terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Casa Manoel de Oliveira vai ser a sede da Fundação Sindika Dokolo na Europa.


A Casa Manoel de Oliveira, no Porto, vai ser a sede na Europa da Fundação Sindika Dokolo. O edifício construído por Eduardo Souto de Moura para o cineasta, mas que nunca foi usado, foi vendido esta segunda-feira por 1,58 milhões de euros a uma empresa denominada Supreme Treasures, Ld.ª, ligada à empresária angolana Isabel dos Santos, casada com Sindika Dokolo. Em comunicado, o empresário diz que o edifício será “um espaço de reflexão e aprendizagem para jovens artistas”
No ano passado, a Fundação Sindika Dokolo apresentou no Porto a exposiçãoYou love me, you love me not, e no momento do balanço foi revelado que a fundação pretendia instalar na cidade a sua nova “antena mundial”. Na altura, a Casa Manoel de Oliveira era apontada como uma das possibilidades para a instalação desse braço da estrutura cultural de Sindika Dokolo, a par com o Palacete Pinto Leite ou o Palácio das Artes da Fundação da Juventude. Agora, o empresário confirma que a escolha recaiu sobre a casa que Manoel de Oliveira nunca usou.
“Ao estabelecermo-nos num edifício como a Casa Manoel de Oliveira, em plena Foz portuense, estamos a afirmar a nossa intenção em contribuir para tornar o Porto ainda mais cosmopolita e mais cultural. Neste espaço vamos promover redes de reflexão artística e fortalecer laços entre Portugal e Angola, a Europa e África, numa ode à Arte enquanto elemento unificador de povos e países”, referiu Sindika Dokolo, num comunicado enviado ao PÚBLICO.
Na hasta pública, que decorreu na manhã desta segunda-feira nos Paços do Concelho, a Supreme Treasures esteve representada pelo advogado Diogo Duarte Campos, que, segundo a Lusa, não quis prestar quaisquer esclarecimentos sobre os rostos por trás da empresa, invocando o “dever de sigilo profissional”. Contudo, de acordo com os registos oficiais, a empresa, constituída em Setembro do ano passado, com o curto capital de mil euros, tem como gerente Mário Filipe Moreira Leite da Silva, que representa os interesses de Isabel dos Santos nos negócios europeus.
Ao longo do dia, a Câmara do Porto garantiu sempre desconhecer quem comprara a casa e qual o uso que lhe seria dado e, depois da confirmação de Sindika Dokolo de que o edifício seria a sede da sua fundação na Europa, o presidente Rui Moreira não esteve disponível para comentar, por se encontrar numa reunião de trabalho sobre o futuro da STCP. Contudo, de manhã, questionado pelos jornalistas à saída dos Paços do Concelho, Rui Moreira disse que gostaria que a casa tivesse uma “componente cultural”, mostrando-se aliviado por se resolver o problema do “abandono” do edifício.
"É uma casa da autoria de Souto de Moura, portanto tem desde logo um impacto relevante na cidade do ponto de vista arquitectónico e era um activo que estava perdido porque o uso para que foi concebido nunca foi concretizado e não foi com certeza por culpa da câmara municipal", disse.
A Casa Manoel de Oliveira, composta por duas fracções, foi construída há quase duas décadas com o objectivo de ser a casa do cineasta e também um espaço de exposição do seu espólio. Contudo, o projecto avançou sem um acordo prévio entre a autarquia e o realizador de Aniki-Bóbó, quanto às condições de uso do imóvel, e desde a sua conclusão, em 2003, que o edifício permanece devoluto.
Em 2007, Manoel de Oliveira acusou o executivo de Rui Rio do fracasso da constituição da casa-museu e já em 2013, a Fundação de Serralves e a sua família assinaram um protocolo para instalar o espólio do cineasta num edifício que será idealizado pelo arquitecto Álvaro Siza para o Parque de Serralves. Em 2014, a Câmara do Porto, já sob a presidência de Rui Moreira, tentou vender o imóvel pela primeira vez, mas a hasta pública ficaria deserta.
Agora, o edifício irá receber a sede da fundação criada em 2003 na capital angolana, Luanda, com o objectivo de promover a arte. Com um espólio de cerca de três mil obras, da autoria de 90 artistas de 25 países, a fundação foca-se, sobretudo, na arte contemporânea e já esteve presente em certames como a ARCO (Madrid), a Bienal de Veneza (Itália) ou o Espaço OCA, em S. Paulo (Brasil).

Em Março de 2015, antes de apresentar no Porto a exposição You love me, you love me not, Sindika Dokolo recebeu da câmara a medalha municipal de Mérito, Grau Ouro. (Jornal Público – 19.Jan.2016)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Woodstock 1969.


The Woodstock Festival was a music festival, billed as "An Aquarian Exposition: 3 Days of Peace & Music". It was held at Max Yasgur's 600-acre dairy farm in the Catskills near the hamlet of White Lake in the town of Bethel, New York, from August 15 to August 18, 1969. Bethel, in Sullivan County, is 43 miles (69 km) southwest of the town of Woodstock, New York, in adjoining Ulster County.

During the sometimes rainy weekend, thirty-two acts performed outdoors in front of 500,000 concert-goers. It is widely regarded as a pivotal moment in popular music history. Rolling Stone listed it as one of the 50 Moments That Changed the History of Rock and Roll.









(Retirado de Vintage everyday)








quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Morreu o pianista e compositor de jazz Paul Bley.


Natural do Canadá, é descrito como "um dos mais criativos improvisadores da história do jazz moderno".
O pianista canadiano Paul Bley morreu no domingo, aos 83 anos, revelou hoje a editora discográfica ECM Records, que o descreveu como "um dos mais criativos improvisadores da história do jazz moderno".
Paul Bley, que atuou várias vezes em Portugal, nasceu em 1932, em Montreal, onde formou o primeiro grupo de jazz, aos 13 anos, mas pouco depois mudou-se para os Estados Unidos, para prosseguir estudos e consolidar uma carreira que se estende por sete décadas.
"Bley envolveu-se naquilo que mais tarde ficou conhecido como 'free jazz', embora nessa altura tenha sentido que a estética desse jazz primordial podia e devia ser incluído numa nova e revolucionária corrente artística", sublinha a editora ECM num texto publicado na página oficial.
Paul Bley também mostrou desde cedo um "interesse pioneiro" sobbre as potencialidades dos sintetizadores e piano elétrico, como refere a editora, que lhe valeu um reconhecimento até pela Sociedade Americana de Física, pela adaptação de sintetizadores áudio para uma apresentação ao vivo, em 1969.
O músico, casado com a compositora Carla Bley, tem o nome associado a outros nomes fundamentais do jazz, como Ornette Coleman, Charlie Parker, Charles Mingus, Art Blakey e Chet Baker, e participou em mais de uma centena de álbuns.
O primeiro álbum a solo foi editado nos anos 1970, precisamente pela ECM. O último saiu em 2014, intitulado "Play Blue", gravado ao vivo em 2008, no Festival de Jazz de Oslo.
Entre as atuações De Paul Bley em Portugal, a solo ou com diferentes formações, conta-se a presença em trio, em 1997, e os concertos a solo, em Lisboa, em 2000, no Centro Cultural de Belém, e em 2009, na Culturgest.

Nesse ano, quando foi anunciado o concerto, o crítico e compositor Manuel Jorge Veloso escrevia na programação da Culturgest: "Com a possível excepção de um Miles Davis, ele foi dos poucos músicos de jazz que sempre estiveram na primeira fila das grandes mudanças qualitativas do jazz, permitindo-lhe a sua inteligência e sensibilidade estética integrar acontecimentos musicais de teor e significado muito diverso". (DN – 6.Jan.2016)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A tradição ainda é o que era... na praia de Carvavelos.


Centenas de pessoas cumpriram a tradição com mais de 50 anos e tomaram o primeiro banho de mar do ano
Apesar do forte vento e agitação marítima, centenas de pessoas juntaram-se ao início da manhã na praia de Carcavelos, em Lisboa, para o primeiro banho do ano, cumprindo uma tradição com mais de meio século.
Trajados de pai e mãe natal, de prisioneiro 33 (alusivo ao número do prédio onde vive o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que esteve detido em prisão domiciliária, depois de ter cumprido a prisão preventiva em Évora), ou vestindo imitações de fatos de banho antigos ou de bandeiras de Portugal e de clubes desportivos, dezenas de pessoas venceram o frio e vento e mergulharam no agitado mar de Carcavelos.

Na praia, os bombeiros estavam de prevenção e, junto à zona escolhida para mergulhos, alguns homens tocavam acordeão, junto a umas bancas montadas recheadas com frango assado, bolinhos, batatas fritas ou vinho tinto e pão. (DN-1 Janeiro 2016)

domingo, 27 de dezembro de 2015

Os mais belos livros do ano.


Fim do ano é tempo de balanço. E eu abalanço-me aqui a escolher os livros mais belos do ano. São todos óptimas prendas de Natal de última hora. Como não há bela sem senão, o seu preço é maior do que a média. Pois que a sugestão de livros mais dispendiosos fique como um sinal do desaperto do cinto. Ouço dizer que vem aí a reposição gradual dos salários e da sobretaxa de IRS. Fico, como toda a gente, satisfeito com o anúncio e mais disposto a abrir, nas livrarias, os cordões à bolsa. O certo é que, conforme me lembram os pontuais extractos, o meu banco ainda não sabe desse fim da austeridade. Mas eu quero lá saber se, ao comprar um belo livro para mim ou para oferecer, o saldo fica mais baixo... Investir em belos livros é investir na beleza e a beleza é sempre consoladora. A ordem é a alfabética do apelido dos autores (o título parcialmente em inglês indica que a edição é bilingue).
– Pepe Brix, Os Últimos Heróis. The Last Heroes, Matéria-Prima Edições. Este livro de fotografias ilustra a odisseia dos pescadores portugueses a bordo do arrastão Joana Francesa, um dos últimos bacalhoeiros nacionais, nos mares frigidíssimos da Terra Nova. Em parte saiu na National Geographic Portugal de Fevereiro passado. Mas a reportagem, alargada e em grande, é outra coisa. Passei a olhar o bacalhau com outros olhos. Patrocínio da Riberalves e apoio do Museu Marítimo de Ílhavo, que exibe um aquário de bacalhaus.
– Hélder Carita e António Homem Cardoso, A Casa Senhorial em Portugal. Modelos, Tipologias, Programas Interiores e Equipamento, Leya. Lançado há dias numa das casas senhoriais mais belas de Portugal, o Palácio dos Marqueses de Fronteira, em Lisboa, um historiador de arte e um dos fotógrafos portugueses mais conhecidos mostram, sob a égide da Associação Portuguesa de Casas Antigas, o exterior e o interior de algumas dessas mansões. Os autores já nos tinham dado edições de luxo como Oriente e Ocidente nos Interiores em Portugal (Civilização) e Tratado da Grandeza dos Jardins de Portugal (Círculo de Leitores) e esta é mais uma, para se sobrepor a elas na mesa do café.
– Miguel Claro, Dark Sky. Alqueva. O Destino das Estrelas. A Star Destination, Centro.Atlântico.pt. Neste Ano Internacional Da Luz (notícia de última hora: vai, em Portugal, ser estendido até Junho) um livro de um astrofotógrafo português de reputação internacional que documenta a Reserva “Dark Sky” do Alqueva, a primeira reserva mundial certificada como Destino Turístico Starlight. Imagens avassaladoras que nos vêm de longe vistas do grande lago alentejano!
– Umberto Eco, História das Terras e dos Lugares Lendários, Gradiva. O historiador e escritor italiano, autor de O Nome da Rosa, brinda-nos com mais uma das suas belas obras, que junta erudição e rica iconografia. Quem gostou da História da Beleza ou da História do Feio ou ainda de A Vertigem das Listas (todos eles saídos na Difel) não pode perder este roteiro dos lugares maiores que a pródiga imaginação humana criou.
– Mário Ruivo (coordenação), Do Mar Oceano ao Mar Português. From the Mar Oceano to the Portuguese Sea, Edições CTT e Centro Nacional de Cultura. Um renomado cientista do mar português coordenou, para este cuidado volume dos Correios de Portugal (como é timbre desta instituição), um conjunto de textos ricamente ilustrados sobre a nossa antiga e íntima relação com o mar, que vão da história à gastronomia. Inclui uma colecção de selos.
– Peter Sís, O Piloto e o Principezinho. A vida de Antoine de Saint-Exupéry,Jacareca. Um autor premiado de livros infantis encanta-nos com o extraordinário design de uma biografia do autor de O Principezinho (que, pesem embora os seus 72 anos, permanece actualíssimo, como mostra a sua recente adaptação ao cinema em desenhos animados). Eu já conhecia aÁrvore da Vida, a biografia de Darwin distinguida como melhor álbum ilustrado do ano pelo The New York Times, mas com o novo livro fiquei rendido ao artista norte-americano nascido na Checoslováquia.
– Vários, O Círculo Delaunay. The Delaunay Circle, Centro de Arte Moderna, Gulbenkian. Ainda no Ano da Luz é publicado o catálogo de uma extraordinária exposição de Sonia e Robert Delaunay, o casal de pintores franceses (ela vinda da Ucrânia) que em Junho de 1915 se estabeleceu em Vila do Conde para fugir aos horrores da guerra que grassava na Europa, tendo convivido com pintores como Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana e José de Almada Negreiros. Lembro que Sonia Delaunay foi alvo de uma exposição recente na Tate Modern em Londres. Para ficar espantado com as suas composições de cor, basta ir à Fundação Gulbenkian à exposição comissariada por Ana Vasconcelos.
Boas leituras e Boas Festas!

Professor universitário (tcarlos@uc.pt) - Jornal Público - 27.Sez.2015

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Portugal - Um dia de cada vez.



O retrato do Portugal em crise que vive por detrás dos montes, num documentário ao estilo de João Canijo, cheio de histórias para contar.
 efeitos devastadores da grave crise económica são um tema urgente no cinema português, numa compreensível vinculação do artista ao seu tempo, à sua circunstância e ao mundo em redor. Tal transparece de forma gritante n'As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes; tal como neste Portugal - Um Dia de Cada Vez, de João Canijo e Anabela Moreira, a primeira parte de um longo projeto que pretende fazer uma espécie de radiografia de um país em crise. Os registos são distintos e, de alguma forma, complementares. Miguel Gomes opta por um realismo onírico, passe-se a contradição, em que a fantasia e a realidade convivem lado a lado, com cruzamentos ocasionais, e muitas vezes ao serviço de um experimentalismo narrativo e cinematográfico. Canijo e Moreira optam por um estilo mais clássico, num documentário mais cru, objetivo e eficaz. Portugal - Um dia de Cada Vez confronta-nos com pedaços de realidade não filtrada (na aparência) de famílias de aldeias e vilas do interior transmontano.
Os realizadores mostra-nos que esse documentarismo de proximidade manifesta-se numa forma íntima de contar histórias. E, como acontece sempre com João Canijo, o registo é profundamente cinematográfico e artístico, afastando-se radicalmente, por exemplo, da assinalável experiência televisiva da série de documentários Portugal, Um Retrato Social.
Tal acontece por uma questão de postura, em que se dá a primazia ao cinema e sua subjetividade inerente, e não a uma responsabilidade científica que obriga a escolher casos exemplares sociologicamente pertinentes. O filme de Canijo e Moreira obedece antes a preceitos artísticos e estilísticos e não científicos.
Logo à partida há uma opção por um estilo de documentário não participante, em que as personagens comportam-se como personagens de ficção, abstraindo-se da câmara, dando-nos a sensação de que estar perante a sua vida sem artificialismos. Tão pouco há uma contextualização narrativa em voz off ou através de separadores. Tal como havia feito através da montagem de imagens de arquivo em Fantasia Lusitana, aqui as imagens falam por si, sem recursos a qualquer subterfúgio para além da edição.
Por outro lado, dentro da aparente abrangência de retratos, que vai desde uma escola de província onde se aprende francês, à romena que trabalha na vinha em redor de Vila Nova de Foz Côa, permanece o fascínio pelo universo feminino, que é uma imagem de marca de João Canijo ao longo de quase toda a sua filmografia. Também este Portugal - Um Dia de Cada Vez é um filme de mulheres, em que os homens aparecem como meros figurantes das suas história. Certamente há uma inquietação sobre a profundidade do universo feminino, mas talvez também haja neste caso a intenção de fazer sobressair a ideia de mátria, tão forte também no Portugal contemporâneo.

retirado de: https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=jornal+de+Letras