sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Marilyn e outros lá de casa, atrás da lente.

A exposição Sam Shaw: 60 Anos de Fotografia revela uma espécie de caleidoscópio do século XX. Inaugura esta sexta-feira no Centro Cultural de Cascais.
Não há como fugir. Sam Shaw será sempre aquele que captou Marilyn Monroe e o seu vestido esvoaçante sobre um respiradouro do metro de Nova Iorque. Estavam na rodagem do filme O Pecado Mora ao Lado (1955) e Marilyn posava para Sam, que tanto haveria de a fotografar. Tanto que há uma sala só dela na exposição Sam Shaw: 60 Anos de Fotografia, que hoje inaugura no Centro Cultural de Cascais. Marilyn, de roupão vestido, olha-nos de uma janela com a cara assente na mão direita. Sorri, mas não lhe conseguimos decifrar o rosto. Marilyn de calças de ganga. "Hoje toda a gente usa jeans. Ela contou ao Sam que as vestia, ia nadar no oceano - vivia na Califórnia - com elas vestidas, depois punha-se ao sol e deixava-se secar ao sol para que elas ficassem justas ao corpo."
Chama-lhe Sam, mas é sua neta. Melissa Stevens está em Cascais para assistir à montagem e inauguração da mostra que junta 200 fotografias do avô. Pouco depois da sua morte, em 1999, dedicou-se aos seus arquivos. Aqueles que guardam - ainda - Marilyn numa banheira. "Sam foi buscá-la. Não me lembro qual era o evento. Ela estava atrasada, estava toda a gente à espera. Ela estava na banheira, a tomar um banho cheio de gelo. Fazia-o muitas vezes para pôr o corpo firme antes de se vestir e aparecer em público", diz Melissa recordando uma das muitas histórias que o avô Sam lhe contou.

Percorrer as salas dos 60 anos de fotografia daquele homem de bigode e gabardine vestida (é assim que, numa das salas, surge a fotografar Audrey Hepburn) é como olhar para um caleidoscópio do século em que viveu, tantas são as suas personagens que captou. "Tirava uma fotografia a toda a gente que conhecia.Se não estivesse a trabalhar tinha pelo menos uma câmara, se estivesse a trabalhar tinha quatro." E foi com uma ou quatro que Sam Shaw captou Sophia Loren deitada, de cabeça apoiada no braço que revela uma axila por depilar. Ou John Wayne com o seu chapéu de cowboy em contraluz. Ou, por fim, Marlon Brando de camisa rasgada ajoelhado aos pés de "Stella" (basta a fotografia para que recordemos o grito) no filme de Elia Kazan, Um Elétrico Chamado Desejo (1951). (DN – 11.Set.2015)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Tati - A eles a liberdade.


Tati não depositava muita confiança na capacidade dos adultos para saberem existir livremente. O sopro anárquico estava reservado para as crianças e para os animais, criaturas que não reconheciam barreiras. Em O Meu Tio esta ideia surge limpidamente exposta: os únicos que saltitam alegremente entre os espaços delimitados do “antigo” e do “moderno” sem ficarem presos em nenhum são um grupo de crianças e uma matilha. E Hulot, claro, filmado como espécie de “inconsciência” que guardou um toque de infância e, porque não?, uma medida de animalidade. (Jornal Público – Ipsilon – 21.Agosto.2015)


domingo, 9 de agosto de 2015

O que andamos a ler enquanto molhamos os pés.


Em tempo de férias, são muitos os que aproveitam para pôr as leituras em dia, em todo o mundo. Nos EUA, Harper Lee domina os tops. A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins, está um pouco por toda a parte e Portugal não é exceção...
Portugal fica de fora, por um desfasamento editorial remendado nos próximos meses, do alcance intercontinental - Londres, Paris, Nova Iorque - de dois dos maiores êxitos editoriais que o verão testemunha e, até certo ponto, apadrinha: a versão masculina das peripécias eróticas mais faladas nos últimos anos, com a autora E.L. James a esticar a corda em Grey (As Cinquenta Sombras de Grey narradas por Christian), sucesso comum aos três polos referidos, e o regresso de Scout e Atticus Finch pela mão de Harper Lee em Go Set a Watchman, comandante segura das listas de mais vendidos em paragens anglófonas. Tal como cá, a versão francesa está agendada para o outono. Tanto nas Ilhas Britânicas como nos Estados Unidos, a veterana parceira de Truman Capote alcança uma improvável dobradinha: aproveitando o empurrão de uma sequela escrita antes (é mesmo assim, por estranho que pareça) e o 50.º aniversário da publicação original, Mataram a Cotovia regressa às listas de mais vendidos. O que não pode deixar de saudar-se; haja algo de mais duradouro do que as fugazes levezas estivais.

Em Portugal, além de Hawkins e dos comboios, de Enders e dos intestinos, da chegada em crescendo de Johanna Basford e O Jardim Secreto (o "pinte você mesmo", outra vez), de Green e das cidades, pode entrar-se pelo território muito abrangente da não ficção. E isso pode acontecer em velocidade com Running - Muito mais do Que Correr, de José Soares, manual de exaltação das vantagens e das ramificações da corrida na nossa vida de todos os dias. Nota: levar a vida a correr não é uma variante contemplada. Juntam-se-lhe uma investigação, um alerta e um testemunho. Respetivamente, o diver-tido, esclarecedor e comparti-mentado à medida da concentração estival Puxar a Brasa à Nossa Sardinha, da jornalista Andreia Vale, que parte em busca da origem e do devir de expressões que utilizamos na nossa linguagem corrente; Dicionário de Erros Frequentes da Língua, de Manuel Monteiro, pode mostrar-se um auxiliar poderoso para baixar o nível das consecutivas agressões ao património que mais vezes utilizamos; O Que Vejo e não Esqueço, de Catarina Furtado, narrativa rigorosa - e nem por isso menos suscetível de prender e cativar - de uma vida que vai muito além daquilo que lhe conhecemos na sua profissão e nas suas artes. A honestidade não afeta a envolvência; a emoção não minora a justiça. Para alguns (não para todos), uma belíssima surpresa. (DN - 9.Agosto.2015)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Quadro de Paula Rego bate recorde em Londres.


The Cadet and his Sister licitado por 1,6 milhões de euros, um novo recorde para a artista portuguesa.
Um quadro de Paula Rego de 1988 foi arrematado nesta quarta-feira num leilão em Londres por 1,6 milhões de euros, um novo recorde da artista portuguesa.
The Cadet and his Sister (O cadete e a irmã), um acrílico sobre papel em tela, de 1988, aborda o tema da despedida, mostrando um cadete vestido com o uniforme do Colégio Militar, de partida para o combate, que se despede da irmã enquanto ela se ajoelha e ata os sapatos.
A composição remete para um importante acontecimento na vida pessoal da pintora portuguesa, porque, nesse mesmo ano, faleceu o seu marido, o também artista Victor Willing, de esclerose múltipla.
Esse ano foi igualmente importante na carreira de Paula Rego, pois passou a ser representada pela galeria Marlborough, em Londres, e foi objecto de uma retrospectiva na Serpentine Gallery, também em Londres.
Propriedade de um coleccionador privado americano, The Cadet and his Sister tinha uma estimativa inicial de entre 846 mil euros e 1,1 milhões de euros, mas acabou por ser arrematado por 1.614.795 euros, um novo recorde da artista, adiantou à agência Lusa fonte da Sotheby's, organizadora do leilão.O recorde anterior estava nos 865 mil euros e foi atingido em 2011 com a venda do quadro Looking back (1987) pela Christie's.
No leilão de quarta-feira, uma outra obra de Paula Rego, Looking Out (1997), um pastel sobre papel em suporte de alumínio, com estimativa entre 707 mil euros e 989 mil euros, foi arrematado por 1.360.941 euros.
Looking Out, criada por Paula Rego em 1997, faz parte de uma série de trabalhos da pintora inspirados no livro O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, a história de um jovem padre que mantém uma relação amorosa clandestina com uma empregada, Amélia.
Esta tela — emblemática de toda a obra de Paula Rego, em que denuncia a condição feminina — retrata Amélia, sozinha, debruçada na janela de uma casa, dando uma imagem de frustração e aprisionamento, enquanto espera o dia do parto.
Warhol também recordista
As obras faziam parte do Leilão de Arte Contemporânea da Sotheby's, que decorre entre hoje e amanhã e que tem obras de Francis Bacon, Lucien Freud e David Hockney.
One Dollar Bill (Silver Certificate), pintado por Andy Warhol em 1962, foi arrematado por 29,4 milhões de euros, o valor de venda mais alto de sempre de uma obra contemporânea num leilão em Londres.
A obra, uma reprodução de uma nota de dólar norte-americano, destaca-se por ser a única pintada à mão pelo artista conhecido pelos seus trabalhos de Pop Art e tinha uma estimativa de entre 18,4 milhões e 25,4 milhões de euros.
Outro recorde para um trabalho em papel foi estabelecido por Head of Gerda Bohm (1961), um retrato que o britânico Frank Auerbach pintou da prima Gerda, e que disparou de uma estimativa de entre 353 mil e 495 mil euros para um preço final de 3,1 milhões de euros.

O valor total obtido no primeiro dia de leilão foi, segundo a Sotheby's, de 130,4 milhões de libras (183,9 milhões de euros). (Jornal Público – 1 de Julho 2015)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Robert Capa a cores, agora na Europa.


Parece não haver dúvidas de que a última fotografia que Robert Capa (1913-1954) disparou, naquele malfadado dia 25 de Maio de 1954, na localidade vietnamita de Thai Binh, foi feita a preto-e-branco. Mas também é verdade que aquele que ficou para a História como “o maior repórter do mundo” tinha consigo duas máquinas fotográficas, como, de resto, acontecia desde há uma década no seu trabalho. E se a arte, a filosofia e a posteridade da criação fotográfica de Capa ficaram para sempre associadas ao preto-e-branco, desde aquele icónico instantâneo que registou o momento mesmo da morte do miliciano Federico Borrel nos arredores de Córdova, em 1936, no início da Guerra Civil em Espanha, também se sabe desde há algum tempo que o repórter nascido na Hungria também cultivou a cor.



A “revelação” surgiu, com alguma surpresa na altura, no final de 2013, quando o International Center of Photography, organismo fundado em 1974 pelo seu irmão Cornel, anunciou a realização de uma primeira exposição em Nova Iorque sobre essa faceta da obra de Robert Capa. Uma nova selecção dessas fotografias a cores – de um espólio com mais de quatro mil negativos – está agora a ser mostrada pela primeira vez na Europa, na cidade natal do repórter, no Robert Capa Center de Budapeste.
“Para o Governo húngaro, é essencial mostrar ao mundo o património fotográfico húngaro e mostrar a forma como a visão dos artistas húngaros influenciou a história do século XX”, disse Péter Hoppál, ministro da Cultura do país aquando da apresentação da exposição, citado pelas agências informativas.

Mas a verdade é que a fotografia de Capa escapa a qualquer apropriação ou fronteira. Mesmo quando, como acontece com a presente mostra de imagens, o repórter parece repousar em lugares e registos da vida mundana – as férias em família de Pablo Picasso ou Ernest Hemingway; a burguesia internacional nas estâncias de esqui nos Alpes suíços ou nas praias de França; os desfiles de moda em Paris com a Torre Eiffel em fundo; as stars de Hollywood captadas fora do plateau, incluindo Ingrid Bergman, de que se conhece o idílio frustrado com o fotógrafo… – bem distantes desse confronto físico entre a vida e a morte que Capa viveu e testemunhou nas frentes das grandes batalhas do século XX, da Guerra Civil de Espanha à Segunda Guerra Mundial, de Israel à Indochina... (Jornal Público)

sábado, 20 de junho de 2015

James Salter (1925-2015): “A nossa vida está sempre a ir embora”.


“A ficção está acima da verdade. Num outro patamar moral e estético, artístico. A verdade na memória remete para uma verdade mais objectiva, algo que terá acontecido. Terá ele visto? Terá ele dito? Terei sentido? Será que fomos? Eu adoro a memória. A nossa vida acaba por ser só memória. Está sempre a ir embora a todo o tempo, a mudar.”
As palavras foram ditas no final de Abril deste ano por James Salter, a quem chamavam o escritor dos escritores. Foi numa entrevista sobre o seu último romance, e o primeiro que publicou em Portugal: Tudo o que Conta (Livros do Brasil), uma reflexão sobre a passagem do tempo a partir da perspectiva de um homem que não queria ter uma existência comum. A vida passou e esse homem olha para ela, reconstruindo-a com a memória. A memória que passa, que faz que o fez dizer : “a nossa vida está sempre a ir embora”.
A revista Lire considerou Tudo o que Conta o melhor romance estrangeiro publicado em França em 2014 e dedicou-lhe a capa. Pouco tempo antes, o jornal The New York Times escrevia que era um dos escritores essenciais da literatura norte-americana. James Salter morreu na madrugada de sexta-feira. Tinha feito 90 anos no passado dia 10 de Junho.
A voz algo trémula, os olhos de uma frontalidade que podia intimidar, sorriso desenhado no sobrolho, esperava na paragem a camioneta vinda de Nova Iorque. Em Bridgehampton, pequena vila de Long Island que multiplica a população no Verão, há uma rotina de província. A paragem do expresso que chega e parte mais ou menos de duas em duas horas é um ponto de encontro e de trocas. De encomendas, de abraços. Salter esperava a jornalista enquanto lia um livro: Do Lado de Swan, de Marcel Proust. Entrou depois no velho Saab e conduziu uns cinco minutos até à casa de madeira castanha onde vivia com a mulher, a jornalista Kay Eldredge. Era ali que continuava a escrever, diariamente, menos horas do que antes, mas num ritmo constante. Contos, ensaio, crítica, argumento, romance. Era um escritor de escrita lenta.
Tudo o que Conta demorou-lhe trinta anos e teve várias versões até lhe sair como queria. Foi fazendo outras coisas. Além da literatura, ensinava escrita. Desde 1956, ano em que se estreou com The Hunter, publicou seis romances, três colectâneas de contos, um livro de memórias — Burning the Days (1997) —, ensaios; escreveu quatro argumentos para cinema — onde se destaca o filme Downhill Racer, com Robert Redford, em 1966 —, um livro de poesia, e finalmente em 2013 apareceu com Tudo o que Conta. Talvez o exemplo mais brilhante da escrita de Salter.
“Não é um livro biográfico, mas tudo o que eu sei está aqui”, declarou então numa conversa em que tanto quanto responder a perguntas procurava respostas. Queria saber de novos autores, dos que chegam à Europa. E dos que a Europa tem e não chegam à América. E sobre a sua escrita dizia que não sabia bem. “Gostava de poder dizer qualquer coisa mágica”, continuava. Qualquer coisa sobre esse processo que, no seu caso, tinha qualquer coisa a ver com respiração, música, um ritmo, e com a leitura em voz alta do que ia fazendo. Seria harmonia? Ele levantou as mãos no ar, imitou o gesto de um maestro a marcar o compasso e repetiu: “Pam, Pam, Pam”, para depois cruzar as mãos e referir que não há magia ou milagre: “Dá muito trabalho.”
A escrita de James Salter, nome literário de James Horowitz, antigo coronel da força aérea norte-americana, continha uma clareza e elegância que muitos escritores admiravam. Graham Green, Vladimir Nabokov, Richard Ford, John Irving, Bret Easton Ellis, Jay McInerney elogiaram-lhe várias vezes a concisão, a palavra certeira, os recursos que permitiam que quase tudo o que dissesse parecesse simples e nessa simplicidade fosse avassalador. Michael Dirda escreveu um dia no The Washington Post que quando quer Salter “é capaz de nos partir o coração com uma frase”. Era também um caso exemplar em algo que não é literatura, mas determina um percurso literário: um escritor sem vendas raramente consegue ter importância, mesmo que a tenha. Salter tinha-a, mas os seus livros nunca foram best-sellers.

Foi pela literatura que James Salter deixou o exército. Natural de Passaic, estado de Nova Iorque, onde nasceu a 10 de Junho de 1925, filho de um vendedor de imobiliário, cresceu em Manhattan, fez o liceu numa escola privada no Bronx, onde foi colega de Jack Kerouac e, para fazer a vontade ao pai — um antigo militar —, estudou em West Point. Serviu no exército até 1957. Já tinha publicado The Hunters e queria tentar viver da literatura. Mudou de vida e de nome. Fala disso sentado numa poltrona junto à janela. Entrava uma luz de manhã de Primavera com chuva. Ele pousara na mesa em frente Do Lado de Swan. Voltava a livros antigos. Estava a descobrir alguns a que sempre se mostrara relutante. Debaixo do Vulcão, de Malcolm Lowry era a sua última paixão literária. Lera-o no México, onde passava os invernos para escapar ao frio de Nova Iorque. “São livros formadores”, dissera, sem nunca se alongar nas suas coisas: a capacidade de observação, a atenção ao outro, os elogios. A lucidez da escrita é a mesma da conversa. (Jornal Público)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

NetFlix vem aí. Canais já pensam em novas formas de dar televisão.


Serviço de TV por internet chega em outubro, a partir de 7,99 euros. Mais um operador que irá pôr os outros players a emitir os conteúdos no PC, smartphone, tablet ou smart TV.
A chegada do NetFlix, em outubro deste ano, irá obrigar os players do mercado da televisão a encontrar novas formas de distribuir os seus conteúdos. Esta é a principal ideia defendida, ao DN/Dinheiro Vivo por vários responsáveis do setor.
O diretor de programação da RTP, Nuno Artur Silva, diz que a chegada deste serviço de distribuição de conteúdos através da internet era "inevitável". Mas "positiva, porque vai obrigar a uma maior disponibilidade de conteúdos e diferentes formas de distribuição".
Isso mesmo defende Nuno Santos, observador atento do mercado da televisão nos artigos que publica ao domingo no DN, que diz que o NetFlix "obrigará todos os players do mercado a acelerar a reflexão que estão a fazer sobre como distribuir os conteúdos."
Para o também diretor de conteúdos da Multichoice (maior plataforma de TV do continente africano), "as novas plataformas são outro instrumento para as televisões".
É também a opinião de Luís Mergulhão, CEO do Omnicom Media Group, que aponta o caso da Media Capital (que detém a TVI), que anunciou recentemente uma plataforma online com a programação do último mês.
Este, tal como outros operadores, já perceberam que "há muitos portugueses a subscreverem conteúdos pagos pela internet, com acesso mais rápido, e que não passam pelos canais aéreos ou de cabo", explica o CEO de um dos maiores grupos de compra de espaço publicitário nos media.
Embora não venha revolucionar o meio, o "NetFlix irá fazer que se perceba que Meo e Nos não estão sozinhos neste meio, nem que têm o exclusivo dos conteúdos de entretenimento", reforça o responsável.
Em comunicado o NetFlix anuncia que, "a partir do outono, os utilizadores de internet em Portugal vão poder fazer a assinatura da NetFlix e assistir a uma ampla seleção de séries de TV e filmes em alta definição ou até mesmo em Ultra HD 4K, em quase todos os ecrãs ligados à internet."
Daí que Luís Mergulhão insista: "O NetFlix é mais um um operador numa oferta cada vez maior", mas sem revoluções. Como a internet permite um acesso rápido, este operador "vai acelerar os conteúdos pagos através de diversas plataformas", remata.
Já no caso do operador público RTP, o NetFlix vem lançar novos desafios. Para Nuno Artur Silva, "uma coisa é disponibilizar conteúdos, outra é ter de escolher programação". Por outro lado, irá fazer a divisão entre fluxo televisivo e stock. "Antigamente tudo coexistia nos canais - séries, filmes, even-tos -, hoje há cada vez mais uma separação", assinala o diretor de programas da RTP.
O NetFlix vai, aponta Artur Silva, "tornar obsoletas conversas como a comparação de shares entre canais", além de "nos fazer pensar como vão sobreviver os canais abertos, nomeadamente o posicionamento do canal público". Mas o seu antecessor, Nuno Santos, indica uma pista: "A TV free-to-air ainda é e será o grande polo de investimento publicitário, até porque o NetFlix não tem um modelo baseado em publicidade." Isso mesmo assume o NetFlix em comunicado: "Os assinantes podem ver, fazer pausas e retomar as séries e os filmes, através de vários dispositivos, sempre sem publicidade ou compromisso de permanência."
Ainda que a marca seja "aspiracional" e que, "por norma, os portugueses sejam muito recetivos a "inovações"", Nuno Santos destaca que "o conteúdo é a chave, mesmo com um preço atrativo".
Em França, o serviço-base do NetFlix custa 7,99 euros. Para dois ecrãs o custo é de 8,99 euros e para quatro ecrãs em alta definição o preço é de 11,99 euros.
Isto para conteúdos que incluem séries originais como o Demolidor da Marvel, Sense8, Bloodline, Grace and Frankie, Unbreakable Kimmy Schmidt ou Marco Polo; documentários como Virunga, Mission Blue ou Chef"s Table; bem como vários especiais de stand-up comedy. A oferta NetFlix inclui também programação infantil e filmes originais. E todos os programas serão legendados em português.
"Este é mais um passo para a "complexificação" de um mundo que já é interessante", remata Nuno Artur Silva.

O DN/Dinheiro Vivo tentou o contacto com o Meo, Nos e Vodafone, outros concorrentes do Netflix, mas não obteve qualquer resposta até à hora de fecho desta edição. (DN/Dinheiro Vivo)