O
centro comercial Arcade Providence, em Rhode Island, construído em
1828, é o mais antigo dos EUA. Em 2008, fechou as portas devido à crise
económica e ao número insuficiente de clientes. Para não perder este
edifício histórico, considerado monumento nacional em 1971, o grupo Northeast
Collaborative Architects (NCA) decidiu dar-lhe uma segunda vida,
transformando o segundo e terceiro pisos em pequenos apartamentos de luxo, com
rendas low cost. Segundo o blog americano Inhabitat, são 48
apartamentos, cujas dimensões variam entre os 20 e os 40 metros quadrados. Já
existe uma longa lista de espera para aqueles que anseiam viver nestes
micro lofts, dentro de um monumento histórico. (Jornal Público – 25.Jan.2015)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Morreu Ettore Scola, um dos grandes do cinema italiano.
O
realizador italiano Ettore Scola morreu esta terça-feira, aos 84 anos. O
realizador de Tão Amigos Que Nós Éramos (1974) e de Feios,
Porcos e Maus(1976) e Um Dia Inesquecível (1977) estava internado
desde domingo em Roma, revelou a agência italiana ANSA. Era considerado o
último dos grandes realizadores da "comédia italiana", categoria que
é sempre limitativa, que até foi uma denominação criada com algum sentido
pejorativo, e que na verdade diz pouco do que fizeram todos os que a cultivaram
ou que por lá passaram - Monicelli, Risi, Comencini, Scola...
Em
2011, tinha posto fim à sua carreira cinematográfica mas em
2013 apresentou no Festival de Veneza Che strano chiamarsi Federico/Que
Estranho Chamar-se Federico, filme-homenagem ao
seu amigo Federico Fellini com imagens de arquivo. Numa
entrevista ao jornal Il Tempo, em 2011, afirmava que dizia adeus ao cinema
"sem se arrepender de nada" depois de uma carreira de mais de 50 anos
e mais de 40 filmes realizados. Explicou na altura já não se sentir
sincronizado com a indústria cinematográfica.
"A
minha experiência no mundo da realização já não é o que costumava ser:
descontraída e feliz. Hoje há lógicas de produção e distribuição com as quais
não me identifico", contou nessa entrevista o realizador, acrescentando
que no cinema é fundamental ter-se liberdade de escolha. "Estava a começar
a sentir-me obrigado a respeitar regras que não me permitiam sentir
livre",afirmou
nessa entrevista de 2011.
Estava
desiludido, acreditava que já não havia lugar para a criatividade como
antigamente. "A crise económica ainda veio agravar mais a situação. Tendo
em conta a minha idade, sei que fiz o que devia. Não me arrependo de nada.
Trabalhei sempre com uma grande liberdade. Numa certa altura, chega o momento
em que o melhor a fazer é retirar-me", acrescentou.
Já
antes, em 2009, Scola dizia estar num momento da vida em que o cinema
contemporâneo já pouco lhe dizia. “Prefiro gozar da minha velhice”, afirmou ao La
Repubblica, garantindo estar a viver “um momento belíssimo”.
Ettore
Scola nasceu a 10 de Maio de 1931, em Trevico, Itália. Depois da Segunda Guerra
Mundial foi viver para Roma, onde estudou Direito. Contudo, o gosto pela
escrita criativa e pelo cinema foi mais forte e, em 1953, iniciou a sua
carreira na indústria cinematográfica como argumentista, depois de ter
trabalhado como humorista em algumas revistas - meio onde conheceria Fellini, e
é sobre esses anos que fala Que Estranho Chamar-se Federico. Durante uma
década, contribuiu com material para inúmeros filmes de Dino Risi e de outros
realizadores, tendo colaborado frequentemente com Ruggero Maccari,
destacando-se desta parceria a comédia Il Magnifico Cornuto (1964),
com Claudia Cardinale. Em 1964, estreou-se como realizador com Se
permettete parliamo di donne.
O
sucesso internacional chegou em 1974 com Tão Amigos Que Nós Éramos,
retrato da sociedade italiana no pós-guerra, dedicado ao seu amigo, actor e
realizador Vittorio de Sica, com Nino Manfredi, Vittorio Gassman e Stefania
Sandrelli. (Valerá a pena compará-lo com outro balanço geracional, o Amici
Miei, de Monicelli, realizado um ano depois: o romantismo de Scola, sempre em
tons fúnebres, é a outra face da moeda da vitalidade guerrilheira de Monicelli).
Dois anos depois, venceu o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes,
com Feios, Porcos e Maus, talvez o seu título mais conhecido.
Mas o seu grande classico é Um dia
Inesquecível (1977), protagonizado por Sophia Loren e Marcello
Mastroianni, que interpretam dois vizinhos que se conhecem em 1938 durante uma
visita de Hitler a Itália. Eis um exemplo de como a "comédia à
italiana" é coisa redutora: sublime melodrama, história de amor impossível
entre uma dona de casa e um homossexual num apartamento fechado - filmado numa
das "relíquias" da arquitecura fascista de Roma - Um dia
Inesquecível foi nomeado para dois Óscares: Melhor Filme Estrangeiro e
Melhor Actor (Mastroianni). A melancolia, o amor como coisa funesta, são
sentimentos de Passione d'Amore (1981), dois anos antes de um dos
sucessos da sua carreira, O Baile. (Jornal Público – 20.Jan.2016)
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Casa Manoel de Oliveira vai ser a sede da Fundação Sindika Dokolo na Europa.
A
Casa Manoel de Oliveira, no Porto, vai ser a sede na Europa da Fundação Sindika
Dokolo. O edifício construído por Eduardo Souto de Moura para o cineasta, mas
que nunca foi usado, foi vendido esta segunda-feira por 1,58 milhões de euros a
uma empresa denominada Supreme Treasures, Ld.ª, ligada à empresária angolana
Isabel dos Santos, casada com Sindika Dokolo. Em comunicado, o empresário diz
que o edifício será “um espaço de reflexão e aprendizagem para jovens artistas”
No
ano passado, a Fundação Sindika Dokolo apresentou no Porto a exposiçãoYou
love me, you love me not, e no
momento do balanço foi revelado que a fundação pretendia instalar na
cidade a sua nova “antena mundial”. Na altura, a Casa Manoel de Oliveira era
apontada como uma das possibilidades para a instalação desse braço da estrutura
cultural de Sindika Dokolo, a par com o Palacete Pinto Leite ou o Palácio das
Artes da Fundação da Juventude. Agora, o empresário confirma que a escolha
recaiu sobre a casa que Manoel de Oliveira nunca usou.
“Ao
estabelecermo-nos num edifício como a Casa Manoel de Oliveira, em plena Foz
portuense, estamos a afirmar a nossa intenção em contribuir para tornar o Porto
ainda mais cosmopolita e mais cultural. Neste espaço vamos promover redes de
reflexão artística e fortalecer laços entre Portugal e Angola, a Europa e
África, numa ode à Arte enquanto elemento unificador de povos e países”,
referiu Sindika Dokolo, num comunicado enviado ao PÚBLICO.
Na
hasta pública, que decorreu na manhã desta segunda-feira nos Paços do Concelho,
a Supreme Treasures esteve representada pelo advogado Diogo Duarte Campos, que,
segundo a Lusa, não quis prestar quaisquer esclarecimentos sobre os rostos por
trás da empresa, invocando o “dever de sigilo profissional”. Contudo, de acordo
com os registos oficiais, a empresa, constituída em Setembro do ano passado,
com o curto capital de mil euros, tem como gerente Mário Filipe Moreira Leite
da Silva, que representa os interesses de Isabel dos Santos nos negócios
europeus.
Ao
longo do dia, a Câmara do Porto garantiu sempre desconhecer quem comprara a
casa e qual o uso que lhe seria dado e, depois da confirmação de Sindika Dokolo
de que o edifício seria a sede da sua fundação na Europa, o presidente Rui
Moreira não esteve disponível para comentar, por se encontrar numa reunião de
trabalho sobre o futuro da STCP. Contudo, de manhã, questionado pelos
jornalistas à saída dos Paços do Concelho, Rui Moreira disse que gostaria que a
casa tivesse uma “componente cultural”, mostrando-se aliviado por se resolver o
problema do “abandono” do edifício.
"É
uma casa da autoria de Souto de Moura, portanto tem desde logo um impacto
relevante na cidade do ponto de vista arquitectónico e era um activo que estava
perdido porque o uso para que foi concebido nunca foi concretizado e não foi
com certeza por culpa da câmara municipal", disse.
A
Casa Manoel de Oliveira, composta por duas fracções, foi construída há quase
duas décadas com o objectivo de ser a casa do cineasta e também um espaço de
exposição do seu espólio. Contudo, o projecto avançou sem um acordo prévio
entre a autarquia e o realizador de Aniki-Bóbó, quanto às condições de uso
do imóvel, e desde a sua conclusão, em 2003, que o edifício permanece devoluto.
Em
2007, Manoel de Oliveira acusou o executivo de Rui Rio do fracasso da
constituição da casa-museu e já em 2013, a Fundação
de Serralves e a sua família assinaram um protocolo para instalar o espólio do
cineasta num edifício que será idealizado pelo arquitecto Álvaro Siza para o
Parque de Serralves. Em 2014, a Câmara do Porto, já sob a presidência de Rui
Moreira, tentou vender o imóvel pela primeira vez, mas a hasta pública ficaria
deserta.
Agora,
o edifício irá receber a sede da fundação criada em 2003 na capital angolana,
Luanda, com o objectivo de promover a arte. Com um espólio de cerca de três mil
obras, da autoria de 90 artistas de 25 países, a fundação foca-se, sobretudo,
na arte contemporânea e já esteve presente em certames como a ARCO (Madrid), a
Bienal de Veneza (Itália) ou o Espaço OCA, em S. Paulo (Brasil).
Em Março de 2015, antes de
apresentar no Porto a exposição You love me, you love me not, Sindika
Dokolo recebeu da câmara a medalha municipal de Mérito, Grau Ouro.
(Jornal Público – 19.Jan.2016)
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Woodstock 1969.
The Woodstock Festival was a
music festival, billed as "An Aquarian Exposition: 3 Days of Peace & Music".
It was held at Max Yasgur's 600-acre dairy farm in the Catskills near the
hamlet of White Lake in the town of Bethel, New York, from August 15 to August
18, 1969. Bethel, in Sullivan County, is 43 miles (69 km) southwest of the town
of Woodstock, New York, in adjoining Ulster County.
During
the sometimes rainy weekend, thirty-two acts performed outdoors in front of
500,000 concert-goers. It is widely regarded as a pivotal moment in popular
music history. Rolling Stone listed it as one of the 50 Moments That
Changed the History of Rock and Roll.
(Retirado de Vintage everyday)
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Morreu o pianista e compositor de jazz Paul Bley.
Natural
do Canadá, é descrito como "um dos mais criativos improvisadores da
história do jazz moderno".
O
pianista canadiano Paul Bley morreu no domingo, aos 83 anos, revelou hoje a
editora discográfica ECM Records, que o descreveu como "um dos mais
criativos improvisadores da história do jazz moderno".
Paul
Bley, que atuou várias vezes em Portugal, nasceu em 1932, em Montreal, onde
formou o primeiro grupo de jazz, aos 13 anos, mas pouco depois mudou-se para os
Estados Unidos, para prosseguir estudos e consolidar uma carreira que se
estende por sete décadas.
"Bley
envolveu-se naquilo que mais tarde ficou conhecido como 'free jazz', embora
nessa altura tenha sentido que a estética desse jazz primordial podia e devia
ser incluído numa nova e revolucionária corrente artística", sublinha a
editora ECM num texto publicado na página oficial.
Paul
Bley também mostrou desde cedo um "interesse pioneiro" sobbre as
potencialidades dos sintetizadores e piano elétrico, como refere a editora, que
lhe valeu um reconhecimento até pela Sociedade Americana de Física, pela
adaptação de sintetizadores áudio para uma apresentação ao vivo, em 1969.
O
músico, casado com a compositora Carla Bley, tem o nome associado a outros
nomes fundamentais do jazz, como Ornette Coleman, Charlie Parker, Charles
Mingus, Art Blakey e Chet Baker, e participou em mais de uma centena de álbuns.
O
primeiro álbum a solo foi editado nos anos 1970, precisamente pela ECM. O
último saiu em 2014, intitulado "Play Blue", gravado ao vivo em 2008,
no Festival de Jazz de Oslo.
Entre
as atuações De Paul Bley em Portugal, a solo ou com diferentes formações,
conta-se a presença em trio, em 1997, e os concertos a solo, em Lisboa, em
2000, no Centro Cultural de Belém, e em 2009, na Culturgest.
Nesse ano, quando foi anunciado
o concerto, o crítico e compositor Manuel Jorge Veloso escrevia na programação
da Culturgest: "Com a possível excepção de um Miles Davis, ele foi dos
poucos músicos de jazz que sempre estiveram na primeira fila das grandes
mudanças qualitativas do jazz, permitindo-lhe a sua inteligência e
sensibilidade estética integrar acontecimentos musicais de teor e significado
muito diverso". (DN – 6.Jan.2016)
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
A tradição ainda é o que era... na praia de Carvavelos.
Centenas de pessoas
cumpriram a tradição com mais de 50 anos e tomaram o primeiro banho de mar do
ano
Apesar do forte vento e
agitação marítima, centenas de pessoas juntaram-se ao início da manhã na praia
de Carcavelos, em Lisboa, para o primeiro banho do ano, cumprindo uma tradição
com mais de meio século.
Trajados de pai e mãe
natal, de prisioneiro 33 (alusivo ao número do prédio onde vive o
ex-primeiro-ministro José Sócrates, que esteve detido em prisão domiciliária,
depois de ter cumprido a prisão preventiva em Évora), ou vestindo imitações de
fatos de banho antigos ou de bandeiras de Portugal e de clubes desportivos,
dezenas de pessoas venceram o frio e vento e mergulharam no agitado mar de
Carcavelos.
Na praia, os bombeiros
estavam de prevenção e, junto à zona escolhida para mergulhos, alguns homens
tocavam acordeão, junto a umas bancas montadas recheadas com frango assado,
bolinhos, batatas fritas ou vinho tinto e pão. (DN-1 Janeiro 2016)
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