunicado hoje divulgado.
 Promovido por esta galeria, em parceria com o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, o projecto Rostos do Muro Azul continua a animar a rua das Murtas, em Lisboa, e estará disponível para todo o mundo através do Street Art Project.
Considerado um ícone da arte urbana na capital portuguesa, o mural é “uma apaixonante viagem por mais de um quilómetro de pinturas que têm o azul como cor dominante”.
Em Novembro último, este mural acolheu a edição do Writer’s Delight Burnersde 2013, organizado pela Dedicated Store Lisboa, com um trabalho colectivo de intervenientes alemães e nacionais. Mais recentemente, em Março passado, 29 artistas nacionais e internacionais intervencionaram 54 novas pinturas, naquela que é a sétima fase do projecto Rostos do Muro Azul.
“Neste arquivo de arte online será possível analisar com detalhe todas as obras de arte, conhecer melhor as origens deste movimento urbano e ainda descobrir como se está a utilizar esta técnica para revitalizar as cidades, por exemplo na Polónia”, refere uma nota informativa.
O Street Art Project possibilita também aos seus utilizadores uma visita guiada às origens do movimento graffiti em Nova Iorque nos anos 90. Para quem deseja ir até ao outro lado do oceano, é possível ainda comparar a natureza global da arte urbana produzida no México, onde existe uma grande tradição de pintura mural.
Permite igualmente conhecer os primeiros passos no contexto artístico das Filipinas, onde a arte urbana começa agora a florescer.
Street Art Project é uma iniciativa que congrega mais de 5 mil exemplares de obras de arte urbana de vários países e que tem o objectivo de conservar digitalmente as expressões artísticas que geralmente acabam por desaparecer nas cidades de todo o mundo.
A iniciativa reúne uma grande variedade de estilos e inspirações urbanas e algumas das obras que podem ser consultadas neste arquivo online da Google Cultural Institute correspondem a “autênticas formas de expressão e activismo político e social” em épocas turbulentas da história dos vários países que fazem parte do projecto.
Alguns exemplos são os trabalhos do português Alexandre Farto - mais conhecido por Vhils -, o surrealismo dos brasileiros Os Gémeos, ou ainda os retratos fotográficos a grande escala do francês JR.

O Street Art Project é a primeira iniciativa de captura digital de imagens de arte urbana e representa a união entre aquela que é considerada a plataforma online do presente, a Google, e aquela que é a expressão artística da actualidade, a arte urbana.  (Jornal Público – 10.06.2014)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Quadro de Leonardo da Vinci vendido por mais de 50 milhões de euros.


A notícia de que tinha sido identificado um quadro “novo” de Da Vinci (1452-1519) já era conhecida, pelo menos, desde a exposição que a National Gallery de Londres dedicara ao mestre do Renascimento, Leonardo da Vinci – Pintor da corte de Milão, entre Novembro de 2011 e Fevereiro de 2012. Depois dessa mostra, o pequeno quadro (65,6 x 45,5 cms.) representando CristoSalvator Mundi (c. 1500) fora também exibido, por empréstimo, no Museu de Arte de Dallas, nos EUA.
O que não se sabia, e agora foi noticiado pelo The New York Times, é que essa obra foi vendida, em Maio de 2013, num leilão da Sotheby’s em Nova Iorque, por uma soma entre os 75 e os 80 milhões de dólares (54,6 a 58,2 milhões de euros) a um comprador privado não identificado.
Esta quantia ganha ainda maior relevância quando se sabe que o mesmo quadro, cuja história está ainda por reconstituir no seu percurso completo, fora vendido, em 1958, em Inglaterra, na sequência de partilhas de descendentes de um aristocrata britânico, por… 45 libras esterlinas (perto de 55 euros).
No momento da venda, revelada no dia 3 de Março pelo diário norte-americano – e depois também noticiada pelo francês Le Monde –, esteSalvator Mundi pertencia a dois historiadores e negociantes de arte de Nova Iorque, Robert Simon e Alexander Parish, que o tinham adquirido, em meados da década de 2000, por um valor que também não foi quantificado.
De qualquer modo, estes dois sócios e especialistas em arte acabaram por merecer a mais-valia da sua convicção de que se estava, de facto, perante uma obra autógrafa de Da Vinci e não apenas de uma qualquer reprodução – que, neste caso, tinha sido mesmo atribuída a um aluno da oficina do mestre italiano, Giovanni Antonio Boltraffio (c. 1466-1516).
Quando adquiriram a tela, Simon e Parish acreditaram que a sua superfície, que mostrava sucessivas camadas de pintura e se encontrava bastante deteriorada, escondia o traço original do mestre. Para testarem essa sua convicção, submeteram o quadro a uma cuidada investigação, que envolveu dezena e meia de especialistas em Da Vinci, tanto dos EUA como de Inglaterra e de Itália, bem como instituições como a National Gallery de Londres e de Washington, o Metropolitan Museum de Nova Iorque e ainda as universidades de Florença e de Milão.
O veredicto final confirmou o prognóstico de Simon e Parish, e depois da exposição em Londres, o Museu de Arte de Dallas pediu o quadro emprestado para o exibir nessa cidade e, no final, quis mesmo adquiri-lo.
Segundo o NYT, o autor da revelação da venda de Salvator Mundi em Maio passado foi o negociante de arte londrino Anthony Crichton-Stuart, que comentou para o jornal nova-iorquino: “É preciso contrabalançar o seu estado de deficiente conservação com o facto de se tratar de uma obra de um dos nomes mágicos e mais significativos do cânone da arte ocidental, pelo que, nesse sentido, parece-me que o preço foi justo”.
Seguindo a tradição e o protocolo do negócio, a Sotheby’s recusou fazer qualquer comentário sobre a venda, e, ao NYT, Robert Simon limitou-se a dizer que a pintura de Da Vinci “já não se encontra disponível”.
Ao reconstituir a história possível do quadro - que representa um tema da iconografia cristã que Da Vinci e outros mestres da pintura trataram em diferentes momentos -, o Le Monde avança que ele terá pertencido ao rei de Inglaterra Carlos II (século XVII), tendo depois sido também propriedade do duque de Buckingham.

É importante lembrar que esta identificação e autenticação de uma obra de Da Vinci surge mais de um século depois da última, que tinha sido realizada relativamente ao grande mestre italiano, com a Virgem Benois (1475-78), pertencente à colecção do Museu Ermitage de São Petersburgo, na Rússia. (Jornal Público – Março 2014)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Escritórios da Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal vão encerrar.


É oficial, a distribuidora da Sony Pictures e da Warner vai fechar. Ainda não se sabe quem vai passar a distribuir os filmes dos dois estúdios americanos.
Os escritórios da Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal (CTW) vão fechar no dia 31 de Março, revelou hoje a empresa em comunicado à imprensa. A CTW era a responsável pela distribuição dos filmes da Warner Bros. e da Sony Pictures Entertainment.
Uma fonte da empresa revelou ao PÚBLICO que, para a Columbia Pictures, a empresa portuguesa não apresentava níveis de rentabilidade satisfatórios devido à quebra que houve no mercado nacional. E segundo a agência Lusa o encerramento do escritório leva ao despedimento de 14 trabalhadores.
Os últimos filmes a ser lançados pela CTW vão ser o Winter’s Tale – Uma História de Amor, com estreia agendada para 13 de Fevereiro, o filme de animação Lego, a 27, e 300: O Início de um Império.
Assim, O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro, que vai estrear a 17 de Abril e que se espera venha a ser o grande lançamento da produtora para este ano, já não vai ser distribuído pela empresa portuguesa que era a segunda maior distribuidora a operar no mercado português.
A empresa, que em 2013 distribuiu 24 filmes, teve cerca de dois milhões de espetadores (uma quebra de 7,2 por cento em relação a 2012) e 11,8 milhões de euros de receita bruta de bilheteira (perdas de 6,5 por cento comparando com 2012) segundo dados recentes do Instituto do Cinema e Audiovisual, divulgados pela agência Lusa.
Sabe-se que a Sony Pictures tem vindo a reduzir o número de filmes lançados. Questionada sobre a possibilidade de a multinacional estar a atravessar uma crise, a mesma fonte da CTW revelou ao PÚBLICO que a Sony, onde está inserida a Sony Pictures, está à procura de optimizar soluções na gestão e irá despedir 5.000 trabalhadores, o que provavelmente também acabou por se reflectir em Portugal.

Ainda não foi revelado oficialmente quem vai passar a representar os estúdios da Warner Bros. e da Sony Pictures, no entanto, a mesma fonte garantiu que essa informação será revelada muito em breve.
O PÚBLICO tentou contactar a ZON Optimus, que se suspeita ser quem vai passar a distribuir os filmes que eram da responsabilidade CTW desde 1982, no entanto o grupo empresarial disse que não iria comentar o assunto.

Nota: Mais uma "machadada" no cinema e nos trabalhadores. O capital não pode perder...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Christie's cancela leilão da colecção Miró.


A leiloeira Christie's anunciou esta tarde em comunicado que retirou as 85 obras de Joan Miró da colecção do Banco Português de Negócios do leilão que estava marcado para se iniciar esta noite.
"A venda da colecção dos 85 trabalhos de Joan Miró foi cancelada como resultado da disputa no tribunal português, do qual a Christie’s não é parte interessada”, escreve Matthew Paton, director de comunicação da leiloeira, no comunicado enviado ao PÚBLICO, explicando que apesar de o tribunal não ter impedido a venda desta noite, “as incertezas legais criadas por esta disputada significam que não somos capazes de oferecer com segurança estes trabalhos para venda”.
Na mesma nota, Matthew Paton explica que a Christie’s “tem a responsabilidade” de oferecer aos seus clientes as condições máximas de segurança nas transacções, o que significa que tanto a leiloeira como os interessados em comprar as obras “têm de ter a certeza legal que as podem transferir sem problema”.
“Uma vez que a decisão do tribunal questiona isto nesta altura, a Christie’s é obrigada a retirar as obras da venda”, escreve ainda o responsável da leiloeira, esperando que “as partes nesta disputa consigam resolver as suas diferenças no devido tempo”.
O Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa decidiu esta terça-feira de manhã que o leilão, marcado desde Novembro de 2013, se poderia realizar, admitindo no entanto que parte dos procedimentos legais a que a Lei de Bases do Património Cultural obriga não tinham sido cumpridos. As obras viajaram inclusive ilegalmente para Londres, onde estão expostas, não tendo nunca a Direcção-Geral do Património Cultural autorizado a sua saída. São estas as questões legais levantas nestes últimos dois dias que levaram a que a leiloeira retirasse as obras.
Lê-se no acórdão do tribunal que a “expedição das obras é manifestamente ilegal”, não sendo “necessário argumentação sofisticada para concluir que a realização do leilão pela leiloeira Christie's das obras de Joan Miró comprometeria gravemente o cumprimento dos deveres impostos" pela Lei de Bases do Património "e reduziria a nada a concretização dos deveres de protecção do património cultural".

O Estado esperava arrecadar com esta venda cerca de 35 milhões de euros, segundo a avaliação da leiloeira. No entanto, como é habitual nestas situações, no contrato celebrado entre a Christie’s e a Parvalorem e Parups, sociedades criadas no âmbito do Ministério das Finanças para recuperar créditos do BPN e que são proprietárias das obras, existe uma cláusula que pressupõe o pagamento de uma indemnização caso o leilão não aconteça. Não sendo conhecido este contrato, lê-se no acórdão do tribunal que neste caso "a Parvalorem, S.A. por força do contrato celebrado, constituir-se-á na obrigação de indemnizar a Christie’s em montante cujo valor se situará entre os 4,7 milhões e os 5 milhões de euros”. Uma vez que foi a própria leiloeira a cancelar o leilão não se sabe se esta cláusula se aplicará. (Jornal Público - 04.02.2014)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Portugueses brilham no maior festival de marionetas.



Duas companhias de teatro de marionetas portuguesas foram distinguidas no maior festival de marionetas do mundo. A 'S.A. Marionetas - Teatro & Bonecos' e a 'Trulé - Investigação de Formas Animadas' venceram dois prémios atribuídos no Wayang World Puppet Carnival 2013, na Indonésia. 
O primeiro grupo conquistou o galardão de melhor espetáculo tradicional de rua, enquanto o segundo obteve o prémio de melhor animação de marionetas naquele que é o maior festival internacional do género e que decorreu ao longo da semana passada, em Jacarta.
"São dois prémios importantíssimos para as marionetas portuguesas. É um grande reconhecimento do trabalho feito numa zona do globo onde o teatro das marionetas é muito forte", diz José Gil, diretor da 'S. A. Marionetas - Teatro & Bonecos', à Lusa.
O Wayang World Puppet Carnival foi organizado pela Associação de Marionetas da Indonésia e pela Fundação Arsari Djojohadikusumo e contou com a participação de 64 grupos de 46 países.

domingo, 7 de julho de 2013

Filme sobre Jardim Botânico da Universidade de Coimbra premiado em festival na Croácia.


O filme, intitulado Jardim Botânico da Universidade de Coimbra - Um espaço único venceu o galardão ‘The Best Artistic Impression’ no Zagreb Tourfilm Festival, que terminou na noite de sexta-feira.
Segundo uma nota do JBUC, o filme turístico, com cerca de três minutos de duração, representa o inverno no jardim “mesclando os tons terra com os sons da natureza urbana num ambiente marcado pela neblina matinal” e foi desenvolvido pela produtora Terra Líquida Filmes.
“Numa altura em que a Universidade de Coimbra (UC) e o próprio Jardim Botânico acabam de ser considerados Património da Humanidade, este prémio e a presença do filme em muitos outros festivais internacionais reveste-se de uma importância acrescida, pois permite não só divulgar este espaço único além-fronteiras mas sobretudo potenciar a imagem da UC nos circuitos turísticos internacionais”, refere, na nota, Paulo Trincão, director do JBUC.

Para além da Croácia, o filme vai participar ainda nos festivais de cinema turístico Silver Lake Tourfilm Festival (Sérvia), Tourfilm Brazil (Brasil), Tourfilm Festival Karlovy Vary (República Checa) e ART&TUR (Portugal), em Setembro e Outubro. (Jornal Público – 07.07.2013)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Programa Próximo Futuro vai trazer a Lisboa artes e literatura do Sul de África.


Em 2013, o Programa Gulbenkian Próximo Futuro dedica o seu festival de verão ao sul de África. Pensamento e literatura, arte pública, exposições de fotografia, música, cinema, teatro e dança, a partir de 21 de junho.
 Duas décadas após o fim do Apartheid na África do Sul, o Programa Gulbenkian Próximo Futuro faz um ponto da situação e dedica o essencial da sua programação de verão às ideias e à criação artística contemporânea dos países do sul de África. Pensamento e literatura, arte pública, exposições de fotografia, música, cinema, teatro e dança, a partir de 21 de junho, na Fundação Gulbenkian, mas também no São Luiz Teatro Municipal e no Teatro do Bairro, parceiros nesta programação.
 O fim do Apartheid foi um acontecimento que teve repercussões por toda a África e, muito em particular, na região da África Austral. Cerca de duas décadas depois, qual é o panorama nestes países? Que melhorias houve? Que dinâmicas existem? Que frustrações se acumulam? Que perspetivas há para o próximo futuro?
 Instalações no Jardim, debates e exposições de fotografia
A programação arranca no dia 21 de junho, com a inauguração de várias instalações espalhadas pelo jardim. É também no jardim que às 19h tem lugar a primeira sessão da Festa da Literatura e do Pensamento do Sul de África, que decorre ao longo deste fim-de-semana (21 a 23 junho) e onde serão debatidos vários temas dos quais o primeiro é “O Estado das Artes”. No dia 21 de junho, pelas 22h, haverá ainda a inauguração de duas exposições no Edifício Sede da Fundação Gulbenkian: a 9ª Edição dos Encontros de Fotografia de Bamako e Present Tense – Fotografia do sul da África. As exposições ficarão patentes até dia 1 de setembro.
 Ciclo de cinema e concertos no Anfiteatro ao ar livre
Na abertura da ‘Cinemateca Próximo Futuro’ será apresentado em estreia mundial “Cadjigue”, a mais recente obra de ficção do realizador guineense Sana Na N’Hada, e na sessão seguinte Filipa César (Portugal) apresenta a sua trilogia evocativa de Amílcar Cabral e do cinema guineense, um trabalho composto por três ensaios cinematográficos de curta duração: “Conakry”, “Cacheu” e “Cuba”. Na mesma sessão, é apresentado em estreia no nosso país o documentário “Sem Flash. Homenagem a Ricardo Rangel (1924-2009)”. Nas sessões seguintes será projetado um conjunto de filmes de ficção, de não ficção e filmes experimentais, que abordam questões como sexualidade, identidade, tradição, transformação e cultura dos jovens.
 Dois concertos completam a programação do Próximo Futuro no Anfiteatro ao ar livre: os Jagwa Music, um coletivo da Tanzânia que desde o ano passado tem vindo a eletrizar o público dos grandes festivais de verão europeus, e Konkoma, um projeto com músicos do Gana e do Reino Unido que mistura afro-funk, jazz, soul e ritmos tradicionais africanos.
 Espetáculos de dança e teatro no São Luiz e no Teatro do Bairro

No São Luiz Teatro Municipal mostram-se trabalhos dos coreógrafos moçambicanos Panaíbra Gabriel Canda e Horácio Macuácua, mas também teatro do Brasil, com a adaptação ao palco do livro de Clarice Lispector “Outra Hora da Estrela”. A 7 de julho, estreia ainda no São Luiz “África Fantasma II”, do encenador português João Samões, com Joana Bárcia e Miguel Borges como intérpretes. O teatro chileno, que habitualmente marca presença no Próximo Futuro, estará representado pelo encenador Cristián Plana, que apresenta a peça Velório Chileno no Teatro do Bairro.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Banksy desaparecido em Fevereiro foi vendido por um milhão.


Provavelmente o artista de rua mais conhecido do mundo, o britânico Banksy está a assistir à valorização crescente da sua obra – mas não é ele que está a lucrar com ela. O agora famoso mural do writer de grafitti que desapareceu de Wood Green, no norte de Londres, em meados de Fevereiro, já terá sido vendido em leilão por um milhão de euros. Os seus proprietários serão os donos do prédio em cuja parede foi pintado o stencil de uma criança que costura bandeiras do Reino Unido.
Slave Labour (Bunting Boy) foi à praça no domingo através da empresa de serviços Sincura Group, tendo esta sido a segunda investida do seu proprietário no mercado. Poucas semanas depois de ter desaparecido de Wood Green, o stencil que já foi interpretado como uma crítica ao Jubileu da rainha Isabel II ou como um comentário sobre o trabalho infantil, surgiu para venda em Miami. Mas, na altura, a população de Wood Green estava mobilizada contra o desaparecimento de Slave Labour da parede exterior de uma das suas lojas e os protestos chegaram a Miami.
A comunidade, que encarou a subtracção deste Banksy como um roubo de um presente que o street artist teria dado ao bairro, protestou mesmo nas ruas contra a perda da obra e o concelho de Haringey, onde fica Wood Green, apoiou essa campanha, levando-a aos palcos internacionais, visando a devolução da obra. Sem apresentar explicações e, segundo a BBC, já quando o leilão de Slave Labour tinha começado, a Fine Art Auctions Miami cancelou a venda em Fevereiro – as suas expectativas do valor da venda chegavam aos 517 mil euros
Em Maio, novo desenvolvimento: o Sincura Group, que se apresenta como “porta de entrada para uma vida VIP” que “começou como uma organização secreta” que “conseguia acesso ao inacessível”, anunciava que iria vender a peça, bem como outros trabalhos de artistas  como Damien Hirst, Andy Warhol ou o fotógrafo Mario Testino. O evento, que juntaria exposição e leilão, estava agendado para dia 2, sendo Slave Labour uma das suas peças centrais. Num comunicado datado de 11 de Maio, o Sincura Group afirmava ter investigado a proveniência do mural, que diz ter sido “legalmente resgatado”, frisando que “os actuais proprietários e o seu representante estão a agir de boa fé”.
Esses proprietários, confirmou à Bloomberg Robin Barton, marchand de arte especializado em Banksy e que representa os vendedores do mural, são Robert Alan Davis e Leslie Steven Gilbert, os donos da imobiliária Wood Green Investments, que detém o edifício onde o artista pintou a obra e que - sendo uma questão legal em aberto - considera ser a legal detentora da obra.
A obra “sofreu um extenso restauro” desde “a sua remoção”, lê-se na mesma nota de Maio do Sincura, assinada pelo seu director, Tony Baxter. Nela, o grupo dizia ainda que esta seria “mostrada pela primeira e única vez no Reino Unido antes de ser devolvida aos Estados Unidos onde fará parte de uma importante colecção privada de obras de Banksy”. A 30 de Maio, segundo disse à Bloomberg Robin Barton, já existia uma oferta de cerca de 765 mil euros por parte de um colecionador privado norte-americano. Mas a peça iria ainda assim a leilão com o Sincura Group, na expectativa de atingir valores mais elevados.
Barton detalhou, sobre o evento à porta fechada, que no final da noite de domingo o grupo recebera três licitações acima das 881 mil euros, e que iria reunir-se com os proprietários para avaliar as ofertas em cima da mesa. 

Banksy não confirmou nunca a autoria da peça, embora os peritos na sua obra estejam seguros da sua proveniência, e citou apenas, em resposta a uma pergunta sobre a venda de arte de rua em leilões no seu site, o impressionista Matisse: "Senti-me muito envergonhado quando as minhas telas começaram a alcançar preços elevados, vi-me condenado a um futuro de pintar nada mais que obras-primas." (Jornal Público)