Os
icónicos chapéu de coco e bengala de Charlie Chaplin foram leiloados ao final
da tarde deste domingo em Los Angeles, madrugada desta segunda-feira em Lisboa,
por 62.500 dólares (49 mil euros).
O
chapéu e a bengala, imagem de marca de Charlot, estão em "excelentes
condições" e estimava-se que atingissem um valor de licitação entre 40 mil
e 60 mil dólares (entre 31 mil e 47 mil euros) no leilão que se realizou na
leiloeira Bonhams.
Conta
a lenda que Chaplin criou aquela personagem e a respectiva indumentária
espontaneamente, numa tarde de chuva de Fevereiro, depois de experimentar
várias peças de roupa que foi buscar ao camarim masculino de um estúdio
cinematográfico de Hollywood.
O
seu ‘look’ vagabundo incluía calças demasiado grandes de Fatty Arbuckle,
sapatos de tamanho 47 que ele tinha de calçar no pé errado para impedir que lhe
caíssem dos pés, o chapéu que pertencia ao sogro de Arbuckle e um bigode
destinado a outro actor.
A
bengala de bambu de 81 centímetros tem a inscrição ‘CCLT 36’ a tinta preta, uma
referência a Charlot, a inconfundível personagem de Chaplin.
Outros
itens em leilão incluíam uma carta manuscrita de Lennon com um desenho dele e
de Yoko Ono nus, enviada a uma editora de revistas de vanguarda, a propósito da
polémica capa do álbum "Two Virgins", de 1968, e que foi vendida por
25 mil dólares (19.600 euros).
Também
leiloados foram uma colecção de fotografias de Marilyn Monroe (por 21.250
dólares - 16.670 euros) e três quadros a óleo originais e assinados da autoria
de Frank Sinatra, que foram arrematados por 10.625 dólares (8335 euros).
A
Comissão que programa o Dia do Bairro Alto, que não é um dia mas uma semana (de
9 a 16 de dezembro), convidou-nos, ao blog USKP, a fazer um Encontro para o
último dia (domingo, 16 de dezembro, com início às 15 horas no largo Luís de
Camões).
Este
Encontro, além de desenharmos e partilharmos experiências como habitualmente,
terá outro desafio: recolher imagens/desenhos para a comemoração dos 500 anos
que ocorrerá no ano 2013 (eventualmente exposições e/ou publicações).
Assim,
propomos que os desenhos sobre o Bairro Alto, feitos no dia do Encontro ou
noutro dia qualquer, sejam enviados para o email diariosgraficos@gmail.com até ao último dia do ano 2012. Estas
imagens devem ter a resolução de 300 dpis e em jpeg e serão acompanhadas, além
da identificação do autor, pelo local (nome da rua e número) onde os desenhos
foram realizados.
retirado de: http://diario-grafico.blogspot.pt/2012/11/dia-do-bairro-alto.html
Desde
o interior da ditadura, desde um país coberto por absoluto isolamento,
"Dentro do Segredo".
Em
Abril de 2012, José Luís Peixoto foi um espectador privilegiado nas exuberantes
comemorações do centenário do nascimento de Kim Il-sung, em Pyongyang, na
Coreia do Norte.
Também
nessa ocasião, participou na viagem mais extensa que o governo norte-coreano
autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do
país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes
estrangeiros há mais de sessenta anos.
A
surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens leva-nos
através de um olhar inédito e fascinante ao quotidiano da Coreia do Norte.
O
novo livro de José Luís Peixoto, "Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia
do Norte", editado pela Quetzal Editores, chega às livrarias a 16 de
Novembro de 2012.
Lançamento:
dia 15 de Novembro de 2012 – pelas 18,39h na Travessa da
Queimada, 33, 1700-364 Lisboa.
Os
homens são do tamanho dos valores que defendem. Aristides de Sousa Mendes foi,
talvez por isso, um dos poucos heróis nacionais do século XX e o maior símbolo
português saído da II Guerra Mundial. Em 1940, quando era cônsul em Bordéus,
protagonizou a "desobediência justa". Não acatou a proibição de
Salazar de se passarem vistos a refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo
a judeus. Foi demitido compulsivamente. A sua vida estilhaçou-se por completo.
"É o herói vulgar. Não estava preso a causas. Estava preso a uma questão
fundamental: a sua consciência", afirma o jornalista Ferreira Fernandes.
Aristides
de Sousa Mendes foi o "Schindler português" muito antes de o alemão
começar a sua actividade humanitária em prol dos judeus. Atendendo à verdade
histórica, Oskar Schindler é que foi o Aristides alemão.
De
uma coisa ninguém tem dúvidas: Aristides de Sousa Mendes é um dos maiores
símbolos nacionais da II Guerra Mundial. Foi o homem como metáfora do
humanismo. Em 1940, Aristides era cônsul de Portugal em Bordéus e, indo contra
uma directiva expressa de Salazar para não se concederem vistos a refugiados
que quisessem atravessar a França para chegar a Portugal, desobedeceu e passou
30 mil vistos. "Na vida de cada pessoa há uma ou outra oportunidade para
se revelar, para mostrar aquilo em que acredita e levar isso até às últimas
consequências", diz D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa.
"Ele revelou um sentido de rasgo, um sentido de risco."
No
século XX português não há outra figura que tenha mudado tanto - objectiva e
materialmente - a vida de milhares pessoas. "Ele representa a
desobediência justa", refere António Costa Pinto, historiador e professor
do Instituto de Ciências Sociais. "É o exemplo de solidariedade. A sua
figura é muito associada ao humanismo do século XX."
No
momento crucial da vida na Europa e no mundo, Aristides de Sousa Mendes foi
capaz de distinguir o essencial do acessório. "Percebeu que não poderia
ficar indiferente à sorte de milhares de pessoas que foram aparecendo no
Consulado de Portugal em Bordéus", diz José de Sousa Mendes, sobrinho de
Aristides.
Nascido numa abastada família de antigos fidalgos de província, de Cabanas de
Viriato, perto de Viseu, Aristides e o irmão gémeo cursam Direito em Coimbra e
seguem a carreira diplomática. Perseguido pelo regime sidonista e a I República
em geral, após o golpe de 28 de Maio de 1926 é colocado em Vigo, num posto
prestigiante e de confiança. A seguir é transferido para Antuérpia, outro posto
de confiança, onde ficará nove anos. Com 50 anos é o decano do corpo
diplomático.
Em 1938, após Salazar recusar o seu pedido para permanecer na Bélgica, é colocado
em Bordéus. Em 1939, com o rebentar da II Guerra Mundial e, em 1940, devido à
invasão da França pelas tropas alemãs, milhares de refugiados fogem para sul.
Os jardins do Consulado e as ruas vizinhas servem de local de acampamento a
milhares de pessoas, das mais variadas nacionalidades, sobretudo judeus, que
fogem da perseguição nazi, mas também gente que foge somente da guerra.
Com a proibição de Salazar - que além de presidente do Conselho de Ministros
era ministro dos Negócios Estrangeiros - de se passarem vistos a refugiados,
sobretudo a "israelitas", Aristides de Sousa Mendes segue a sua
formação humanista e católica e desobedece. Passa (com dois dos seus filhos
mais velhos) milhares e milhares de vistos àqueles fugitivos, entre os dias 17
e 19 de Junho de 1940. Terão sido passados cerca de 30 mil, nesses escassos
dias. "Concede vistos sem olhar a nacionalidades, etnias ou religiões.
Graças a ele, Portugal ficou na história como um país que apoiou os refugiados
durante a II Guerra Mundial", lembra a historiadora Irene Pimentel.
"Aristides marca de forma indelével a história de Portugal porque permitiu
reconciliar-nos com a nossa dignidade. Mais do que qualquer outra pessoa da sua
época, dignificou o que era ser-se humano e ser-se português", diz Fernando
Nobre, presidente da Fundação AMI.
O
mais atraente na história de Aristides de Sousa Mendes é ele ser uma espécie de
herói vulgar, que está preso "apenas" à sua consciência. Quando se
deu a ocupação do Consulado, fechou-se num quarto para reflectir o que deveria
fazer. Numa alucinante inquietação, ficou apenas ele e o seu dilema:
respeitaria as ordens superiores - o que, aliás, havia feito toda a vida - ou
responderia à sua consciência? "Aristides de Sousa Mendes era um homem
vulgar, um funcionário ordeiro, com mais de 50 anos e 12 filhos, que nunca se
tinha oposto ao regime ditatorial existente em Portugal", conta o
jornalista Ferreira Fernandes. "Mas naquela hora respondeu à sua
consciência. E isso foi extraordinário."
Continuando
a desobedecer às ordens superiores, provou que não tinha vocação de capacho.
Pela inacção dos colegas de Bayonne e de Hendaye, desloca-se a estas cidades
nos dias seguintes e ele próprio emite mais alguns milhares de vistos.
"Segue a sua consciência humanista universal", refere Medeiros
Ferreira, historiador e professor universitário. "Opta nitidamente pela
desobediência civil. Opta por salvar aquelas milhares de pessoas que estavam
nas escadarias do Consulado à espera de um visto salvador."
As
perspectivas dos seus actos não se limitavam a ser sombrias. Excediam em perigo
mais do que a imaginação humana pudesse conceber. "Fez tudo o que estava
ao seu alcance, mesmo que isso lhe custasse a carreira, a vida e o bem-estar da
sua família", conta José de Sousa Mendes. No dia 24 de Junho recebe um
telegrama de Salazar ordenando-lhe o regresso imediato a Lisboa.
"Enfrentou a ira de Salazar, que não podia permitir que um diplomata
desobedecesse às suas ordens", relata Irene Pimentel. Após 32 anos de
serviço, Aristides de Sousa Mendes (com uma família de 12 filhos) é demitido
compulsivamente sem direito a qualquer reforma ou indemnização. Além disto, é
interditado de exercer advocacia e os filhos de frequentarem a universidade. O
irmão também é demitido do serviço diplomático. A sua vida estilhaça-se por
completo: desmorona-se em prol de um ideal. "Mas quem atinge assim o pico,
atinge a glória", afirma D. Manuel Clemente.
Há uma grande presença de Deus na sua vida. O cônsul coloca o seu catolicismo
acima de tudo. "Viveu a vida como responsabilidade, a vida como encargo, a
vida como compaixão. Actuou de maneira exemplar na história portuguesa e da
Humanidade", resume D. Manuel Clemente. Foi um homem conservador, que se
adaptara ao regime do Estado Novo, e que levou o seu cristianismo até às
últimas consequências.
Alberga no seu palácio de Cabanas de Viriato muitas famílias de refugiados,
hipotecando para o efeito todo o recheio. Já na miséria, é auxiliado pela
Comunidade Israelita de Lisboa a partir de 1941, sendo muitos dos seus filhos
chamados por aqueles que haviam sido salvos, sobretudo a partir dos Estados
Unidos e do Canadá. "Aquilo que mais admiro foi a capacidade de ter
aguentado a vida nos quase 14 anos que se seguiram àquele acontecimento",
sublinha José de Sousa Mendes. "O seu mundo desabou totalmente."
Em
1945, terminada a Guerra, tendo feito uma exposição para tentativa de
reapreciação do seu processo, não recebe resposta. A situação de miséria
agrava-se. Em 3 de Abril de 1954 morre, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa,
desonrado e sozinho (os filhos já tinham todos emigrado para a América),
acompanhado apenas por uma sobrinha.
Ainda
hoje a figura de Aristides de Sousa Mendes é controversa. "A nível da
diplomacia, há quem diga que o dever de obediência deveria estar acima da sua
atitude humanitária", conta Irene Pimentel. "Eu acho que não. É
precisamente nestas alturas que se vê a postura dos seres humanos."
Pormenor importante: por incrível que pareça, Aristides de Sousa Mendes só foi
reabilitado nos anos 80 do século XX - e muito por pressão exterior. Foi
primeiro elogiado nos Estados Unidos e em Israel. É considerado o justo entre
os justos.
"Em
1987, reencontrei um dos filhos dele que emigrou para o Canadá, numa homenagem
a Aristides, na Alameda dos Justos, em Jerusalém, onde há uma árvore dedicada a
cada um dos justos que ajudou os judeus durante a guerra. Fomos convidados para
regar essa árvore", conta, emocionado, José de Sousa Mendes.
"Aristides não tem um monumento em Portugal. Mais do que um monumento, deveria
haver simplesmente uma lei que dissesse: 'A nuvem - aquela coisa efémera -, a
nuvem mais bonita em Portugal, todos os dias, deveria chamar-se Aristides de
Sousa Mendes'", remata Ferreira Fernandes.
Retirado
de: http://tv0.rtp.pt/gdesport/?article=822&visual=3&topic=1
Steinbeck
nasceu em 27 de fevereiro de 1902 em Salinas, Califórnia. Apesar de ter
estudado diversos anos na Universidade de Stanford, saiu sem graduação e passou
a trabalhar como operário para sustentar-se enquanto escrevia. Seu primeiro
romance foi publicado em 1929, mas foi somente a partir da publicação de Tortilla
Flat, em 1935, que o autor alcançou o reconhecimento da crítica e do público.
Seu sucesso literário continuou com In dubious battle (1936) e com Of
mice and men (1937). As vinhas da ira (1939) conferiram a
Steinbeck o Prémio Pulitzer. Nessas obras, os temas proletários se acham
expressos pelo retrato dos trabalhadores desarticulados e despossuídos que
habitavam sua região. Os romances Of mice and men e As vinhas da
ira foram mais tarde transportados para o cinema.
Em
1943 Steinbeck viaja para a África do Norte como correspondente de guerra. Alguns
de seus últimos trabalhos incluem Cannery Row (1945), The pearl (1947), East
of Eden (1952), The winter of our discontent(1961) e Travels
with Charley (1962). Produziu também diversos “scripts” para o cinema,
incluindo a adaptação de dois entre seus trabalhos mais curtos: The pearl e The
red poney. Steinbeck morreu em Nova Iorque em 20 de dezembro de 1968. Em
praticamente toda sua obra, o autor revelou um interesse profundo na motivação
que determina a conduta humana, ao criar um mundo por vezes irreal que poderia
equilibrar, amenizar o mundo mau e cruel que era o mundo real, um mundo que ele
próprio vivenciou. Para isso ele recorreu frequentemente a um simbolismo amplo
que lhe angariou inclusive alguns fracassos, entre alguns grandes sucessos
literários.
Condecorado
com o Prémio Nobel de Literatura em 1962, John Steinbeck é mais lembrado por
seu romance As vinhas da ira que narra a história de uma família de
trabalhadores rurais migrando do estado de Oklahoma para a Califórnia, e que
descreve a desesperança gerada pela Grande Depressão americana.