terça-feira, 1 de abril de 2014

Conta lá a história das bibliotecas itinerantes.


Às vezes, dou por mim a falar nisso perante uma plateia que me olha como se estivesse a dar notícias de um mundo meio real, meio imaginário. Não preciso de pensar muito no que estou a dizer porque, por preguiça, utilizo quase sempre as mesmas palavras, basta-me seguir o desejo de exotismo que encontro nos olhos que me fixam. Então, parece-me, sou um pouco como aqueles escritores africanos ou sul-americanos a quem se exige episódios coloridos, personagens singulares, anedotas, contos com moral.
Ainda assim, cada vez mais raramente, acontece estar alguém na sala que também conheceu essas bibliotecas, que também lá esteve. Então, de repente, as palavras voltam a ganhar significado, enchem-se. Ouço essa pessoa contar as suas memórias e, durante aquele instante, somos irmãos no olhar. As descrições têm préstimo, mas há uma presença muito mais funda, invisível, há a certeza de que, afinal, aquele tempo e aquele lugar existiram mesmo. Até eu já começava a duvidar.
As fitas adesivas coladas nas lombadas eram reais.
Uma vez por mês, ao fim da tarde, a carrinha Citroën chegava ao terreiro de Galveias, calhava-nos as quartas-feiras. Ficava estacionada em frente da cooperativa. Em Galveias, depois do 25 de Abril, o clube dos ricos passou a sede da cooperativa. Quando eu chegava, vindo dos lados do São João, já havia outros rapazes e raparigas à volta da carrinha.
Impressionava-me a quantidade de livros. Precisava de me esticar para chegar às prateleiras mais altas e, por isso, parecia-me que não tinham fim. O senhor Dinis conduzia a carrinha, recebia os papéis preenchidos com os códigos dos livros que requisitávamos, foi então que aprendi esse verbo, e era dentista. Eu conhecia-o da sala de espera, aquele cheiro antissético, onde aguardava a minha mãe e as minhas irmãs. Encontrei-o no ano passado na biblioteca de Abrantes, tirámos uma fotografia juntos. Aproveito para lhe enviar um abraço. Espero que esteja a ler estas palavras, com saúde.
Levávamos sempre a quantidade máxima de livros. E, sim, é verdade aquilo que costumo dizer: líamos muito depressa os que tínhamos e, depois, íamos trocando entre nós até ao regresso da biblioteca no mês seguinte.
Esse era também o tempo das sessões de cinema do Inatel no centro paroquial e na casa do povo. Foi dessa forma que, em Galveias, desci a ladeira, passei pela travessa da fonte e cheguei a casa com o rosto incendiado pelo Apocalipse Now. Foi também assim que assisti ao Baile, de Ettore Scola, sentado em cadeiras de tábua dura exatamente como aquelas em que assistia a bailes no salão da sociedade filarmónica. Poderia agora dar muitos outros exemplos.
Conheço as crianças de Galveias. Há dois anos, estive na escola onde também eu aprendi a ler e vejo-as na rua quando lá vou. No entanto, se quero identificá-las, tenho de perguntar-lhes quem são os seus pais. Nos sábados de manhã, ouve-se muito menos crianças a brincar do que no meu tempo. No ano passado, na minha terra, morreram mais de cinquenta pessoas e nasceram apenas duas.
As crianças de Galveias são iguais às de antes. Sinto pena que tenham menos do que eu tinha há quase trinta anos. Não se evoluiu. Na formação e na vida, a televisão não substitui a leitura e o cinema.
Ao falar de bibliotecas itinerantes aos meus filhos ou a essas crianças, sinto que sou como o meu pai quando me contava histórias da sua infância. Eu sabia que se tinham passado com ele mas, para mim, esse conhecimento era muito vago, pareciam lendas. No entanto, esse tempo era tão concreto como este. Um dia, este tempo, hoje de manhã, ontem, este preciso momento, será contado pelos meus filhos e por essas crianças com o mesmo tom com que agora falo de bibliotecas itinerantes. Naquele tempo, dirão. E aquele tempo será isto, tão concreto, tão prosaico, tão isento de magia. Estes objetos sem graça serão esse incrível futuro.
Eu, que estou aqui neste instante, também estava lá, a cheirar aqueles livros, a subir para a carrinha, a escutar a voz do doutor Dinis. Por isso, ainda que use as mesmas palavras até à exaustão, hei de continuar a repetir esta história. Sempre. É a minha história.
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sexta-feira, 28 de março de 2014

Oslo Abriu livraria que só vende "Livro do Desassossego" de Pessoa.


O escritor norueguês Christian Kjelstrup, que considera o "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, a melhor obra literária do mundo, decidiu abrir hoje no centro de Oslo a "Livraria do Desassossego", onde venderá exclusivamente aquele livro.
Em comunicado enviado à Lusa, a Casa Fernando Pessoa indica que Christian Kjelstrup, grande admirador não só da obra do heterónimo pessoano Bernardo Soares, como do resto da obra do escritor português, aproveitou a oportunidade única de arrendar apenas por uma semana um espaço comercial no centro da capital norueguesa para realizar aquele sonho antigo.
E, para dar um ambiente português à nova livraria, contará, ao longo de toda a semana, com a ajuda do emigrante português Joel Oliveira, que tocará, para os visitantes, a sua guitarra portuguesa.
No dia da inauguração, esta iniciativa do autor norueguês, que contou com o apoio da Embaixada de Portugal em Oslo, é já um êxito, refere a Casa Fernando Pessoa, tendo merecido uma reportagem no canal televisivo norueguês NRK, além de muitas referências e elogios nas redes sociais, que ainda não pararam de divulgar a 'pop-up store' (nome dado às lojas com tempo de vida limitado).
Na próxima segunda-feira, 31 de março, decorrerá a "Noite de Pessoa", a partir das 19:00 -- um evento que contará com a participação de algumas personalidades da cultura norueguesa.
A "Livraria do Desassossego" terá as portas abertas apenas até 02 de abril, de segunda a sexta-feira das 09:00 às 16:00 e ao sábado das 12:00 às 15:00.

Além do "Livro do Desassossego", estão traduzidas em norueguês outras obras de Pessoa, como "A Hora do Diabo", "A Educação do Estóico", "O Banqueiro Anarquista" e a Poesia do heterónimo Alberto Caeiro. (Notícias ao Minuto – 27.03.2014)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Apagar luz "Esta fotografia é o meu Che Guevara".


Ver video:
  http://www.publico.pt/multimedia/video/esta-foto-e-o-meu-che-guevara-20140324-195840


A 25 de Abril de 1974, o fotojornalista Alfredo Cunha captava uma das imagens icónicas de Salgueiro Maia. "Já está?", perguntou o capitão. "E continuou a revolução", conta o fotojornalista. Um retrato que pode agora ser visto em grande escala no Arco da Rua Augusta, em Lisboa, numa instalação que assinala os 40 anos da Revolução dos Cravos. O olhar tranquilo de Salgueiro Maia ficará voltado para um dos palcos principais da Revolução de Abril até ao dia 1 de Maio. (Jornal Público – 25.03.2014)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Disco gravado por "veteranos" do jazz celebra 66 anos.


O mais antigo clube de jazz português, o Hot Clube de Portugal (HCP), celebra hoje 66 anos, com o lançamento de um álbum interpretado por nomes históricos portugueses, cumprindo-se o desejo antigo de inaugurar uma editora própria.
"Just in Time" é apresentado hoje no HCP, em Lisboa, com um concerto protagonizado pelos músicos que o gravaram: Manuel Jorge Veloso (baterista), Bernardo Moreira (contrabaixista) - ambos fundadores do Quarteto do Hot nos anos 1960 - e António José Barros Veloso (pianista). Interpretam "standards" do jazz, acompanhados da cantora Paula Oliveira.
"É um disco muito especial porque conta com músicos do antigo Quarteto do Hot Clube e tem uma sonoridade que remete para os anos 1950. Queríamos um disco que marcasse", afirmou à agência Lusa Inês Homem Cunha, presidente da direção do clube.
Para assinalar os 66 anos, a direção do HCP concretiza assim uma ideia antiga de ter uma etiqueta discográfica - @HotClube - para registar atuações no espaço.
O Hot Clube de Portugal foi fundado por Luiz Villas-Boas a 19 de março de 1948 e, durante décadas, funcionou numa pequena cave na Praça da Alegria, que acabou destruída num incêndio, em 2009.

Atualmente, o clube de jazz funciona duas portas abaixo e continua a acolher diferentes gerações de músicos portugueses e estrangeiros, em concertos, "jam-sessions" e apresentações discográficas. (DN – 19.03.2014)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Portugal made in China.


Ping Pong Pau é o que o Teatro Experimental do Porto foi fazer à serra de Montemuro com os que lá estão. Depois de Gaia, onde fica até dia 27, a peça segue para Palmela, Braga e Évora, entre outras salas do país real.
Uma das primas teve essa ideia brilhante de transformar a serração que o avô deixou em herança na única loja de móveis do país em que o vendedor fala em verso (o que pode ser ridículo, “mas vai trazer montes de clientes quando passar no programa da manhã”). Um dos primos acha que isso é tudo “muito bonito”, mas não tão prioritário como pendurar uma coruja empalhada à porta “para manter os espíritos lá fora”. A outra prima concluiu, olhando para o manual de feng shui, que “a oficina está toda errada” e não irá descansar enquanto não mudar tudo de sítio. E o único primo que de facto sabe o que fazer com a carpintaria – o mesmo de sempre, móveis, ainda que não haja já quem os compre – está disposto a admitir que não tem unhas para competir com a Ikea (e que seria ainda mais suicida passar a fazer colheres de pau, desde que as lojas de chineses as vendem mais baratas do que a madeira).
Não é muito difícil perceber onde estamos em Ping Pong Pau, o espectáculo que o Teatro Experimental do Porto (TEP) e o Teatro do Montemuro apresentam até dia 27, de quarta a domingo, no Auditório Municipal de Gaia. É mesmo o país real, o país do ajustamento (ou seja, o país das carpintarias fechadas e da conversa fiada do empreendedorismo), e isso tanto vale para uma das maiores (e das mais endividadas) cidades do país, como esta onde a peça se estreou, como para o interior profundo, onde foi criada em cinco semanas de trabalho intensivo, a maioria das quais debaixo de vários centímetros de neve.
Tal como a serração que os quatro primos (Inês Pereira, Abel Duarte, Maria Teresa Barbosa e Eduardo Correia, por ordem de entrada em cena no parágrafo anterior) tentam recuperar, talvez Portugal não tenha salvação. “Não há solução para esta carpintaria, e por isso não há solução para este espectáculo. É normal eu não ter soluções para dar e limitar-me a apontar problemas. Mas neste caso é mais do que óbvio: não há futuro para uma serração numa aldeia do interior de Portugal”, diz Ricardo Alves, o autor da peça, que aqui adapta a acidez típica dos seus textos para a Palmilha Dentada, a companhia que tem sido a sua casa, “à gramática e à estética muito específicas” do Teatro do Montemuro. “Claro que, defeito meu”, acrescenta, “também quis pôr em Ping Pong Pau uma reflexão sobre as mudanças e as angústias do momento, sobre este drama de sermos terrivelmente periféricos e por isso obrigados a lidar com fenómenos de que só nos chegam ecos distantes”.
Alguns desses ecos vêm da Suécia, via Ikea (palavra que põe o único primo que sabe fazer móveis a uivar), outros vêm da China. São a maioria, neste espectáculo que esteve para se chamar Chinatown e em que tudo – título, texto, cenário, figurinos – concorre para criar uma banda sonora declaradamente achinesada, sublinha o encenador e director artístico do TEP, Gonçalo Amorim: “Queríamos fazer imaginar essa espécie de grande nuvem chinesa que paira por aí, por um lado como um papão assustador, por outro com uma aura de sabedoria que nos encanta também.”
No início, claro, não havia nada disso: apenas a “vaga ideia” de uma serração, que depois de trabalhada durante dois dias com o autor, em regime de laboratório, na serra de Montemuro, seguiu, como sempre nas criações da companhia de teatro local, “o seu caminho natural”, explica Eduardo Correia. É o processo habitual do Teatro do Montemuro, tal como é habitual o que acontece depois da estreia: um grande calendário de apresentações um pouco por todo o país real, que no caso passará por São Pedro do Sul (dia 28), Palmela (1 e 2 de Março), Vinhais (7 de Março), Campo Benfeito (10 a 21 de Março), Castro Daire (22 a 26 de Março), Braga (27 e 28 de Março) e Évora (2 e 3 de Maio).

À medida que vai assentando no palco, e fazendo o seu caminho pelo mesmo território periférico que de certa forma documenta, Ping Pong Pau também se transforma. Passando dessa “vaga ideia” de uma serração” a uma alegoria do próprio teatro, e desse gesto aparentemente condenado ao fracasso que é repetir a mesma coisa todas as noites (cada vez com mais cansaço, cada vez com mais olheiras, cada vez com mais sulcos no chão). Os primos que Ricardo Alves atirou para este Portugal made in China podem não conseguir salvar a serração, mas também podem morrer – ou, melhor ainda, podem divertir-se – a tentar. A realidade, diz o autor do texto, às vezes é “tão naïve quanto isto”. (Jornal Público – 15.03.2014)

quinta-feira, 13 de março de 2014

De Transformers a Hitchcock: Michael Bay vai produzir remake d'Os Pássaros.


O projecto está em discussão há vários anos e ganhou nesta quinta-feira um novo produtor, ficando um passo mais perto de se concretizar: o remake do clássico de Alfred Hitchcock Os Pássaros terá como produtor Michael Bay, o responsável por blockbusters como Transformers, Armageddon e Pearl Harbor.
Os Pássaros, de 1963, é um dos mais emblemáticos filmes de Alfred Hitchcock, protagonizado por uma das suas loiras, neste caso Tippi Hedren, e baseado no conto homónimo de Daphne du Maurier. Em desenvolvimento pelo menos desde 2007, o filme que pretende reimaginar o clássico do suspense de Hitchcock chegou a ter a actriz australiana Naomi Watts como potencial protagonista, mas segundo a Hollywood Reporter esta já não se encontra associada ao projecto. Em 2007, quando o projecto começou a tomar forma, Tippi Hedren mostrou-se surpreendida pela ideia de voltar a Os Pássaros,dizendo à MTV: “Não conseguimos arranjar novas histórias?”
Com o realizador holandês Diederik van Rooijen já confirmado para dirigir o novo filme, a produtora de Michael Bay, a Platinum Dunes, irá então associar-se à Mandalay Pictures e ao estúdio Universal para refazer Os Pássaros, escreve a Variety, que acrescenta que não há ainda quaisquer informações sobre o argumento. A Hollywood Reporter refere que a Universal disse no passado que o remake será mais próximo do conto de Du Maurier do que do filme de Hitchcock, em que uma mulher da alta-sociedade se muda para uma cidadezinha no Norte da Califórnia que repentinamente é atacada por vários tipos de pássaros. O conto de Du Maurier, publicado em 1952, passa-se na Cornualha, no Reino Unido, e tem no seu centro a família de um veterano da II Guerra que trabalha como ajudante numa quinta e que vê a sua região, e depois o país, atacado por bandos de pássaros.

Como produtor da Platinum Dunes, Bay foi já responsável por remakes de filmes dos anos 1980, como Sexta-Feira 13 e Pesadelo em Elm Street. Diederik van Rooijen é autor de vários filmes no seu país e da série de televisão holandesa Penoza, que foi alvo de um remake norte-americano sob o nome Red Widow para a ABC. (Jornal Público – 13.03.2014)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Quadro de Leonardo da Vinci vendido por mais de 50 milhões de euros.


A notícia de que tinha sido identificado um quadro “novo” de Da Vinci (1452-1519) já era conhecida, pelo menos, desde a exposição que a National Gallery de Londres dedicara ao mestre do Renascimento, Leonardo da Vinci – Pintor da corte de Milão, entre Novembro de 2011 e Fevereiro de 2012. Depois dessa mostra, o pequeno quadro (65,6 x 45,5 cms.) representando CristoSalvator Mundi (c. 1500) fora também exibido, por empréstimo, no Museu de Arte de Dallas, nos EUA.
O que não se sabia, e agora foi noticiado pelo The New York Times, é que essa obra foi vendida, em Maio de 2013, num leilão da Sotheby’s em Nova Iorque, por uma soma entre os 75 e os 80 milhões de dólares (54,6 a 58,2 milhões de euros) a um comprador privado não identificado.
Esta quantia ganha ainda maior relevância quando se sabe que o mesmo quadro, cuja história está ainda por reconstituir no seu percurso completo, fora vendido, em 1958, em Inglaterra, na sequência de partilhas de descendentes de um aristocrata britânico, por… 45 libras esterlinas (perto de 55 euros).
No momento da venda, revelada no dia 3 de Março pelo diário norte-americano – e depois também noticiada pelo francês Le Monde –, esteSalvator Mundi pertencia a dois historiadores e negociantes de arte de Nova Iorque, Robert Simon e Alexander Parish, que o tinham adquirido, em meados da década de 2000, por um valor que também não foi quantificado.
De qualquer modo, estes dois sócios e especialistas em arte acabaram por merecer a mais-valia da sua convicção de que se estava, de facto, perante uma obra autógrafa de Da Vinci e não apenas de uma qualquer reprodução – que, neste caso, tinha sido mesmo atribuída a um aluno da oficina do mestre italiano, Giovanni Antonio Boltraffio (c. 1466-1516).
Quando adquiriram a tela, Simon e Parish acreditaram que a sua superfície, que mostrava sucessivas camadas de pintura e se encontrava bastante deteriorada, escondia o traço original do mestre. Para testarem essa sua convicção, submeteram o quadro a uma cuidada investigação, que envolveu dezena e meia de especialistas em Da Vinci, tanto dos EUA como de Inglaterra e de Itália, bem como instituições como a National Gallery de Londres e de Washington, o Metropolitan Museum de Nova Iorque e ainda as universidades de Florença e de Milão.
O veredicto final confirmou o prognóstico de Simon e Parish, e depois da exposição em Londres, o Museu de Arte de Dallas pediu o quadro emprestado para o exibir nessa cidade e, no final, quis mesmo adquiri-lo.
Segundo o NYT, o autor da revelação da venda de Salvator Mundi em Maio passado foi o negociante de arte londrino Anthony Crichton-Stuart, que comentou para o jornal nova-iorquino: “É preciso contrabalançar o seu estado de deficiente conservação com o facto de se tratar de uma obra de um dos nomes mágicos e mais significativos do cânone da arte ocidental, pelo que, nesse sentido, parece-me que o preço foi justo”.
Seguindo a tradição e o protocolo do negócio, a Sotheby’s recusou fazer qualquer comentário sobre a venda, e, ao NYT, Robert Simon limitou-se a dizer que a pintura de Da Vinci “já não se encontra disponível”.
Ao reconstituir a história possível do quadro - que representa um tema da iconografia cristã que Da Vinci e outros mestres da pintura trataram em diferentes momentos -, o Le Monde avança que ele terá pertencido ao rei de Inglaterra Carlos II (século XVII), tendo depois sido também propriedade do duque de Buckingham.

É importante lembrar que esta identificação e autenticação de uma obra de Da Vinci surge mais de um século depois da última, que tinha sido realizada relativamente ao grande mestre italiano, com a Virgem Benois (1475-78), pertencente à colecção do Museu Ermitage de São Petersburgo, na Rússia. (Jornal Público – Março 2014)