segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Chapéu de coco e bengala de Charlot leiloados.



Os icónicos chapéu de coco e bengala de Charlie Chaplin foram leiloados ao final da tarde deste domingo em Los Angeles, madrugada desta segunda-feira em Lisboa, por 62.500 dólares (49 mil euros).
O chapéu e a bengala, imagem de marca de Charlot, estão em "excelentes condições" e estimava-se que atingissem um valor de licitação entre 40 mil e 60 mil dólares (entre 31 mil e 47 mil euros) no leilão que se realizou na leiloeira Bonhams.
Conta a lenda que Chaplin criou aquela personagem e a respectiva indumentária espontaneamente, numa tarde de chuva de Fevereiro, depois de experimentar várias peças de roupa que foi buscar ao camarim masculino de um estúdio cinematográfico de Hollywood.
O seu ‘look’ vagabundo incluía calças demasiado grandes de Fatty Arbuckle, sapatos de tamanho 47 que ele tinha de calçar no pé errado para impedir que lhe caíssem dos pés, o chapéu que pertencia ao sogro de Arbuckle e um bigode destinado a outro actor.
A bengala de bambu de 81 centímetros tem a inscrição ‘CCLT 36’ a tinta preta, uma referência a Charlot, a inconfundível personagem de Chaplin.
Outros itens em leilão incluíam uma carta manuscrita de Lennon com um desenho dele e de Yoko Ono nus, enviada a uma editora de revistas de vanguarda, a propósito da polémica capa do álbum "Two Virgins", de 1968, e que foi vendida por 25 mil dólares (19.600 euros).
Também leiloados foram uma colecção de fotografias de Marilyn Monroe (por 21.250 dólares - 16.670 euros) e três quadros a óleo originais e assinados da autoria de Frank Sinatra, que foram arrematados por 10.625 dólares (8335 euros).


Nota: enviado por mail por um amigo.

sábado, 17 de novembro de 2012

Dia do Bairro Alto.



A Comissão que programa o Dia do Bairro Alto, que não é um dia mas uma semana (de 9 a 16 de dezembro), convidou-nos, ao blog USKP, a fazer um Encontro para o último dia (domingo, 16 de dezembro, com início às 15 horas no largo Luís de Camões). 
 Este Encontro, além de desenharmos e partilharmos experiências como habitualmente, terá outro desafio: recolher imagens/desenhos para a comemoração dos 500 anos que ocorrerá no ano 2013 (eventualmente exposições e/ou publicações). 
 Assim, propomos que os desenhos sobre o Bairro Alto, feitos no dia do Encontro ou noutro dia qualquer, sejam enviados para o email diariosgraficos@gmail.com até ao último dia do ano 2012. Estas imagens devem ter a resolução de 300 dpis e em jpeg e serão acompanhadas, além da identificação do autor, pelo local (nome da rua e número) onde os desenhos foram realizados.

retirado de: http://diario-grafico.blogspot.pt/2012/11/dia-do-bairro-alto.html

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Paisagem da alma.



Para Hélder Macedo, "Portugal, de certa maneira, é uma ilha que tem o mar de um lado e a hostilidade da terra contra ele".

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Dentro do Segredo".



Desde o interior da ditadura, desde um país coberto por absoluto isolamento, "Dentro do Segredo".
Em Abril de 2012, José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nas exuberantes comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, em Pyongyang, na Coreia do Norte.
Também nessa ocasião, participou na viagem mais extensa que o governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes estrangeiros há mais de sessenta anos.
A surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens leva-nos através de um olhar inédito e fascinante ao quotidiano da Coreia do Norte.
O novo livro de José Luís Peixoto, "Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte", editado pela Quetzal Editores, chega às livrarias a 16 de Novembro de 2012.
Lançamento: dia 15 de Novembro de 2012 – pelas 18,39h na Travessa da Queimada, 33, 1700-364 Lisboa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Consul de Bordéus - Estreia dia 8 de Novembro.



Os homens são do tamanho dos valores que defendem. Aristides de Sousa Mendes foi, talvez por isso, um dos poucos heróis nacionais do século XX e o maior símbolo português saído da II Guerra Mundial. Em 1940, quando era cônsul em Bordéus, protagonizou a "desobediência justa". Não acatou a proibição de Salazar de se passarem vistos a refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo a judeus. Foi demitido compulsivamente. A sua vida estilhaçou-se por completo. "É o herói vulgar. Não estava preso a causas. Estava preso a uma questão fundamental: a sua consciência", afirma o jornalista Ferreira Fernandes.
Aristides de Sousa Mendes foi o "Schindler português" muito antes de o alemão começar a sua actividade humanitária em prol dos judeus. Atendendo à verdade histórica, Oskar Schindler é que foi o Aristides alemão.
De uma coisa ninguém tem dúvidas: Aristides de Sousa Mendes é um dos maiores símbolos nacionais da II Guerra Mundial. Foi o homem como metáfora do humanismo. Em 1940, Aristides era cônsul de Portugal em Bordéus e, indo contra uma directiva expressa de Salazar para não se concederem vistos a refugiados que quisessem atravessar a França para chegar a Portugal, desobedeceu e passou 30 mil vistos. "Na vida de cada pessoa há uma ou outra oportunidade para se revelar, para mostrar aquilo em que acredita e levar isso até às últimas consequências", diz D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa. "Ele revelou um sentido de rasgo, um sentido de risco."
No século XX português não há outra figura que tenha mudado tanto - objectiva e materialmente - a vida de milhares pessoas. "Ele representa a desobediência justa", refere António Costa Pinto, historiador e professor do Instituto de Ciências Sociais. "É o exemplo de solidariedade. A sua figura é muito associada ao humanismo do século XX."
No momento crucial da vida na Europa e no mundo, Aristides de Sousa Mendes foi capaz de distinguir o essencial do acessório. "Percebeu que não poderia ficar indiferente à sorte de milhares de pessoas que foram aparecendo no Consulado de Portugal em Bordéus", diz José de Sousa Mendes, sobrinho de Aristides.

Nascido numa abastada família de antigos fidalgos de província, de Cabanas de Viriato, perto de Viseu, Aristides e o irmão gémeo cursam Direito em Coimbra e seguem a carreira diplomática. Perseguido pelo regime sidonista e a I República em geral, após o golpe de 28 de Maio de 1926 é colocado em Vigo, num posto prestigiante e de confiança. A seguir é transferido para Antuérpia, outro posto de confiança, onde ficará nove anos. Com 50 anos é o decano do corpo diplomático.

Em 1938, após Salazar recusar o seu pedido para permanecer na Bélgica, é colocado em Bordéus. Em 1939, com o rebentar da II Guerra Mundial e, em 1940, devido à invasão da França pelas tropas alemãs, milhares de refugiados fogem para sul. Os jardins do Consulado e as ruas vizinhas servem de local de acampamento a milhares de pessoas, das mais variadas nacionalidades, sobretudo judeus, que fogem da perseguição nazi, mas também gente que foge somente da guerra.

Com a proibição de Salazar - que além de presidente do Conselho de Ministros era ministro dos Negócios Estrangeiros - de se passarem vistos a refugiados, sobretudo a "israelitas", Aristides de Sousa Mendes segue a sua formação humanista e católica e desobedece. Passa (com dois dos seus filhos mais velhos) milhares e milhares de vistos àqueles fugitivos, entre os dias 17 e 19 de Junho de 1940. Terão sido passados cerca de 30 mil, nesses escassos dias. "Concede vistos sem olhar a nacionalidades, etnias ou religiões. Graças a ele, Portugal ficou na história como um país que apoiou os refugiados durante a II Guerra Mundial", lembra a historiadora Irene Pimentel. "Aristides marca de forma indelével a história de Portugal porque permitiu reconciliar-nos com a nossa dignidade. Mais do que qualquer outra pessoa da sua época, dignificou o que era ser-se humano e ser-se português", diz Fernando Nobre, presidente da Fundação AMI.
O mais atraente na história de Aristides de Sousa Mendes é ele ser uma espécie de herói vulgar, que está preso "apenas" à sua consciência. Quando se deu a ocupação do Consulado, fechou-se num quarto para reflectir o que deveria fazer. Numa alucinante inquietação, ficou apenas ele e o seu dilema: respeitaria as ordens superiores - o que, aliás, havia feito toda a vida - ou responderia à sua consciência? "Aristides de Sousa Mendes era um homem vulgar, um funcionário ordeiro, com mais de 50 anos e 12 filhos, que nunca se tinha oposto ao regime ditatorial existente em Portugal", conta o jornalista Ferreira Fernandes. "Mas naquela hora respondeu à sua consciência. E isso foi extraordinário."
Continuando a desobedecer às ordens superiores, provou que não tinha vocação de capacho. Pela inacção dos colegas de Bayonne e de Hendaye, desloca-se a estas cidades nos dias seguintes e ele próprio emite mais alguns milhares de vistos. "Segue a sua consciência humanista universal", refere Medeiros Ferreira, historiador e professor universitário. "Opta nitidamente pela desobediência civil. Opta por salvar aquelas milhares de pessoas que estavam nas escadarias do Consulado à espera de um visto salvador."
As perspectivas dos seus actos não se limitavam a ser sombrias. Excediam em perigo mais do que a imaginação humana pudesse conceber. "Fez tudo o que estava ao seu alcance, mesmo que isso lhe custasse a carreira, a vida e o bem-estar da sua família", conta José de Sousa Mendes. No dia 24 de Junho recebe um telegrama de Salazar ordenando-lhe o regresso imediato a Lisboa. "Enfrentou a ira de Salazar, que não podia permitir que um diplomata desobedecesse às suas ordens", relata Irene Pimentel. Após 32 anos de serviço, Aristides de Sousa Mendes (com uma família de 12 filhos) é demitido compulsivamente sem direito a qualquer reforma ou indemnização. Além disto, é interditado de exercer advocacia e os filhos de frequentarem a universidade. O irmão também é demitido do serviço diplomático. A sua vida estilhaça-se por completo: desmorona-se em prol de um ideal. "Mas quem atinge assim o pico, atinge a glória", afirma D. Manuel Clemente.

Há uma grande presença de Deus na sua vida. O cônsul coloca o seu catolicismo acima de tudo. "Viveu a vida como responsabilidade, a vida como encargo, a vida como compaixão. Actuou de maneira exemplar na história portuguesa e da Humanidade", resume D. Manuel Clemente. Foi um homem conservador, que se adaptara ao regime do Estado Novo, e que levou o seu cristianismo até às últimas consequências.

Alberga no seu palácio de Cabanas de Viriato muitas famílias de refugiados, hipotecando para o efeito todo o recheio. Já na miséria, é auxiliado pela Comunidade Israelita de Lisboa a partir de 1941, sendo muitos dos seus filhos chamados por aqueles que haviam sido salvos, sobretudo a partir dos Estados Unidos e do Canadá. "Aquilo que mais admiro foi a capacidade de ter aguentado a vida nos quase 14 anos que se seguiram àquele acontecimento", sublinha José de Sousa Mendes. "O seu mundo desabou totalmente."
Em 1945, terminada a Guerra, tendo feito uma exposição para tentativa de reapreciação do seu processo, não recebe resposta. A situação de miséria agrava-se. Em 3 de Abril de 1954 morre, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, desonrado e sozinho (os filhos já tinham todos emigrado para a América), acompanhado apenas por uma sobrinha.
Ainda hoje a figura de Aristides de Sousa Mendes é controversa. "A nível da diplomacia, há quem diga que o dever de obediência deveria estar acima da sua atitude humanitária", conta Irene Pimentel. "Eu acho que não. É precisamente nestas alturas que se vê a postura dos seres humanos." Pormenor importante: por incrível que pareça, Aristides de Sousa Mendes só foi reabilitado nos anos 80 do século XX - e muito por pressão exterior. Foi primeiro elogiado nos Estados Unidos e em Israel. É considerado o justo entre os justos.
"Em 1987, reencontrei um dos filhos dele que emigrou para o Canadá, numa homenagem a Aristides, na Alameda dos Justos, em Jerusalém, onde há uma árvore dedicada a cada um dos justos que ajudou os judeus durante a guerra. Fomos convidados para regar essa árvore", conta, emocionado, José de Sousa Mendes. "Aristides não tem um monumento em Portugal. Mais do que um monumento, deveria haver simplesmente uma lei que dissesse: 'A nuvem - aquela coisa efémera -, a nuvem mais bonita em Portugal, todos os dias, deveria chamar-se Aristides de Sousa Mendes'", remata Ferreira Fernandes.
Retirado de: http://tv0.rtp.pt/gdesport/?article=822&visual=3&topic=1
 

domingo, 4 de novembro de 2012

As Vinhas da Ira.



Steinbeck nasceu em 27 de fevereiro de 1902 em Salinas, Califórnia. Apesar de ter estudado diversos anos na Universidade de Stanford, saiu sem graduação e passou a trabalhar como operário para sustentar-se enquanto escrevia. Seu primeiro romance foi publicado em 1929, mas foi somente a partir da publicação de Tortilla Flat, em 1935, que o autor alcançou o reconhecimento da crítica e do público. Seu sucesso literário continuou com In dubious battle (1936) e com Of mice and men (1937). As vinhas da ira  (1939) conferiram a Steinbeck o Prémio Pulitzer. Nessas obras, os temas proletários se acham expressos pelo retrato dos trabalhadores desarticulados e despossuídos que habitavam sua região. Os romances Of mice and men e As vinhas da ira foram mais tarde transportados para o cinema.
Em 1943 Steinbeck viaja para a África do Norte como correspondente de guerra. Alguns de seus últimos trabalhos incluem Cannery Row (1945), The pearl (1947), East of Eden (1952), The winter of our discontent(1961) e Travels with Charley (1962). Produziu também diversos “scripts” para o cinema, incluindo a adaptação de dois entre seus trabalhos mais curtos: The pearl e The red poney. Steinbeck morreu em Nova Iorque em 20 de dezembro de 1968. Em praticamente toda sua obra, o autor revelou um interesse profundo na motivação que determina a conduta humana, ao criar um mundo por vezes irreal que poderia equilibrar, amenizar o mundo mau e cruel que era o mundo real, um mundo que ele próprio vivenciou. Para isso ele recorreu frequentemente a um simbolismo amplo que lhe angariou inclusive alguns fracassos, entre alguns grandes sucessos literários.
Condecorado com o Prémio Nobel de Literatura em 1962, John Steinbeck é mais lembrado por seu romance As vinhas da ira que narra a história de uma família de trabalhadores rurais migrando do estado de Oklahoma para a Califórnia, e que descreve a desesperança gerada pela Grande Depressão americana.


A minha próxima (re)leitura.