Tati não depositava muita
confiança na capacidade dos adultos para saberem existir livremente. O sopro
anárquico estava reservado para as crianças e para os animais, criaturas que
não reconheciam barreiras. Em O Meu Tio esta ideia surge limpidamente exposta:
os únicos que saltitam alegremente entre os espaços delimitados do “antigo” e
do “moderno” sem ficarem presos em nenhum são um grupo de crianças e uma
matilha. E Hulot, claro, filmado como espécie de “inconsciência” que guardou um
toque de infância e, porque não?, uma medida de animalidade. (Jornal Público –
Ipsilon – 21.Agosto.2015)
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
Há cem anos o terramoto Orpheu virou do avesso a literatura portuguesa.
Na
primeira metade do século XX português não houve escassez de revistas
literárias importantes e duráveis, como a Águia (1910-1932) ou a Presença(1927-1940),
para citar apenas duas. Mas é hoje surpreendentemente consensual que a mais
influente e icónica de todas foi uma efémera publicação de que apenas saíram
dois números no primeiro semestre de 1915. Chamou-se Orpheu e foi
recebida pela imprensa da época com títulos como “Literatura de Manicómio”, “Os
Poetas do Orpheu e os Alienistas” ou “Orpheu no Inferno”.
Decorrido
um século, o centenário do lançamento do primeiro número deOrpheu, que terá
saído da gráfica a 24 de Março de 1915, vai ser evocado por estes dias em
colóquios, exposições, lançamentos, leituras públicas e outras iniciativas.
Tudo somado, não é de mais, já que Orpheu não foi apenas um terramoto
que deixou irreconhecível a paisagem literária portuguesa da época, foi também,
enquanto gesto fundador do nosso modernismo, o início de uma aventura criativa
que atravessou todo o século XX e que só agora começa a dar sinais de
esgotamento. E foi ainda, sobretudo no seu segundo número, a materialização
mais significativa da colaboração entre dois génios criativos: Fernando Pessoa
e Mário de Sá-Carneiro. Sem eles, poderia ter existido Orpheu, mas
dificilmente estaríamos hoje a celebrar o seu centenário.
No
plano académico, o momento mais significativo destas comemorações é o grande
colóquio luso-brasileiro 100 Orpheu, que decorre em Lisboa, na Gulbenkian
e no Centro Cultural de Belém, entre os dias 24 e 28, e que terá depois uma
etapa brasileira em São Paulo, no final de Maio. Com pessoanos de várias
gerações e proveniências, de Eduardo Lourenço ou Teresa Rita Lopes a Richard
Zenith, Steffen Dix e Jerónimo Pizarro, o congresso começou com um aperitivo
portuense na Fundação Eng.º António de Almeida, que inaugurou ontem o colóquio Orpheu
e o Modernismo Português e a exposiçãoMemória d’Orpheu.
Na
Biblioteca Nacional, abre no dia 24 a exposição Os Caminhos de Orpheu,
organizada por Richard Zenith, que mostra o percurso da revista desde os seus
antecedentes até às posteriores tentativas de Pessoa para ressuscitar o
projecto. A par de muitos outros materiais que documentam a história deOrpheu,
e não esquecendo a importância que as artes plásticas e gráficas tiveram no
movimento, a exposição inclui vários papéis inéditos, incluindo documentos que
demonstram que o envolvimento de Pessoa na produção do célebre número zero da
revista Contemporânea, em 1915, foi muito mais decisivo do que se pensava.
Ocupando
vários espaços da Casa Fernando Pessoa (CFP), inaugura-se a 25 a exposição Os
Testamentos de Orpheu, de Pedro Proença. E a CFP está ainda a desenvolver com o
Instituto Camões (IC) uma outra mostra – Nós, os de Orpheu –, que
circulará em Portugal e na rede internacional do IC. E, a partir de 28 de
Março, propõe-se fazer regressar Orpheu aos cafés onde o projecto foi
pensado e discutido, convidando actores a ler textos que convoquem “o espírito
do grupo” que fez a revista.
Mais
discretas mas não menos importantes, duas iniciativas editoriais assinalam o
centenário de Orpheu: 1915 – O Ano do Orpheu, com organização de Steffen
Dix, uma belíssima edição da Tinta-da-China (a capa inspira-se no grafismo do
segundo número de Orpheu). O livro acabou de ser lançado e reúne textos de
mais de 20 investigadores, contextualizando o surgimento da revista, abordando
as experiências afins noutras literaturas europeias e tratando individualmente
os “órficos” mais relevantes. Em Abril, a Assírio & Alvim lançará, na
colecção Pessoa Breve, o volume Sobre Orpheu e o
Sensacionismo, co-organizado por Fernando Cabral Martins e Richard Zenith.
(Jornal Público)
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional distinguidos no Prix de Lausanne.
Miguel
Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança
contemporânea.Ito Mitsuru obteve o terceiro lugar na final do concurso.
O
bailarino português Miguel Pinheiro e o japonês Ito Mitsuru, ambos alunos da
Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, foram distinguidos na
final do Prix de Lausanne, que se realizou neste sábado na cidade suíça.
Miguel
Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea,
no Prix de Lausanne, além de garantir uma das bolsas atribuídas pela
competição, e Ito Mitsuru obteve o terceiro lugar na final do concurso.
O
bailarino português disse à Lusa que a dança contemporânea é uma modalidade que
aprecia particularmente, na qual se sente seguro. "Estive muito à
vontade", durante a prova, disse à Lusa. "Já não era a primeira vez
[que prestava provas] e correu muito bem", afirmou.
O
seu colega em Lisboa, o bailarino japonês Ito Mitsuru, obteve o terceiro lugar
na final do concurso do Prix de Lausanne.
Para
o director da Escola de Dança do Conservatório Nacional, Pedro Carneiro, este
resultado recompensa o trabalho de ambos. "O mérito é todo deles",
disse.
Domingo,
os restantes três candidatos portugueses presentes na Suíça – Alice Pernão,
Teresa Dias e Francisco Patrício, também alunos da escola lisboeta – têm
entrevistas marcadas com directores de escolas e companhias internacionais, no
quadro do fórum especial de dança, organizado pelo Prix de Lausanne, de acordo
com Pedro Carneiro.
Lançado
em 1973, o Prix de Lausanne constitui um dos mais exigentes certames de dança a
nível mundial, para jovens entre os 15 e os 18 anos, na fase final de formação.
(Jornal Público – 7.Fev.2015)
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Como o Palácio do “Monteiro dos milhões” deslumbrou Taylor Moore.
Taylor
Moore esteve no Palácio da Regaleira e ficou deslumbrado com aquilo que viu.
Fotógrafo canadiano, registou o edifício e, também, a respetiva quinta. Vale a
pena ver o resultado.
“Um
lugar de magia divina e de mistério”. É desta forma que Taylor Moore, cuja página na rede social
Facebook pode ser visitada aqui, caracteriza o Palácio da
Regaleira e a respetiva quinta, em Sintra. O fotógrafo canadiano visitou o
lugar, com as suas grutas, pequenos lagos, um poço iniciático, torres e jardins
e ficou deslumbrado. Afirma que se trata se um daqueles sítios que convida a
ser fotografado “de noite ou de dia”.
O Palácio da Regaleira foi mandado construir
por António Monteiro, nascido no Rio de Janeiro em 1850
e falecido em Sintra em 1920, que ganhou a alcunha de “Monteiro dos milhões”
pela fortuna que herdou e que fez crescer através de negócios no café e pedras
preciosas. A propriedade foi adquirida por Monteiro em 1892, as obras
começaram em 1904 e terminaram seis anos depois. O projeto foi desenhado
pelo arquiteto italiano Luigi Manini (1848-1936), que conjugou
diversos estilos como o gótico, renascentista e manuelino, a expressão
portuguesa do gótico.
(observador.pt)
domingo, 16 de novembro de 2014
Senhoras e senhores, apresentamo-vos o "padeiro dos livros".
Nove
mil livros e 30 anos depois, Alberto Casiraghi, poeta, pintor, músico,
construtor de violinos e impressor, tem a sua primeira exposição em Portugal.
Chama-se "9000 Formas da Felicidade: as edições Pulcinoelefante".
Uma gravura baseada no famoso quadro de Goya, "Três de Maio de 1808 em Madrid", assinada por Luciano Ragozzino. Fotografias de Marylin Monroe coladas sobre uma mão de papel e uma fotografia também da atriz, provavelmente recortada de um jornal ou revista, com números pintados sobre o papel. Um poema de Rainer Maria Rilke, o poeta alemão, escrito em italiano. Três fotografias de Alda Merini (1931-2009), a escritora italiana que teve a admiração de artistas como Pasolini, Salvatore Quasimodo e Giorgio Manganelli, e foi vencedora em 2003 do Premio Librex Montale, que reconhece poetas italianos contemporâneos. É ela, aliás, que assina alguns dos livros expostos (mas já lá vamos).
Uma gravura baseada no famoso quadro de Goya, "Três de Maio de 1808 em Madrid", assinada por Luciano Ragozzino. Fotografias de Marylin Monroe coladas sobre uma mão de papel e uma fotografia também da atriz, provavelmente recortada de um jornal ou revista, com números pintados sobre o papel. Um poema de Rainer Maria Rilke, o poeta alemão, escrito em italiano. Três fotografias de Alda Merini (1931-2009), a escritora italiana que teve a admiração de artistas como Pasolini, Salvatore Quasimodo e Giorgio Manganelli, e foi vencedora em 2003 do Premio Librex Montale, que reconhece poetas italianos contemporâneos. É ela, aliás, que assina alguns dos livros expostos (mas já lá vamos).
Mais
à frente, entra-se no chamado "Núcleo: Alberto em Portugal". Uma
fotografia a preto e branco de Manuel Alegre, vestido de fato. E um desenho de
um homem deitado com uma monumental letra "M" junto à sua cabeça,
parecendo decapitá-lo, e que segundo o programa da exposição é do livro de
Alberto Pimenta, o escritor português, feito e escrito por ele. Miguel Martins,
Luís Manuel Gaspar, Manuel de Freitas. Outros nomes da poesia portuguesa
contemporânea que aparecem destacados. O 91 da exposição é de Vasco Graça
Moura, é de 2013, e tem uma dedicatória sua na capa que diz assim: "Na
verdade, o poema é um ruído modelado de gente".
Chama-se
"9000 Formas de Felicidade: as edições Pulcinoelefante", é dedicada a
Alberto Casiraghi, poeta, pintor, músico, construtor de violinos e impressor, e
inaugurou no final de outubro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa,
onde fica até 31 de janeiro.
É
a primeira exposição em Portugal dedicada a Alberto, que prefere, no entanto,
ser conhecido como o "padeiro de livros", e o "único padeiro que
trabalha durante o dia". Há uma boa razão para isto: desde 1992, tem
feito, em média, mais de um livro por dia. Atualmente, são mais de nove mil.
Os
livros "belos e simples" do mestre Alberto
Em
1982, depois de ter sido despedido da tipografia onde trabalhava, uma grande
casa em Milão que imprimia jornais, Alberto Casiraghi decidiu construir a sua
própria oficina, a que deu o nome de Pulcinoelefante. Fê-lo em casa, na cidade
de Osnago, em Itália, onde nasceu. Fala-se muito dessa tarde ventosa e de um
primeiro livro dado à estampa nesse dia: "Una Lirica. Una Immagine",
de um escritor chamado Marco Carnà. No ano seguinte, 1983, foram lançados mais
quatro livros, três com textos do próprio Casiraghi (assinados, não sabemos, se
por ele, se por um dos seus três pseudónimos) e o outro da autoria de Gaetano
Neri, também ilustrados por Carnà, em conjunto com Pierluigi Puliti e Gianni
Maura. Em 1984, sete, e no ano seguinte, nove. Ao fim dos primeiros dez anos,
estavam feitos 236 livros, ou 236 "pulcinos", nome por que são
chamados.
Mas
o que são, afinal, os "pulcinos"? A descrição oficial diz assim: são quatro
ou seis folhas de papel Hahnemühle, tamanho A4, dobradas em A5. Contêm um
aforismo ou um pequeno poema impresso em carateres móveis, e uma ilustração,
que tanto pode ser uma impressão digital dos desenhos de Alberto, uma
xilografia, águas-fortes, litografias, fotografias, colagens, desenhos e
pinturas com todas as técnicas, ready-made, esculturas, entre outras
intervenções. As tiragens vão de 15 exemplares a 30 ou 35, numerados
sequencialmente.
A
descrição não-oficial é esta que nos traz Catarina Figueiredo Cardoso,
comissária da exposição, e responsável por outros projectos anteriores na área
da edição independente e livros de artista. Distingue nos "pulcinos"
a "beleza e a aparente simplicidade". Do ponto de vista tipográfico, assegura
que são "impecavelmente bem feitos". "O que torna o Alberto
diferente é a consistência da sua prática e a mestria com que a utiliza. Há
muitos problemas na utilização dos tipos móveis: gastam-se, partem-se, as
máquinas desafinam e avariam, todo o material envolvido é caro e a sua
utilização é difícil e implica muita prática. Ora o Alberto tem tudo: foi
tipógrafo de tarimba, tem imensos tipos, tem a máquina e sabe concertá-la se
for preciso. É por isso que ele se distingue dos restantes impressores".
A
técnica que nasceu na China antes de Cristo
O
primeiro sistema de impressão a partir de tipos móveis (letras, símbolos e
sinais de pontuação individuais), feito em porcelana chinesa, é atribuído a Bi
Sheng (990-1051 AD), e terá sido criado por volta de 1040 A.D., na China.
Quando, cerca de 200 anos depois, a técnica começou a ser usada na Coreia, os
tipos móveis passaram a ser feitos em metal. "Jikji" (1377), ou
"Antologia de ensinamentos zen pelos grandes sacerdotes budistas",
documento budista coreano, é o mais antigo livro imprimido com o uso desta
técnica, título que a UNESCO confirmou em 2001, tendo incluído o livro no
programa "Memory of the World", destinado a preservar documentos e
arquivos de grande valor histórico.
Por
volta de 1450, os tipos móveis voltariam à mó de cima (eram caros e exigiam
muita mão-de-obra e isso teve consequências), com a impressão da Bíblia por
Johannes Gutenberg, na Europa, a partir de um sistema que o próprio inventou, e
que superava em larga medida os antigos modelos. Como se passou para a
impressão em línguas europeias (número mais limitado de carateres), a técnica
tornou-se rentável e foi, dito de uma forma abreviada, um sucesso. Mais tarde,
já no século XIX, com a invenção da composição mecânica e seus sucessores,
acabaria por entrar em declínio.
Cabras,
coelhas e galinhas, e máquinas grandalhonas
Numa
das fotografias dos livros em exposição, Alberto surge acompanhado de uma
cabra. Ao vê-la, lembramo-nos das imagens do editor e tipógrafo, arrumadas em
vídeos (no youtube), que nos trazem essa outra realidade de um quintal cheio de
cabras e coelhos e galinhas, e uma casa aparentemente pequena cheia de máquinas
grandalhonas que já ninguém parece saber ao certo para que servem, e livros,
muitos livros, atrás das portas de vidro dos armários altos ou ali mesmo à mão
de semear.
É
nessa casa que Alberto continua a receber visitas, artistas, poetas e
ilustradores, que ali vão "para lhe ditarem os textos e ajudarem a fazer
os livros, cortar o papel e coser as páginas", explica Catarina. E foi também
nessa casa que recebeu a escritora italiana de que falávamos, Alda Merini,
amiga e colaboradora. Catorze dos 110 livros expostos são dela. Parece pouco,
mas há outra história por detrás disto, que podemos arriscar, embora com
palavras que não são nossas, contar assim: "A amizade e consequente
colaboração com Alda Merini conduziram ao aumento alucinante no número de
livros produzidos, e à enorme projeção de Alberto e da sua editora em Itália,
nos Estados Unidos e no Japão". A escritora deu, ainda segundo essas
páginas que acompanham a exposição, "uma dimensão inesperada à
Pulcinoelefante".
O
mestre Alberto em Portugal
Em
2013, Alberto vinha pela primeira vez a Portugal, a convite de Catarina.
"Achei importante dar a conhecer aos meus amigos portugueses que se
dedicam à edição a obra de um dos expoentes da arte da composição tipográfica
com tipos móveis".
Nesse
ano, fez um workshop no Homem do Saco, um dos ateliers que, segundo Catarina,
continua a dedicar-se à técnica de impressão em tipos móveis. A outra é a
Oficina do Cego, também em Lisboa. Desse workshop resultaram quatro
"pulcinos" sob a supervisão direta de Alberto, que deram aos
tipógrafos e artistas portugueses envolvidos (alguns têm agora expostos os
livros que fizeram) a motivação necessária para, a partir daí, dedicarem-se à
"criação de edições artísticas inovadores e imaginativas que os
singularizam no panorama da edição independente."
Mas
a ligação de Alberto a Portugal é bem mais antiga. Em 1993, fazia o primeiro
livro de um escritor português. É lançar um palpite e acertar, senão à
primeira, pelo menos à segunda. Sim, foi mesmo de Fernando Pessoa, mas esse não
está entre os que viajaram de Itália para Portugal. Vai ter de ficar para a
próxima.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
João Machado é um mestre do design da Graphis.
O
designer gráfico português João Machado foi distinguido na edição de 2015 do International
Journal of Visual Communication – Graphis como um dos seus mestres do
design.
Nessa
lista de mérito, João Machado surge ao lado de Alan Fletcher, Takenobu
Igarachi, Werner Jeker, Gunter Rambow e Massimo Vignelli. Na mesma edição
especial em que a publicação divulga alguns dos melhores trabalhos
internacionais da indústria da comunicação visual, surge ainda como vencedor em
duas categorias de premiação: Ouro para Melhor Cartaz pelos materiais de
divulgação das Festas de Almada de 2013 e ainda pelas campanhas ambientais
Roots Think Green (2014) e Water for Life (2014), e Mérito tanto pelo trabalho
para as celebrações do 25 de Abril também de Almada (2013) como pelo cartaz do
festival de Cinanima (edição de 2014).
Sobre
os cartazes premiados com o Ouro, o designer gráfico diz ao PÚBLICO que no caso
das Festas de Almada, por ocasião do S. João, “a imagem desenvolvida baseia-se
numa forma que não é mais do que uma interpretação pessoal daquilo que é o
balão de S. João”. “As cores utilizadas fazem parte da minha paleta habitual de
cores. Cores planas acentuadas por grandes contrastes, características afinal
comuns a este tipo de festas populares”, explica João Machado.
Já
no que diz respeito aos outros cartazes, desenvolvidos no contexto da
preservação ambiental, pretende-se sensibilizar as pessoas para a
necessidade de garantir um planeta mais sustentável: “Ambas as imagens
pretendem representar a vida (terra e água). A raiz ainda que doente e pálida,
mas que é capaz de se regenerar, se assim o quisermos. As cores que as suas
extremidades assumem são sinais dessa vida. No cartaz Water for Life, o
movimento e as cores sugeridas por criaturas marinhas conferem a energia e a
vitalidade de um planeta habitável e ideal.”
Várias
vezes distinguido por esta publicação, João Machado, nascido em Coimbra em 1942
e formado em escultura pela Escola Superior de Belas Artes na Universidade do
Porto, trabalha como designer desde o arranque dos anos 1980. Há um ano,
recebeu também o Ouro para Melhor Cartaz com o trabalho que fez para promover
as Festas de Almada, novamente, e ainda pela campanha Think Green e pelo poster
do Cinanima.
A
Graphis edita várias publicações especializadas em design, artes gráficas,
fotografia e publicidade. Com mais de 300 edições até hoje, foi publicada pela
primeira vez em 1944 em Zurique, na Suíça, tendo mudado a sua sede para Nova
Iorque em 1986, quando o título foi comprado por B. Martin Pedersen. Ao
contrário de outros concursos, aqui não há prémio monetário. A recompensa é o
reconhecimento e a oportunidade de poder mostrar o trabalho produzido.
João
Machado tem trabalhado para clientes nacionais e internacionais entre os quais
se contam empresas de referência como a Ach Brito e a Amorim, grandes
instituições como a Assembleia da República, a Fundação Calouste Gulbenkian, o
Centro Cultural de Belém e a Fundação Oriente, vários museus e institutos
públicos bem como uma multiplicidade de câmaras municipais.
Já
este ano, o designer gráfico viu o seu trabalho ser distinguido no Grande
Prémio Asiago de Arte Filatélica, que lhe atribuiu o Melhor Selo do Mundo, na
categoria Turismo, com o selo de 0,36 euros da emissão filatélica "Ano
Internacional da Estatística". (Jornal Público – Out. 2014)
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Artistas ocuparam Museu do Chiado pelo direito à cultura.
"Cultura não é luxo", "Os mirós são nossos", "A cultura é de todos, a arte é para todos" - estas foram algumas das palavras de ordem nos cartazes usados pelos cerca de 50 artistas e agentes culturais que ocuparam o Museu de Arte Contemporânea, em Lisboa, na última noite.
A
ocupação "artivista" foi incentivada por Rui Mourão que ontem
inaugurou no museu a instalação multimédia Os Nossos Sonhos Não Cabem Nas
Vossas Urnas e, durante a sessão, apelou aos convidados a participar numa
ocupação pacifista da instituição.
O
artista desafiou as pessoas para um ato que era ao mesmo tempo artístico e
político. "Estamos aqui em ocupação 'artivista' do Museu Nacional de Arte
Contemporânea. Estamos a ocupar o museu em defesa do museu e não contra o
museu", disse o artista, na abertura da exposição, que procura demonstrar
que o protesto político também é arte. A ação de protesto foi feita "em
defesa do direito à Cultura", explicou à Lusa, Rui Mourão.
Alumas
pessoas já vinham preparadas e munidas de sacos-cama, como num acampamento. Os
ativistas realizaram uma assembleia que votou pela continuação da sua presença
nas instalações do museu para além do horário de funcionamento. A manifestação
terminou, mas algumas pessoas permanceram no museu durante a noite.
A
organização divulgou este vídeo da ação:
(Diário de Notícias)
quinta-feira, 3 de julho de 2014
A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda.
"A
arte deve ser livre porque o ato de criação é em si um ato de liberdade",
escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen no semanário Expresso, a 12 de julho
de 1975, num artigo a que chamou "A cultura é cara, a incultura é mais
cara ainda". Este impulso criativo sempre se mostrou como uma
inevitabilidade na vida da poetisa, que se iniciou na escrita aos 12 anos. Foi
ainda jovem, aos 24, que publicou por iniciativa própria o primeiro livro,
intitulado "Poesia".
De
origem dinamarquesa, desembarcou no Porto e ali permaneceu, na Quinta do Campo
Alegre (hoje o Jardim Botânico do Porto), onde viveu com o avô e acabou por
crescer. Uma casa cujo jardim foi cortado pela Ponte da Arrábida e cujos
plátanos foram arrancados, disse Sophia numa entrevista ao "Jornal de
Letras" a 5 de fevereiro de 1985.
Talvez
tenha sido a ausência desse jardim, imortalizado no poema "A Casa do
Mar", que tenha cravado a temática 'natureza' no universo poético da
autora: "A casa que eu amei foi destroçada/ A morte caminha no sossego do
jardim/ A vida sussurrada na folhagem/ Subitamente quebrou-se não é
minha".
Mar,
casa, tempo, amor. São ainda outros dos temas do universo da mítica escritora
portuguesa, que não gostava que lhe perguntassem porque é que escrevia. À
poesia, encontrou-a antes de saber que existia a literatura, disse um dia.
Sempre lhe foi natural.
Sophia
foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, o mais importante
galardão literário da língua portuguesa. Quando, em 1999, numa entrevista à TSF
o jornalista lhe perguntou "porque não o Nobel?", Sophia respondeu
"que o nome do Nobel não vale o de Camões".
A
transparência da palavra, o ritmo melódico dos versos, a lucidez e pureza da
escrita da poetisa inserem-na no panorama da literatura nacional como uma das
autoras mais reconhecidas e amadas pelo público.
A
poesia está na rua
Detentora
de vários galardões literários e condecorada três vezes pela República
Portuguesa, a poesia de Sophia situa-se entre uma sensibilidade estética
espiritual e uma poesia social, de denúncia a qualquer tipo de ataque à
dignidade humana (cujo estilo se acentuou durante o período que antecedeu o 25
de abril de 1974). "Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial
inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio / E livres habitamos a
substância do tempo", escreveu sobre esse dia de abril.
Ainda
agora, a intervenção de Sophia subsiste. Exemplo disso é a presença da frase
por ela escrita "a poesia está na rua", outrora presente no
emblemático quadro da pintora Vieira da Silva e imortalizada hoje pelas várias
paredes dos bairros lisboetas.
Também
o mar - há muito desbravado - foi das temáticas mais presentes na sua obra
poética, cuja "escrita é de nau e singradura". Tanto é que o
Oceanário de Lisboa expõe os seus poemas em zonas de descanso da exposição,
permitindo aos visitantes absorverem esse mar enaltecido por "Sophia como
quem procura a ilha sempre mais ao sul", escreveu Manuel Alegre num poema
de homenagem.
Foi
no dia 2 de julho de 2004 que morreu na sua residência, em Lisboa, aos 84 anos.
Sophia de Mello Breyner Andresen deixa editada uma vasta obra de poesia,
antologia, prosa, ensaios e teatro. Casada com o jornalista, político e
advogado Francisco Sousa Tavares e mãe de cinco filhos, entre eles o jornalista
e escritor Miguel Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner permanece como uma
poetisa intemporal, humana, uma poetisa do e para o povo.
Ainda
o artigo "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda", que
Sophia escreveu para o Expresso: "Quando a Arte não é livre o povo também
não é livre. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser
colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque
à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é
um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro".
Ler mais:
sábado, 21 de junho de 2014
A energia da inquietação.
Festa,
alegria, violência, futuro, comprometimento, fragilidade. São as palavras e os
significados que envolvem Artistas comprometidos? Talvez, a colectiva
apresentada na Gulbenkian no âmbito do programa Próximo Futuro
Fundação
Gulbenkian. Está cansado – “escapou” há minutos do calor da rua – mas
visivelmente satisfeito e saúda os artistas que encontra pelo caminho,
interrompendo-se aqui e ali para olhar a montagem final das obras. “Artistas
comprometidos? Talvez”, a exposição que comissaria, no âmbito do programaPróximo
Futuro, está quase pronta. A meio da sala, o artista moçambicano Celestino
Mudaulane termina a sua pintura mural e ao fundo a instalação de Wum Botha
parece concluída. Nas paredes, já se exibem as fotografias do franco-argelino
Bruno Boudjelal, os estranhos e coloridos “retratos” do sul-africano Athi-Patra
Ruga e a pintura do brasileiro Luiz Zerbini. No chão, algumas obras esperam a
sua vez. Como já se tornou, presume-se, evidente, os artistas participantes
nesta colectiva (ao todo são 21) não se subsumem a uma geografia. Há-os de
diferentes continentes e países, o que denota uma coerência com os fins do
programa Próximo Futuro e, neste, com a actividade de curadoria de
António Pinto Ribeiro. Mas o que dizer do título? Que sentido tem a palavra
“comprometidos”?
“Há
aqui dois tipos de comprometimento”, diz o curador. “Um comprometimento com o
legado artístico, com a arte, que considero profundo. E uma atitude que no meio
das maiores vicissitudes, das maiores catástrofes, encontra espaço para a
expressão de uma certa alegria, de uma ideia de festividade. Não se trata de
uma regra, mas é substancial. É uma energia que os artistas canalizam para a
expressão artística, para a criação das suas obras”. Alguns trabalhos tornam
presente esse energia, Veja-se o tromp-l’oeilque espreita da pintura de
Luiz Zerbini, a indeterminação colorida dos seres de Athi-Patra Ruga, as luzes
e o movimento da instalação de Wum Botha. A cor e a diversidade de linguagens
são aspectos que ressaltam e envolvem o visitante. E a par de pinturas, de
esculturas e instalações, encontram-se filmes, pinturas murais, referências a
cidades ou a lugares específicos (a costa do Norte de África, o Mediterrâneo,
Maputo, as ruas de Joanesburgo), inclusive a outras artes (a BD). Como se
articula toda esta diversidade, e o comprometimento que a atravessa, com a
possibilidade de uma intervenção? “Nas conversas com os artistas, houve sempre
um debate em torno do papel interventivo, quer da obra, quer do artista como
cidadão. Que implicações surgem na produção contemporânea e na relação dessa
produção com os cidadãos? As obras e actividades dos artistas desta exposição
não são militantes ou panfletárias, mas partem de um programa individual,
pessoal”.
Fragilizar
a mediação
Algumas
estratégias que ilustram a complexidade, bem como a singularidade, desses
programas podem ser: evocar ou documentar um período negro da história de um
país (é o que fazem o sul-africano Conrad Botes ou a guatemalteca Sandra
Monterroso), confrontar a violência de uma sociedade (nas pinturas de Celestino
Mudaulane, na proposta da artista brasileira Berna Reale) ou explorar
narrativas da história política (Bouchra Khalili). Na maioria destes trabalhos,
o que se evidencia não será um gesto de denúncia, menos ainda de activismo, mas
uma inquietação provocada pelas condições sociais e políticas do real;
inquietação que só se mostra, só emerge se transfigurada pela arte. Repare-se
nas imagens de Bruno Boudjelal. Ao longe, parecem pinturas de paisagens e são
paisagens o que vemos representado. Um olhar mais aproximado, permite descobrir
outra coisa: são fotografias, tomadas, ofuscadas pela luz, da costa argelina e
da costa da Europa do Sul que o artista fez durante uma série de viagens. A
alusão às travessias do Mediterrâneo por jovens africanos que tentam chegar à
Europa vai-se revelando. Escreve o artista no catálogo: “Virando as costas a
África, diante das margens europeias de Espanha ou Itália, regressei aos locais
onde embarcam estes migrantes clandestinos. Estas paisagens brancas fixam numa
mesma fotografia o encandeamento da luz, o desaparecimento da paisagem e as
construções da memória.”
Apesar
da articulação entre temas próximos ou comuns, refira-se que grande parte dos
artistas não se conhecia pessoalmente. “Não houve colaboração entre eles, mas
existiu um processo de debate interno”, nota Pinto Ribeiro. “Houve conversas,
leram-se textos, houve reflexão. Verificou-se um processo de partilha, com
propostas e contra-propostas, trocas de imagens. E mostrei-lhes a história da
exposição anterior, para terem uma perspectiva com que se pudessem relacionar”.
O curador, embora participante, assumiu a fragilização da sua função, atitude
que, no seu entender, modera a autoridade excessiva do mediador. Podemos
intuir, na opção, uma crítica ao mundo da curadoria? “É hoje uma evidência o
excesso de mediação entre os artistas, o público e as instituições. E isso tem
uma razão de fundo que é grande diversidade e a ausência de cânones da arte
contemporânea. Cabe muito do poder de selecção aos curadores. Mas o problema
não são os curadores, e sim o excesso da sua influência e autoridade, que vai
personificando um star-system”. A este problema, acrescem outros obstáculos que
desvirtuam a produção artística: “Há muitas situações de promiscuidade entre
curadores, responsáveis por colecções e críticos. E isso não é nada saudável
para os artistas e as programações”.
Comprometimento
com o futuro
Dos
participantes em Artistas comprometidos? Talvez só se contam dois nomes
portugueses: Pedro Barateiro e João Ferro Martins. Que conclusões se podem
tirar desta parca representação? Que a inquietação que anima esta colectiva não
é partilhada pela actual arte portuguesa? António Pinto Ribeiro admite que sim.
“A responsabilidade não é, contudo, dos artistas. Eles estão inseridos num
processo histórico onde o mercado e as galerias se lhes impõem, não permitindo
outro tipo de orientações. Também não encontro essa inquietação na arte que se
torna panfletária ou naïve. Há uma falta de comprometimento radical. O Pedro
Barateiro e o João Ferro Marins, para mim, têm esse comprometimento com o
futuro, com o devir, mas por razões que terão a ver com os limites de produção,
tendem a fazer obras minimais, com escalas mais reduzidas”.
Uma
escala reduzida é algo que não se encontra emTeoria, peça de Eduardo T.
Basualdo, uma enorme rocha negra, suspensa sobre o foyer da Fundação.
A sua localização inusitada (parece rasar as cabeças dos visitantes) e a sua
queda latente (um fio segura-a ao tecto) interpelam quem passa. Primeiro, o
receio face à possibilidade de uma catástrofe, logo a seguir o encontro com uma
presença surreal, fantasiosa, plena de ilusão. Não é ferro ou granito o que a
constitui, mas folha de alumínio. Entre a aparição violenta e a ironia,
testemunha-se uma transfiguração semelhante à realizada pelas imagens de Bruno
Boudjelal, com a diferença de que aqui é a relação entre os homens e os
objectos, e menos entre os homens e os lugares, aquilo que o artista vem
interrogar.
Regresse-se
à sala principal. Acolhe filmes da autoria de Bouchra Khalili, de Miguel Jara,
de Pedro Barateiro e Solon Ribeiro. Todos lidam com questões distintas, quanto
muito contíguas: a performance, a montagem, a memória do cinema, a animação, a
documentação. Em comum, sobressai um envolvimento com a cultura das imagens e
os arquivos que ela vai construindo. Esse é também um aspecto relevante do
projecto. Mas há outro que surge mais interpelador. A aparição da pintura
mural, nas propostas de Conrad Botes, vindo da BD experimental, de Celestino
Mudaulane (que tem apresentado desenhos e esculturas em edifícios devolutos de
Maputo) e do mexicano Demián Flores, que retoma um “movimento” que marcou a
história da arte do seu país. Pergunta “provocadora”: por que não levar estes
trabalhos para o exterior, para o interior da cidade? “Isso seria um gesto de
falsa rebeldia”, responde o curador. “Não faz sentido, neste contexto instalar
e pintar um muro numa rua da cidade. Seria uma situação de extrema hipocrisia.
Esta é uma exposição que decorre numa instituição. É mais transparente e
honesto propor essas obras no interior da exposição, com os limites possíveis,
do que ir para os subúrbios”. A presença ameaçadora de “Teoria”, do Eduardo T.
Basualdo, sobre as nossas cabeças, no foyer da Fundação, parece dar razão ao
curador. (Jornal Público)
terça-feira, 10 de junho de 2014
Google Cultural Institute lança colecção de Street Art no seu arquivo de arte online.
A Google
Cultural Institute, um arquivo online de exposições e colecções de todo o
mundo, lançou esta terça-feira uma colecção de Arte Urbana que conta, em
Portugal, com o apoio da Galeria de Arte Urbana de Lisboa.
Desta colecção faz parte o mural da rua
das Murtas, em Lisboa, Rostos
do Muro Azul, resultado de uma parceria da Google com a Galeria de Arte Urbana,
refere um comunicado hoje divulgado.
Promovido
por esta galeria, em parceria com o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, o projecto Rostos
do Muro Azul continua a animar a rua das Murtas, em Lisboa, e estará
disponível para todo o mundo através do Street Art Project.
Considerado
um ícone da arte urbana na capital portuguesa, o mural é “uma apaixonante
viagem por mais de um quilómetro de pinturas que têm o azul como cor
dominante”.
Em
Novembro último, este mural acolheu a edição do Writer’s Delight Burnersde
2013, organizado pela Dedicated Store Lisboa, com um trabalho colectivo de
intervenientes alemães e nacionais. Mais recentemente, em Março passado, 29
artistas nacionais e internacionais intervencionaram 54 novas pinturas, naquela
que é a sétima fase do projecto Rostos do Muro Azul.
“Neste arquivo de arte online será
possível analisar com detalhe todas as obras de arte, conhecer melhor as
origens deste movimento urbano e ainda descobrir como se está a utilizar esta
técnica para revitalizar as cidades, por exemplo na Polónia”, refere uma nota
informativa.
O Street
Art Project possibilita também aos seus utilizadores uma visita guiada às
origens do movimento graffiti em Nova Iorque nos anos 90. Para quem deseja ir
até ao outro lado do oceano, é possível ainda comparar a natureza global da
arte urbana produzida no México, onde existe uma grande tradição de pintura
mural.
Permite
igualmente conhecer os primeiros passos no contexto artístico das Filipinas,
onde a arte urbana começa agora a florescer.
Street
Art Project é uma iniciativa que congrega mais de 5 mil exemplares de
obras de arte urbana de vários países e que tem o objectivo de conservar
digitalmente as expressões artísticas que geralmente acabam por desaparecer nas
cidades de todo o mundo.
A
iniciativa reúne uma grande variedade de estilos e inspirações urbanas e
algumas das obras que podem ser consultadas neste arquivo online da
Google Cultural Institute correspondem a “autênticas formas de expressão e
activismo político e social” em épocas turbulentas da história dos vários
países que fazem parte do projecto.
Alguns
exemplos são os trabalhos do português Alexandre Farto - mais conhecido por
Vhils -, o surrealismo dos brasileiros Os Gémeos, ou ainda os retratos
fotográficos a grande escala do francês JR.
O
Street Art Project é a primeira iniciativa de captura digital de imagens
de arte urbana e representa a união entre aquela que é considerada a plataforma
online do presente, a Google, e aquela que é a expressão artística da
actualidade, a arte urbana. (Jornal
Público – 10.06.2014)
sexta-feira, 7 de março de 2014
Quadro de Leonardo da Vinci vendido por mais de 50 milhões de euros.
A
notícia de que tinha sido identificado um quadro “novo” de Da Vinci (1452-1519)
já era conhecida, pelo menos, desde a exposição que a National Gallery de
Londres dedicara ao mestre do Renascimento, Leonardo da Vinci – Pintor da
corte de Milão, entre Novembro de 2011 e Fevereiro de 2012. Depois dessa
mostra, o pequeno quadro (65,6 x 45,5 cms.) representando CristoSalvator Mundi (c.
1500) fora também exibido, por empréstimo, no Museu de Arte de Dallas, nos EUA.
O
que não se sabia, e agora foi noticiado pelo The New York Times, é
que essa obra foi vendida, em Maio de 2013, num leilão da Sotheby’s em Nova
Iorque, por uma soma entre os 75 e os 80 milhões de dólares (54,6 a 58,2
milhões de euros) a um comprador privado não identificado.
Esta
quantia ganha ainda maior relevância quando se sabe que o mesmo quadro, cuja
história está ainda por reconstituir no seu percurso completo, fora vendido, em
1958, em Inglaterra, na sequência de partilhas de descendentes de um aristocrata
britânico, por… 45 libras esterlinas (perto de 55 euros).
No
momento da venda, revelada no dia 3 de Março pelo diário norte-americano – e
depois também noticiada pelo francês Le Monde –, esteSalvator Mundi pertencia
a dois historiadores e negociantes de arte de Nova Iorque, Robert Simon e
Alexander Parish, que o tinham adquirido, em meados da década de 2000, por um
valor que também não foi quantificado.
De
qualquer modo, estes dois sócios e especialistas em arte acabaram por merecer a
mais-valia da sua convicção de que se estava, de facto, perante uma obra
autógrafa de Da Vinci e não apenas de uma qualquer reprodução – que, neste
caso, tinha sido mesmo atribuída a um aluno da oficina do mestre italiano,
Giovanni Antonio Boltraffio (c. 1466-1516).
Quando
adquiriram a tela, Simon e Parish acreditaram que a sua superfície, que
mostrava sucessivas camadas de pintura e se encontrava bastante deteriorada,
escondia o traço original do mestre. Para testarem essa sua convicção,
submeteram o quadro a uma cuidada investigação, que envolveu dezena e meia de
especialistas em Da Vinci, tanto dos EUA como de Inglaterra e de Itália, bem
como instituições como a National Gallery de Londres e de Washington, o
Metropolitan Museum de Nova Iorque e ainda as universidades de Florença e de
Milão.
O
veredicto final confirmou o prognóstico de Simon e Parish, e depois da
exposição em Londres, o Museu de Arte de Dallas pediu o quadro emprestado para
o exibir nessa cidade e, no final, quis mesmo adquiri-lo.
Segundo
o NYT, o autor da revelação da venda de Salvator Mundi em Maio
passado foi o negociante de arte londrino Anthony Crichton-Stuart, que comentou
para o jornal nova-iorquino: “É preciso contrabalançar o seu estado de
deficiente conservação com o facto de se tratar de uma obra de um dos nomes
mágicos e mais significativos do cânone da arte ocidental, pelo que, nesse
sentido, parece-me que o preço foi justo”.
Seguindo
a tradição e o protocolo do negócio, a Sotheby’s recusou fazer qualquer
comentário sobre a venda, e, ao NYT, Robert Simon limitou-se a dizer que a
pintura de Da Vinci “já não se encontra disponível”.
Ao
reconstituir a história possível do quadro - que representa um tema da
iconografia cristã que Da Vinci e outros mestres da pintura trataram em
diferentes momentos -, o Le Monde avança que ele terá pertencido ao
rei de Inglaterra Carlos II (século XVII), tendo depois sido também propriedade
do duque de Buckingham.
É
importante lembrar que esta identificação e autenticação de uma obra de Da
Vinci surge mais de um século depois da última, que tinha sido realizada
relativamente ao grande mestre italiano, com a Virgem Benois (1475-78),
pertencente à colecção do Museu Ermitage de São Petersburgo, na Rússia. (Jornal
Público – Março 2014)
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Escritórios da Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal vão encerrar.
É
oficial, a distribuidora da Sony Pictures e da Warner vai fechar. Ainda não se
sabe quem vai passar a distribuir os filmes dos dois estúdios americanos.
Os
escritórios da Columbia TriStar Warner Filmes de Portugal (CTW) vão fechar no
dia 31 de Março, revelou hoje a empresa em comunicado à imprensa. A CTW era a
responsável pela distribuição dos filmes da Warner Bros. e da Sony Pictures
Entertainment.
Uma
fonte da empresa revelou ao PÚBLICO que, para a Columbia Pictures, a empresa
portuguesa não apresentava níveis de rentabilidade satisfatórios devido à
quebra que houve no mercado nacional. E segundo a agência Lusa o encerramento
do escritório leva ao despedimento de 14 trabalhadores.
Os
últimos filmes a ser lançados pela CTW vão ser o Winter’s Tale – Uma História
de Amor, com estreia agendada para 13 de Fevereiro, o filme de animação Lego, a
27, e 300: O Início de um Império.
Assim,
O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro, que vai estrear a 17 de Abril
e que se espera venha a ser o grande lançamento da produtora para este ano, já
não vai ser distribuído pela empresa portuguesa que era a segunda maior
distribuidora a operar no mercado português.
A
empresa, que em 2013 distribuiu 24 filmes, teve cerca de dois milhões de
espetadores (uma quebra de 7,2 por cento em relação a 2012) e 11,8 milhões de
euros de receita bruta de bilheteira (perdas de 6,5 por cento comparando com
2012) segundo dados recentes do Instituto do Cinema e Audiovisual, divulgados
pela agência Lusa.
Sabe-se
que a Sony Pictures tem vindo a reduzir o número de filmes lançados.
Questionada sobre a possibilidade de a multinacional estar a atravessar uma
crise, a mesma fonte da CTW revelou ao PÚBLICO que a Sony, onde está inserida a
Sony Pictures, está à procura de optimizar soluções na gestão e irá despedir
5.000 trabalhadores, o que provavelmente também acabou por se reflectir em
Portugal.
Ainda não foi revelado oficialmente quem vai passar a representar os estúdios da Warner Bros. e da Sony Pictures, no entanto, a mesma fonte garantiu que essa informação será revelada muito em breve.
Ainda não foi revelado oficialmente quem vai passar a representar os estúdios da Warner Bros. e da Sony Pictures, no entanto, a mesma fonte garantiu que essa informação será revelada muito em breve.
O PÚBLICO tentou contactar a ZON Optimus, que se
suspeita ser quem vai passar a distribuir os filmes que eram da
responsabilidade CTW desde 1982, no entanto o grupo empresarial disse que não
iria comentar o assunto.
Nota: Mais uma "machadada" no cinema e nos trabalhadores. O capital não pode perder...
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Christie's cancela leilão da colecção Miró.
A
leiloeira Christie's anunciou esta tarde em comunicado que retirou as 85 obras
de Joan Miró da colecção do Banco Português de Negócios do leilão que estava
marcado para se iniciar esta noite.
"A
venda da colecção dos 85 trabalhos de Joan Miró foi cancelada como resultado da
disputa no tribunal português, do qual a Christie’s não é parte interessada”,
escreve Matthew Paton, director de comunicação da leiloeira, no comunicado
enviado ao PÚBLICO, explicando que apesar de o tribunal não ter impedido a
venda desta noite, “as incertezas legais criadas por esta disputada significam
que não somos capazes de oferecer com segurança estes trabalhos para venda”.
Na
mesma nota, Matthew Paton explica que a Christie’s “tem a responsabilidade” de
oferecer aos seus clientes as condições máximas de segurança nas transacções, o
que significa que tanto a leiloeira como os interessados em comprar as obras
“têm de ter a certeza legal que as podem transferir sem problema”.
“Uma
vez que a decisão do tribunal questiona isto nesta altura, a Christie’s é
obrigada a retirar as obras da venda”, escreve ainda o responsável da
leiloeira, esperando que “as partes nesta disputa consigam resolver as suas
diferenças no devido tempo”.
O
Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa decidiu esta terça-feira de manhã
que o leilão, marcado desde Novembro de 2013, se poderia realizar, admitindo no
entanto que parte dos procedimentos legais a que a Lei de Bases do Património
Cultural obriga não tinham sido cumpridos. As obras viajaram inclusive
ilegalmente para Londres, onde estão expostas, não tendo nunca a Direcção-Geral
do Património Cultural autorizado a sua saída. São estas as questões legais
levantas nestes últimos dois dias que levaram a que a leiloeira retirasse as
obras.
Lê-se
no acórdão do tribunal que a “expedição das obras é manifestamente ilegal”, não
sendo “necessário argumentação sofisticada para concluir que a realização do
leilão pela leiloeira Christie's das obras de Joan Miró comprometeria
gravemente o cumprimento dos deveres impostos" pela Lei de Bases do
Património "e reduziria a nada a concretização dos deveres de protecção do
património cultural".
O
Estado esperava arrecadar com esta venda cerca de 35 milhões de euros, segundo
a avaliação da leiloeira. No entanto, como é habitual nestas situações, no
contrato celebrado entre a Christie’s e a Parvalorem e Parups, sociedades
criadas no âmbito do Ministério das Finanças para recuperar créditos do BPN e
que são proprietárias das obras, existe uma cláusula que pressupõe o pagamento
de uma indemnização caso o leilão não aconteça. Não sendo conhecido este
contrato, lê-se no acórdão do tribunal que neste caso "a Parvalorem, S.A.
por força do contrato celebrado, constituir-se-á na obrigação de indemnizar a
Christie’s em montante cujo valor se situará entre os 4,7 milhões e os 5
milhões de euros”. Uma vez que foi a própria leiloeira a cancelar o leilão não
se sabe se esta cláusula se aplicará. (Jornal Público - 04.02.2014)
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Portugueses brilham no maior festival de marionetas.
Duas
companhias de teatro de marionetas portuguesas foram distinguidas no maior
festival de marionetas do mundo. A 'S.A. Marionetas - Teatro & Bonecos' e a
'Trulé - Investigação de Formas Animadas' venceram dois prémios atribuídos no
Wayang World Puppet Carnival 2013, na Indonésia.
O
primeiro grupo conquistou o galardão de melhor espetáculo tradicional de rua,
enquanto o segundo obteve o prémio de melhor animação de marionetas naquele que
é o maior festival internacional do género e que decorreu ao longo da semana
passada, em Jacarta.
"São
dois prémios importantíssimos para as marionetas portuguesas. É um grande
reconhecimento do trabalho feito numa zona do globo onde o teatro das
marionetas é muito forte", diz José Gil, diretor da 'S. A. Marionetas -
Teatro & Bonecos', à Lusa.
O
Wayang World Puppet Carnival foi organizado pela Associação de Marionetas da
Indonésia e pela Fundação Arsari Djojohadikusumo e contou com a participação de
64 grupos de 46 países.
domingo, 7 de julho de 2013
Filme sobre Jardim Botânico da Universidade de Coimbra premiado em festival na Croácia.
O
filme, intitulado Jardim Botânico da Universidade de Coimbra - Um espaço
único venceu o galardão ‘The Best Artistic Impression’ no Zagreb Tourfilm
Festival, que terminou na noite de sexta-feira.
Segundo
uma nota do JBUC, o filme turístico, com cerca de três minutos de duração,
representa o inverno no jardim “mesclando os tons terra com os sons da natureza
urbana num ambiente marcado pela neblina matinal” e foi desenvolvido pela
produtora Terra Líquida Filmes.
“Numa
altura em que a Universidade de Coimbra (UC) e o próprio Jardim Botânico acabam
de ser considerados Património da Humanidade, este prémio e a presença do filme
em muitos outros festivais internacionais reveste-se de uma importância acrescida,
pois permite não só divulgar este espaço único além-fronteiras mas sobretudo
potenciar a imagem da UC nos circuitos turísticos internacionais”, refere, na
nota, Paulo Trincão, director do JBUC.
Para
além da Croácia, o filme vai participar ainda nos festivais de cinema turístico
Silver Lake Tourfilm Festival (Sérvia), Tourfilm Brazil (Brasil), Tourfilm
Festival Karlovy Vary (República Checa) e ART&TUR (Portugal), em Setembro e
Outubro. (Jornal Público – 07.07.2013)
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Programa Próximo Futuro vai trazer a Lisboa artes e literatura do Sul de África.
Em
2013, o Programa Gulbenkian Próximo Futuro dedica o seu festival de verão ao
sul de África. Pensamento e literatura, arte pública, exposições de fotografia,
música, cinema, teatro e dança, a partir de 21 de junho.
Duas
décadas após o fim do Apartheid na África do Sul, o Programa Gulbenkian Próximo
Futuro faz um ponto da situação e dedica o essencial da sua programação de
verão às ideias e à criação artística contemporânea dos países do sul de
África. Pensamento e literatura, arte pública, exposições de fotografia,
música, cinema, teatro e dança, a partir de 21 de junho, na Fundação
Gulbenkian, mas também no São Luiz Teatro Municipal e no Teatro do Bairro,
parceiros nesta programação.
O
fim do Apartheid foi um acontecimento que teve repercussões por toda a África
e, muito em particular, na região da África Austral. Cerca de duas décadas
depois, qual é o panorama nestes países? Que melhorias houve? Que dinâmicas
existem? Que frustrações se acumulam? Que perspetivas há para o próximo futuro?
Instalações
no Jardim, debates e exposições de fotografia
A
programação arranca no dia 21 de junho, com a inauguração de várias instalações
espalhadas pelo jardim. É também no jardim que às 19h tem lugar a primeira
sessão da Festa da Literatura e do Pensamento do Sul de África, que decorre ao
longo deste fim-de-semana (21 a 23 junho) e onde serão debatidos vários temas
dos quais o primeiro é “O Estado das Artes”. No dia 21 de junho, pelas 22h,
haverá ainda a inauguração de duas exposições no Edifício Sede da Fundação
Gulbenkian: a 9ª Edição dos Encontros de Fotografia de Bamako e Present
Tense – Fotografia do sul da África. As exposições ficarão patentes até
dia 1 de setembro.
Ciclo
de cinema e concertos no Anfiteatro ao ar livre
Na
abertura da ‘Cinemateca Próximo Futuro’ será apresentado em estreia mundial
“Cadjigue”, a mais recente obra de ficção do realizador guineense Sana Na
N’Hada, e na sessão seguinte Filipa César (Portugal) apresenta a sua trilogia
evocativa de Amílcar Cabral e do cinema guineense, um trabalho composto por
três ensaios cinematográficos de curta duração: “Conakry”, “Cacheu” e “Cuba”.
Na mesma sessão, é apresentado em estreia no nosso país o documentário “Sem
Flash. Homenagem a Ricardo Rangel (1924-2009)”. Nas sessões seguintes será
projetado um conjunto de filmes de ficção, de não ficção e filmes
experimentais, que abordam questões como sexualidade, identidade, tradição,
transformação e cultura dos jovens.
Dois
concertos completam a programação do Próximo Futuro no Anfiteatro ao ar livre:
os Jagwa Music, um coletivo da Tanzânia que desde o ano passado tem vindo a
eletrizar o público dos grandes festivais de verão europeus, e Konkoma, um
projeto com músicos do Gana e do Reino Unido que mistura afro-funk, jazz, soul
e ritmos tradicionais africanos.
Espetáculos
de dança e teatro no São Luiz e no Teatro do Bairro
No
São Luiz Teatro Municipal mostram-se trabalhos dos coreógrafos moçambicanos
Panaíbra Gabriel Canda e Horácio Macuácua, mas também teatro do Brasil, com a
adaptação ao palco do livro de Clarice Lispector “Outra Hora da Estrela”. A 7
de julho, estreia ainda no São Luiz “África Fantasma II”, do encenador
português João Samões, com Joana Bárcia e Miguel Borges como intérpretes. O
teatro chileno, que habitualmente marca presença no Próximo Futuro, estará
representado pelo encenador Cristián Plana, que apresenta a peça Velório
Chileno no Teatro do Bairro.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
O Banksy desaparecido em Fevereiro foi vendido por um milhão.
Provavelmente
o artista de rua mais conhecido do mundo, o britânico Banksy está a assistir à
valorização crescente da sua obra – mas não é ele que está a lucrar com ela. O
agora famoso mural do writer de grafitti que desapareceu de
Wood Green, no norte de Londres, em meados de Fevereiro, já terá sido vendido
em leilão por um milhão de euros. Os seus proprietários serão os donos do
prédio em cuja parede foi pintado o stencil de uma criança que
costura bandeiras do Reino Unido.
Slave
Labour (Bunting Boy) foi à praça no domingo através da empresa de serviços
Sincura Group, tendo esta sido a segunda investida do seu proprietário no
mercado. Poucas semanas depois de ter desaparecido
de Wood Green, o stencil que já foi interpretado como uma crítica
ao Jubileu da rainha Isabel II ou como um comentário sobre o trabalho infantil,
surgiu para venda em Miami. Mas, na altura, a população de Wood Green estava
mobilizada contra o desaparecimento de Slave Labour da parede
exterior de uma das suas lojas e os protestos chegaram a Miami.
A
comunidade, que encarou a subtracção deste Banksy como um roubo de um presente
que o street artist teria dado ao bairro, protestou mesmo nas ruas
contra a perda da obra e o concelho de Haringey, onde fica Wood Green, apoiou
essa campanha, levando-a aos palcos internacionais, visando a devolução da
obra. Sem apresentar explicações e, segundo a BBC, já quando o leilão de Slave
Labour tinha começado, a Fine Art Auctions Miami cancelou a venda em
Fevereiro – as suas expectativas do valor da venda chegavam aos 517 mil euros
Em
Maio, novo desenvolvimento: o Sincura
Group, que se apresenta como “porta de entrada para uma vida VIP” que
“começou como uma organização secreta” que “conseguia acesso ao inacessível”,
anunciava que iria vender a peça, bem como outros trabalhos de artistas
como Damien Hirst, Andy Warhol ou o fotógrafo Mario Testino. O evento,
que juntaria exposição e leilão, estava agendado para dia 2, sendo Slave
Labour uma das suas peças centrais. Num comunicado datado de 11 de Maio, o
Sincura Group afirmava ter investigado a proveniência do mural, que diz ter
sido “legalmente resgatado”, frisando que “os actuais proprietários e o seu
representante estão a agir de boa fé”.
Esses
proprietários, confirmou à Bloomberg Robin
Barton, marchand de arte especializado em Banksy e que representa os
vendedores do mural, são Robert Alan Davis e Leslie Steven Gilbert, os donos da
imobiliária Wood Green Investments, que detém o edifício onde o artista pintou
a obra e que - sendo
uma questão legal em aberto - considera ser a legal detentora da
obra.
A
obra “sofreu um extenso restauro” desde “a sua remoção”, lê-se na mesma
nota de Maio do Sincura, assinada pelo seu director, Tony Baxter.
Nela, o grupo dizia ainda que esta seria “mostrada pela primeira e única vez no
Reino Unido antes de ser devolvida aos Estados Unidos onde fará parte de uma
importante colecção privada de obras de Banksy”. A 30 de Maio, segundo disse à
Bloomberg Robin Barton, já existia uma oferta de cerca de 765 mil euros por
parte de um colecionador privado norte-americano. Mas a peça iria ainda assim a
leilão com o Sincura Group, na expectativa de atingir valores mais elevados.
Barton
detalhou, sobre o evento à porta fechada, que no final da noite de domingo o
grupo recebera três licitações acima das 881 mil euros, e que iria reunir-se
com os proprietários para avaliar as ofertas em cima da mesa.
Banksy
não confirmou nunca a autoria da peça, embora os peritos na sua obra estejam
seguros da sua proveniência, e citou apenas, em resposta a uma pergunta sobre a venda de arte
de rua em leilões no seu site, o impressionista Matisse:
"Senti-me muito envergonhado quando as minhas telas começaram a alcançar
preços elevados, vi-me condenado a um futuro de pintar nada mais que
obras-primas." (Jornal Público)
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