domingo, 12 de outubro de 2014

Aproveita a vida - O último filme de Robin Williams.



Foi um dos últimos filmes de Robin Williams, que se suicidou em Agosto, e salvo melhor informação o derradeiro estreado em vida dele. Não haverá muito mais razões para a história lembrar Aproveita a Vida, Henry Altmann senão esta, contudo.
O filme de Phil Alden Robinson (autor, nos idos de 80 e tal, de um curioso filme com Kevin Costner, Field of Dreams) até tem um bom princípio ficcional, ao erguer toda a sua narrativa em torno da limitada duração de vida que é estimada ao seu protagonista: exactamente 90 minutos, mais ou menos a duração do filme. Ideia que faz lembrar um clássico da série B dos anos 50 (o D.O.A. de Rudolph Maté), onde tudo girava à volta da iminente, e inexorável, morte da personagem principal.
Bom, mas as semelhanças param aí, isto não é um thriller negro mas na melhor das hipóteses uma suave comédia romântica com o objectivo de animar os espíritos e trazer-lhes “filosofia” positiva. De resto, os 90 minutos são mentira, é apenas o primeiro que vem à cabeça da médica estagiária (Mila Kunis), aliás um bocado desaustinada, quando aquele zangado paciente (o “homem mais zangado de Brooklyn”, como diz o título original) lhe exige saber, na sequência do diagnóstico de um aneurisma cerebral, quanto tempo tem de vida. Ele não acredita mas, nunca fiando, decide “aproveitar” a vida que lhe resta e tentar resolver em hora e meia os inúmeros problemas - com a mulher, com o filho - que tem pendentes. E ela, a médica, depois de se aperceber da asneira, vai atrás dele para tentar remediar a situação. A mecânica dos primeiros dois terços do filme é esta - ela no rasto dele, por Brooklyn fora.
Mas estas premissas - tempo e espaço - são tratadas de forma canhestra e indiferente, sem relevância formal, tudo se apagando em função da história que há a contar, a de um homem revoltado (uma das primeiras cenas, Williams entalado no trânsito da hora de ponta, parece vinda do “Falling Down” de Joel Schumacher) à procura do apaziaguamento quando confrontado com uma morte próxima. Tudo se passa dentro dum esquematismo mole e apressado, que se acerta nalguns momentos cómicos (a cena em que Williams descobre a que a mulher tem um amante, por exemplo) falha por completo a dimensão dramática - como tentativa de suicídio na Ponte de Brooklyn, que pedia um Frank Capra que já não há. Robin Williams, fisicamente mais esquisito (o pescoço parece que desapareceu por inteiro) e envelhecido do que nunca, com uma voz como nunca a ouvimos, suja e roufenha (uma voz de “velho”), é uma figura interessante, sobretudo quanto tem que interpretar a ira descontrolada do seu protagonista – mas mesmo nessas alturas o filme nunca consegue dar o salto para fazer da personagem uma presença realmente perturbante, que traga ao espectador alguma incerteza. Williams merecia mais filme, como provavelmente merecia ter tido mais filmes ao longo da carreira. Acabou assim, e sendo as coisas o que são, é o filme que há para se lhe fazer a despedida. (Jornal Público)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Modiano: um escritor longe dos "grandes alaridos".


O editor Manuel Alberto Valente, responsável pela publicação em Portugal de várias obras de Patrick Modiano, hoje laureado com o Nobel da Literatura, sublinha a sua escrita subtil, "como uma música". Tal como o autor, que prefere geralmente manter-se longe dos holofotes.
"Nunca o conheci pessoalmente, é um homem muito avesso a viagens e a encontros sociais. Convidei-o várias vezes a vir a Portugal, para os lançamentos dos livros, mas nunca foi possível. Mas conheci-o através das leituras, já nos anos 80", conta Manuel Alberto Valente, satisfeito mas não completamente surpreendido com este Nobel. "Sempre achei que era uma voz completamente distinta no panorama da literatura europeia e que, mais cedo ou mais tarde, seria reconhecido." O primeiro livro que editou de Patrick Modiano foi Domingos de Agosto, ainda na Dom Quixote. Depois publicou-o na Asa e mais recentemente na Porto Editora.
O que mais distingue este escritor, diz Manuel Alberto Valente, é a sua temática: "Praticamente aborda sempre o mesmo tema, que é a memória e a importância que a memória tem na vida do ser humano, o que conduz para um subtema também recorrente, que é a ocupação de Paris durante a Segunda Guerra Mundial." O editor dá como exemplo disto mesmo o romance Dora Bruder. "A obra gira sempre em torno desta obsessão com a memória, esta é a sua marca criativa mais pessoal."
Além disso, sublinha, a crítica francesa também costuma referir-se ao seu estilo de escrita como uma "pequena música". "Não é um autor de grandes alaridos. A sua escrita é antes como uma música suave. É uma voz muito elegante, subtil e discreta. Não é um autor que atraia multidões, está muito longe do troar de tambores que caracteriza muita da literatura contemporânea", comenta.

Quanto a novas edições em Portugal de Modiano, Manuel Alberto Valente não pode avançar quando haverá: "Espero que tenhamos oportunidade de continuar a revelar as obras deste autor" (DN-09.10.2014)


domingo, 5 de outubro de 2014

Em Lisboa, Pamuk diz que "a Europa precisa de ter uma discussão séria sobre os seus valores".


Na sua primeira visita oficial a Portugal, para receber um prémio que reconhece o seu contributo para o património cultural europeu, o Nobel da Literatura deixou um recado: “A herança cultural europeia não se deve limitar à preservação dos seus monumentos, mas também à preservação dos seus valores fundamentais”
O escritor turco Orhan Pamuk defendeu esta sexta-feira em Lisboa que “a Europa precisa de ter uma discussão séria sobre os seus valores fundamentais”. O Nobel da Literatura de 2006, autor de uma obra literária sobre a procura de uma identidade turca, dividida entre o Ocidente e o Oriente, entre modernidade europeia e tradição muçulmana, recebeu esta noite o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural na Fundação Calouste Gulbenkian, com um discurso em que prestou tributo à tradição cultural europeia, mas que terminou com uma nota crítica.
“A herança cultural europeia não se deve limitar à preservação dos seus monumentos, mas também à preservação dos seus valores fundamentais”, disse o escritor, na sua primeira visita oficial a Portugal. “E temos de ter uma discussão séria sobre esses valores fundamentais.”
Pareceu claro que era um recado para a Europa – não por acaso, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, estava presente na primeira fila – embora Pamuk não tenha especificado o que queria dizer com isso, talvez para não correr o risco de soar pouco diplomático. Mas o que Pamuk quis dizer terá talvez a ver com o que respondeu numa entrevista em Dezembro do ano passado, quando um jornalista colombiano lhe perguntou se se sentia europeu. “Não sei. Não penso nesses termos. Em primeiro lugar, sinto-me turco. E um turco tanto se sente europeu como não europeu. Acredito numa Europa que não se baseia no cristianismo, mas no Renascimento, na modernidade, na ‘liberdade, igualdade, fraternidade’. Essa é a minha Europa. Acredito nessas coisas e quero fazer parte delas. Mas se a Europa é a civilização cristã, lamento: nós, turcos, não queremos entrar.”
No debate sobre a hipotética entrada da Turquia na União Europeia, Pamuk – um turco cosmopolita e laico que se autodefine como um “muçulmano, mas apenas no sentido cultural” – emergiu como um intérprete do diálogo entre civilizações. Daniel Cohn-Bendit disse que foi Pamuk quem o ajudou a “perceber a importância de a Turquia aderir à União Europeia”. Até mesmo o ex-Presidente americano George Bush se referiu à obra do escritor como “uma ponte entre culturas”, notando que ela mostra como “pessoas noutros continentes e civilizações” são “exactamente como nós”.

Em defesa das pessoas normais
Atribuído pela primeira vez no ano passado ao escritor italiano Claudio Magris, cuja obra é notória pela sua deambulação cultural (como a de Pamuk), o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, no valor de dez mil euros, é uma iniciativa da organização europeia de defesa do património Europa Nostra em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Clube Português de Imprensa, com o objectivo de distinguir um cidadão europeu que, ao longo da sua carreira, tenha contribuído para a divulgação, defesa e promoção do património cultural e dos ideais europeus.
O presidente do Centro Nacional de Cultura e membro do júri, Guilherme de Oliveira Martins, notou que a atribuição do prémio a Pamuk teve em conta “o cidadão apaixonado pela defesa do património cultural, mais do que o grande romancista”, embora o seu discurso tenha sido dominado por referências e citações constantes do último romance do escritor, O Museu da Inocência(ed. Presença), publicado em 2008.
Pamuk confessou-se “lisonjeado e honrado” pela atribuição do prémio, que lhe foi entregue pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
Falando em inglês, o escritor lembrou como concebeu um romance e um museu ao mesmo tempo, referindo-se a O Museu da Inocência, ficção sobre um homem que colecciona todos os objectos tocados pela mulher que amou e que perdeu e ao edifício com o mesmo nome que abriu em Istambul, a cidade onde nasceu e onde vive, com objectos que foi juntando para o processo de escrita do livro e que é hoje, também, um museu sobre a vida quotidiana da classe média turca na segunda metade do século XX.
“Os verdadeiros romances centram-se em pessoas normais, no seu dia-a-dia”, disse. Com a entrada na modernidade, a literatura deixou de se interessar pelos reis e poderosos para se ocupar da história de pessoas simples, como se fossem reis – Joyce fê-lo em Ulisses, notou. Pamuk defendeu que os museus deviam fazer o mesmo. “Deixem de prestar atenção à nação e aos reis e dediquem-se aos pequenos detalhes das nossas vidas quotidianas. É por isso que defendo que precisamos de pequenos museus”, disse.

Nesta segunda edição do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, foi também atribuído um prémio especial de carreira ao historiador de arte José-Augusto França por ter “fomentado a tomada de consciência e o sentimento de orgulho relativamente à arte portuguesa, relacionando-a com a cultura europeia e mundial”. O júri distinguiu ainda o jornalista holandês Pieter Steinz com uma menção especial pela criação de uma enciclopédia de ícones culturais europeus. (Jornal Público)

domingo, 28 de setembro de 2014

O “caso” Donna Tartt.


Chamam-lhe a Dickens do século XXI. No final de 2013 publicou O Pintassilgo e dividiu a chamada crítica de referência. Livro infantil para adultos ou sinfonia de prodigiosa imaginação, está traduzido em 20 idiomas e a suscitar um debate sobre o gosto literário.
No princípio não há uma ideia, mas uma imagem, quase sempre um desenho. No caso de Donna Tartt, a escritora natural do Mississippi, onde nasceu em Dezembro de 1963, o romance começa por ser uma montagem de desenhos, frases, recortes de excertos de blocos de notas onde o texto vai crescendo à mão, a caneta azul e vermelha, até ganhar corpo.
É um processo longo. Leva-lhe cerca de uma década a compor cada livro. “Já tentei ser mais rápida, mas não funciona. Não retiro qualquer prazer da escrita e se o escritor não tiver prazer não o pode passar ao leitor”, tem dito Tartt sobre a sua escrita lenta. Em 32 anos de escrita publicou três romances. O último, O Pintassilgo, é um caso. Lançado nos Estados Unidos no Outono de 2013, há cerca de um ano, já vendeu mais de um milhão e meio de cópias e venceu o Pulitzer para ficção em Abril deste ano, dividindo a crítica em língua inglesa: os que o consideram uma sinfonia extasiante, como o escritor Stephen King nas páginas do The New York Times Book Review, e quem, como o crítico James Wood, o tenha referido como um livro infantil para adultos no texto que assinou na The New Yorker. Também já este ano, foi ainda notícia nos principais jornais de língua inglesa por ter “falhado” a longlist do Booker Prize (o vencedor será conhecido no dia 14 de Outubro) e está na génese de mais uma discussão sobre o futuro da literatura: o que é um bom romance e quem define essa qualidade.

A grande comparação é com Charles Dickens. Nas poucas entrevistas que tem dado, a autora fala de Oliver Twist como o primeiro livro que leu de um escritor que apresenta como grande referência pela capacidade de envolver o leitor com uma geografia e uma personagem, dando-lhe a ilusão de uma voz íntima, da partilha de sentimentos como a alegria ou a tristeza. “O livro vive dentro da minha cabeça; ia para a escola a perguntar-me como estaria Oliver”, contou ao The Independent durante a promoção de O Pintassilgo, referindo-se a um tempo em que devorava livros e que foi o seu grande formador. (Jornal Público)


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Alabardas - Pré-publicação - Primeiros parágrafos do último livro .


"O homem chama-se artur paz semedo e trabalha há quase vinte anos nos serviços de faturação de armamento ligeiro e munições de uma histórica fábrica de armamento conhecida pela razão social de produções belona s.a., nome que, convém aclarar, pois já são pouquíssimas as pessoas que se interessam por estes saberes inúteis, era o da deusa romana da guerra. Nada mais apropriado, reconheça-se. Outras fábricas, mastodônticos impérios industriais armamentistas de peso mundial, se chamarão krupp ou thyssen, mas esta produções belona s.a. goza de um prestígio único, esse que lhe advém da antiguidade, baste dizer-se que, na opinião abalizada de alguns peritos na matéria, certos apetrechos militares romanos que encontramos em museus, escudos, couraças, capacetes, pontas de lança e gládios, tiveram a sua origem numa modesta forja do trastevere que, segundo foi voz corrente na época, havia sido estabelecida em Roma pela mesmíssima deusa. Ainda não há muito tempo, um artigo publicado numa revista de arqueologia militar ia ao ponto de defender que alguns recém-descobertos restos de uma funda balear provinham dessa mítica forja, tese que logo seria rebatida por outras autoridades científicas que alegaram que, em tão remotos tempos, a temível arma de arremesso a que se deu o nome de funda balear ou catapulta ainda não havia sido inventada. A quem isso possa interessar, este artur paz semedo não é nem solteiro, nem casado, nem divorciado, nem viúvo, está simplesmente separado da mulher, não porque ele assim o tivesse querido, mas por decisão dela, que, sendo militante pacifista convicta, acabou por não suportar mais tempo ver-se ligada pelos laços da obrigada convivência doméstica e do dever conjugal a um faturador de uma empresa produtora de armas. Questão de coerência, simplesmente, tinha explicado ela então. A mesma coerência que já a tinha levado a mudar de nome, pois, tendo sido batizada como berta, que era o nome da avó materna, passou a chamar-se oficialmente felícia para não ter de carregar toda a vida com a alusão direta ao canhão ferroviário alemão que ficou célebre na primeira guerra mundial por bombardear paris de uma distância de cento e vinte quilómetros." 
Ler mais:

domingo, 21 de setembro de 2014

A vida dos emigrantes portugueses na Argentina deu um livro.

As docas de Buenos Aires em Outubro de 1921 — a emigração portuguesa ajudou na construção do país KEYSTONE VIEW CO/NATIONAL GEOGRAPHIC SOCIETY/CORBIS

Algarvios, muitos, minhotos e serranos cons-truíram, na primeira metade do século XX, uma nova vida num país que estava, também ele, a ser ainda construído. De Buenos Aires à Patagónia. Em Portugal Querido, podemos ler histórias como a de Yudith, que atravessou o oceano sem saber como era o pai que a esperava no outro lado do Atlântico.
víamos em São Brás de Alportel… e o meu pai levava-me a passear todos os dias quando chegava do trabalho. Eu era a filha mais velha de três irmãos e de um ainda por nascer… De um dia para o outro, deixei de ver o meu pai e com quatro anos — e ele apenas com 23 — não podia entender o que tinha acontecido, nem para onde tinha ido. Ao ficarmos sozinhos, fomos viver para o campo, no sítio Dos Machados, com a minha mãe Gertrudes, grávida de oito meses. Ela teve de ir trabalhar, pelo que eu e os meus irmãos ficávamos sozinhos, quase todo o dia. Começaram a chegar as primeiras cartas. O meu pai pedia que o filho, se fosse varão, se chamasse Abel. Os dias passavam e eu só via cartas. Numa delas, ele dizia: ‘Yudith, neste momento, olhando as estrelas, vejo nelas o brilho dos teus olhos’, palavras que me ficaram gravadas na memória, apesar da minha tenra idade.”
Yudith Rosa Viegas recorda, assim, a partida do pai para a Argentina, em 1926. O reencontro só aconteceria “13 longos anos” mais tarde, quando, em vésperas do início da II Guerra Mundial, embarcou com a mãe e os dois irmãos (o bebé mais novo, uma menina que não pôde chamar-se Abel, morreu com apenas oito meses) “num barco inglês” a caminho de Buenos Aires.
O destino desta família algarvia e de muitas outras famílias portuguesas foi recolhido por Mário dos Santos Lopes, jornalista e professor, também ele filho de algarvios que emigraram para a Argentina, e que lançou, naquele país, o livro Portugal Querido. A edição de autor, de cinco mil exemplares, já está a ser revista e ampliada, com novas histórias de uma emigração muito particular.
Mário dos Santos Lopes, 55 anos, recusa arcar sozinho com a responsabilidade do livro. Até porque, explica à Revista 2, quem insistiu para que ele avançasse com o projecto foi o irmão, Victor, que abriu uma pousada portuguesa, a Pousada São Brás, em Córdoba. “Estava de férias em Villa General Belgrano, Córdoba, e, durante uma conversa, o meu irmão Victor disse que gostaria de publicar um livro em homenagem aos imigrantes. Disse-lhe que sim, que o faria, mas na realidade não sabia como nem em quanto tempo. Nessa mesma noite, comecei a procurar contactos de luso-descendentes no Facebook e na Internet, sem saber onde chegaríamos. A ideia original era termos um livro de cem páginas, algo muito pequeno”, explica, através de email, o jornalista que vive em Puerto Deseado, Santa Cruz, na Patagónia argentina.
A tarefa assemelhou-se “às obras de Santa Engrácia”, lê-se na introdução de Portugal Querido, e só ficaria pronta ao fim de cinco anos de busca e escrita, tornando-se uma verdadeira empreitada familiar. Victor foi “o criador e impulsionador da ideia”, Andrea, a irmã mais nova, “traduziu, corrigiu e deu bons conselhos”. Juan Benjamín Lopes, filho de Mário, “desgravou os áudios”. Pablo Molina e Ana Laura Lopes, genro e filha, “puseram o coração e o profissionalismo na artística capa do livro”. O resultado foi uma obra de 254 páginas com muitas histórias de emigrantes, algumas referências históricas da passagem portuguesa pela Argentina, umas curtas histórias e participações de emigrantes lusos noutros países, vários textos sobre os clubes e associações dedicadas à cultura nacional e relatos de cantoras argentinas que se apaixonaram pelo fado. O fio condutor do livro é, contudo, a compilação das memórias das famílias que, deixando Portugal, encontraram um novo lar na Argentina. (Jornal Público)