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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Na América, já se pode viver dentro de um shopping.


O centro comercial Arcade Providence, em Rhode Island, construído em 1828, é o mais antigo dos EUA. Em 2008, fechou as portas devido à crise económica e ao número insuficiente de clientes. Para não perder este edifício histórico, considerado monumento nacional em 1971, o grupo Northeast Collaborative Architects (NCA) decidiu dar-lhe uma segunda vida, transformando o segundo e terceiro pisos em pequenos apartamentos de luxo, com rendas low cost. Segundo o blog americano Inhabitat, são 48 apartamentos, cujas dimensões variam entre os 20 e os 40 metros quadrados. Já existe uma longa lista de espera para aqueles que anseiam viver nestes micro lofts, dentro de um monumento histórico. (Jornal Público – 25.Jan.2015)







quarta-feira, 10 de junho de 2015

NetFlix vem aí. Canais já pensam em novas formas de dar televisão.


Serviço de TV por internet chega em outubro, a partir de 7,99 euros. Mais um operador que irá pôr os outros players a emitir os conteúdos no PC, smartphone, tablet ou smart TV.
A chegada do NetFlix, em outubro deste ano, irá obrigar os players do mercado da televisão a encontrar novas formas de distribuir os seus conteúdos. Esta é a principal ideia defendida, ao DN/Dinheiro Vivo por vários responsáveis do setor.
O diretor de programação da RTP, Nuno Artur Silva, diz que a chegada deste serviço de distribuição de conteúdos através da internet era "inevitável". Mas "positiva, porque vai obrigar a uma maior disponibilidade de conteúdos e diferentes formas de distribuição".
Isso mesmo defende Nuno Santos, observador atento do mercado da televisão nos artigos que publica ao domingo no DN, que diz que o NetFlix "obrigará todos os players do mercado a acelerar a reflexão que estão a fazer sobre como distribuir os conteúdos."
Para o também diretor de conteúdos da Multichoice (maior plataforma de TV do continente africano), "as novas plataformas são outro instrumento para as televisões".
É também a opinião de Luís Mergulhão, CEO do Omnicom Media Group, que aponta o caso da Media Capital (que detém a TVI), que anunciou recentemente uma plataforma online com a programação do último mês.
Este, tal como outros operadores, já perceberam que "há muitos portugueses a subscreverem conteúdos pagos pela internet, com acesso mais rápido, e que não passam pelos canais aéreos ou de cabo", explica o CEO de um dos maiores grupos de compra de espaço publicitário nos media.
Embora não venha revolucionar o meio, o "NetFlix irá fazer que se perceba que Meo e Nos não estão sozinhos neste meio, nem que têm o exclusivo dos conteúdos de entretenimento", reforça o responsável.
Em comunicado o NetFlix anuncia que, "a partir do outono, os utilizadores de internet em Portugal vão poder fazer a assinatura da NetFlix e assistir a uma ampla seleção de séries de TV e filmes em alta definição ou até mesmo em Ultra HD 4K, em quase todos os ecrãs ligados à internet."
Daí que Luís Mergulhão insista: "O NetFlix é mais um um operador numa oferta cada vez maior", mas sem revoluções. Como a internet permite um acesso rápido, este operador "vai acelerar os conteúdos pagos através de diversas plataformas", remata.
Já no caso do operador público RTP, o NetFlix vem lançar novos desafios. Para Nuno Artur Silva, "uma coisa é disponibilizar conteúdos, outra é ter de escolher programação". Por outro lado, irá fazer a divisão entre fluxo televisivo e stock. "Antigamente tudo coexistia nos canais - séries, filmes, even-tos -, hoje há cada vez mais uma separação", assinala o diretor de programas da RTP.
O NetFlix vai, aponta Artur Silva, "tornar obsoletas conversas como a comparação de shares entre canais", além de "nos fazer pensar como vão sobreviver os canais abertos, nomeadamente o posicionamento do canal público". Mas o seu antecessor, Nuno Santos, indica uma pista: "A TV free-to-air ainda é e será o grande polo de investimento publicitário, até porque o NetFlix não tem um modelo baseado em publicidade." Isso mesmo assume o NetFlix em comunicado: "Os assinantes podem ver, fazer pausas e retomar as séries e os filmes, através de vários dispositivos, sempre sem publicidade ou compromisso de permanência."
Ainda que a marca seja "aspiracional" e que, "por norma, os portugueses sejam muito recetivos a "inovações"", Nuno Santos destaca que "o conteúdo é a chave, mesmo com um preço atrativo".
Em França, o serviço-base do NetFlix custa 7,99 euros. Para dois ecrãs o custo é de 8,99 euros e para quatro ecrãs em alta definição o preço é de 11,99 euros.
Isto para conteúdos que incluem séries originais como o Demolidor da Marvel, Sense8, Bloodline, Grace and Frankie, Unbreakable Kimmy Schmidt ou Marco Polo; documentários como Virunga, Mission Blue ou Chef"s Table; bem como vários especiais de stand-up comedy. A oferta NetFlix inclui também programação infantil e filmes originais. E todos os programas serão legendados em português.
"Este é mais um passo para a "complexificação" de um mundo que já é interessante", remata Nuno Artur Silva.

O DN/Dinheiro Vivo tentou o contacto com o Meo, Nos e Vodafone, outros concorrentes do Netflix, mas não obteve qualquer resposta até à hora de fecho desta edição. (DN/Dinheiro Vivo)

sexta-feira, 5 de junho de 2015

10 truques do Google que provavelmente não conhece.


Os programadores do Google estão sempre a inovar e, de vez em quando, criam uns truques que nem sempre são do conhecimento geral. Há jogos escondidos, há atalhos muito práticos e, até, algumas inutilidades só porque sim... Veja os 10 truques que descobrimos:

1. Funciona como cronómetro

Está a trabalhar e precisa de um lembrete para fazer um telefonema ou para sair a tempo de ir buscar os miúdos à escola. Pode usar o Google como cronómetro. Só tem de usar a frase "set timer to x minutes (and x seconds)" substituindo o "x" pelos minutos e segundos que desejar.

2. Procurar num só site

Por vezes, queremos encontrar determinado assunto que sabemos que lemos em determinado site, mas a busca no Google por palavras dá um milhão de resultados e o que procuramos não está à vista. O código para procurar apenas dentro do site que queremos é simples. Por exemplo, para pesquisar apenas no Dinheiro Vivo tudo o que já se publicou sobre "impostos", escreva no Google "site: Dinheiro Vivo impostos".

3. Saber estado do voo

Está atrasado, não sabe se chega a tempo do voo e também não sabe se vale a pena correr porque pode haver atrasos? Bem, o Google também lhe diz como está o estado do seu voo. Experimente: o voo Porto-Lisboa com a Ryanair tem o código FR1671. É só introduzir o código no Google e fica a saber.

4. Decidir o que comer

Será que a pizza engorda mais do que um hamburguer? Em caso de dúvida, é só digitar "pizza vs hamburguer" no Google e terá imediatamente o quadro nutricional dos dois alimentos para comparação. Tudo o que quiser diigitar terá de ser em inglês, embora no caso do exemplo, as palavras sejam iguais em português.

5. Previsão do tempo

É claro que há uma imensidão de sites que lhe dizem a previsão do tempo, mas se estiver com pressa o Google dá uma ajuda. É só digitar o nome da cidade seguido de "forecast" (previsão, em inglês) e o resultado é instantâneo.

6. Alimentar a nostalgia com jogos

Este truque estava bem escondido pelos engenheiros brincalhões do Google. Sabia que se escrever "Atari Breakout" na pesquisa de imagens do Google, pode matar saudades do velhinho jogo de consola? No Google há ainda outro jogo escondido: escreva "zerg rush" e divirta-se a "matar" os zeros antes que lhe "comam" os resultados...

7. Conversões instantâneas

Quilómetros para milhas, gramas para onças, euros para dólares, libras para euros e outras conversões chatas e traiçoeiras já não precisam de cálculos complicados. Mais uma vez, terá de saber os termos em inglês para digitar, mas o Google dá-lhe o resultado num segundo. Tente "meters to miles" (metros para milhas) ou "grams to pounds" (gramas para onças), "euro to dollar" (euro para dólar) ou "pounds to euro" (libras para euros), para citar apenas algumas das conversões mais frequentes.

8. Tradução rápida

Para textos maiores, existe o Google Translate, mas quando queremos apenas uma frase ou uma expressão mais rapidamente, é só escrever, por exemplo, "portuguese to japanese" e surgem os campos onde poderá escrever a expressão em português do lado esquerdo e obter o resultado em japonês do lado direito. Ou vice-versa, copiou uma expressão em japonês, cola do lado direito e obtém o resultado em português.

9. Inclinar o ecrã

Não, não é um truque prático, mas sempre diz algo do sentido de humor dos programadores do Google. Escreva "tilt" e veja o que sucede ao ecrã.

10. Controlar o sol


É daquelas informações que pode dar trabalho a encontrar: saber, por exemplo, a que horas está a nascer o dia e a que horas é o pôr do sol no nosso destino de férias. O Google responde imediatamente. É só escrever "sunrise in (nome da cidade)" ou "sunset in (nome da cidade)". Experimente. (DN-Dinheiro Vivo – 5.Jun.2015)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

View-Master regressa através de parceria entre Mattel e Google.


O famoso dispositivo para visionamento de diapositivos está de volta, adaptado à era digital. Será lançado em Outubro.
Os maiores de trinta anos lembram-se certamente do View-Master, os "óculos" que nos permitiam ver diapositivos, ou melhor, que nos permitiam entrar diapositivo dentro, em visão estereoscópica. Apresentado originalmente em 1939, popular em Portugal algumas décadas depois, terá uma versão digital no mercado em Outubro deste ano, fruto da parceria entre a Google e a Mattel, passando de protótipo a verdadeiro dispositivo de realidade virtual.
Em vez das bobinas de cartão onde estavam dispostos os diapositivos contendo imagens de locais distantes ou fotos pessoais, o novo View-Master, apresentado sexta-feira na Feira Internacional do Brinquedo, em Nova Iorque, requer a utilização de um telemóvel Android que se encaixa no novo dispositivo, adoptado do design original, permitindo assim aceder às imagens descarregadas através da aplicação criada para o efeito – o Google Cardboard é a tecnologia utilizada.
Segundo a Mattel, foram vendidos 100 milhões dos View-Master originais, bem como 1,5 mil milhões de bobinas. “O nosso objectivo, usando esta nova tecnologia, é criar a marca View-Master para os próximos 75 anos”, afirmou àWired Doug Wadleighm, vice-presidente de Marcas Globais da Mattel. Tendo em conta que que o novo produto tem como alvo preferencial os consumidores em idade escolar (para além, obviamente, dos nostálgicos do velhinho View-Master), Wadleigh anunciou que também serão comercializadas bobinas em formato físico. “Os miúdos gostam de ter colecções que possam guardar no quarto”, justificou.
Este será apenas o primeiro passo da Mattel para, através da parceria com a Google, actualizar à era digital o seu vasto catálogo de brinquedos. “O nosso objectivo com a marca View-Master é tornar a realidade virtual acessível, fácil de utilizar, divertida, educativa e para toda a família”, referiu Wadleigh.
A jornalista da Wire Issie Lapowsky experimentou o novo dispositivo e viajou pelas ruas de São Francisco, passando pela prisão de Alcatraz, comparando a experiência a “ver o mundo em redor como uma fotografia gigante a 360 graus”. Visitou também por paisagens pré-históricas, observando um gigantesco Brontossauro em movimento, criado com tecnologia CGI.

O novo View-Master terá o preço de 29,99 dólares (26,33 euros). As bobinas serão vendidas em pacotes de quatro por 14,99 dólares (13,16 euros). Na altura do lançamento, será apenas compatível com Android. A versão para iOS a surgir algum tempo depois. (Jornal Público – 14.Fev.2015)


sábado, 21 de junho de 2014

A energia da inquietação.


Festa, alegria, violência, futuro, comprometimento, fragilidade. São as palavras e os significados que envolvem Artistas comprometidos? Talvez, a colectiva apresentada na Gulbenkian no âmbito do programa Próximo Futuro
Fundação Gulbenkian. Está cansado – “escapou” há minutos do calor da rua – mas visivelmente satisfeito e saúda os artistas que encontra pelo caminho, interrompendo-se aqui e ali para olhar a montagem final das obras. “Artistas comprometidos? Talvez”, a exposição que comissaria, no âmbito do programaPróximo Futuro, está quase pronta. A meio da sala, o artista moçambicano Celestino Mudaulane termina a sua pintura mural e ao fundo a instalação de Wum Botha parece concluída. Nas paredes, já se exibem as fotografias do franco-argelino Bruno Boudjelal, os estranhos e coloridos “retratos” do sul-africano Athi-Patra Ruga e a pintura do brasileiro Luiz Zerbini. No chão, algumas obras esperam a sua vez. Como já se tornou, presume-se, evidente, os artistas participantes nesta colectiva (ao todo são 21) não se subsumem a uma geografia. Há-os de diferentes continentes e países, o que denota uma coerência com os fins do programa Próximo Futuro e, neste, com a actividade de curadoria de António Pinto Ribeiro. Mas o que dizer do título? Que sentido tem a palavra “comprometidos”?
“Há aqui dois tipos de comprometimento”, diz o curador. “Um comprometimento com o legado artístico, com a arte, que considero profundo. E uma atitude que no meio das maiores vicissitudes, das maiores catástrofes, encontra espaço para a expressão de uma certa alegria, de uma ideia de festividade. Não se trata de uma regra, mas é substancial. É uma energia que os artistas canalizam para a expressão artística, para a criação das suas obras”. Alguns trabalhos tornam presente esse energia, Veja-se o tromp-l’oeilque espreita da pintura de Luiz Zerbini, a indeterminação colorida dos seres de Athi-Patra Ruga, as luzes e o movimento da instalação de Wum Botha. A cor e a diversidade de linguagens são aspectos que ressaltam e envolvem o visitante. E a par de pinturas, de esculturas e instalações, encontram-se filmes, pinturas murais, referências a cidades ou a lugares específicos (a costa do Norte de África, o Mediterrâneo, Maputo, as ruas de Joanesburgo), inclusive a outras artes (a BD). Como se articula toda esta diversidade, e o comprometimento que a atravessa, com a possibilidade de uma intervenção? “Nas conversas com os artistas, houve sempre um debate em torno do papel interventivo, quer da obra, quer do artista como cidadão. Que implicações surgem na produção contemporânea e na relação dessa produção com os cidadãos? As obras e actividades dos artistas desta exposição não são militantes ou panfletárias, mas partem de um programa individual, pessoal”.
Fragilizar a mediação
Algumas estratégias que ilustram a complexidade, bem como a singularidade, desses programas podem ser: evocar ou documentar um período negro da história de um país (é o que fazem o sul-africano Conrad Botes ou a guatemalteca Sandra Monterroso), confrontar a violência de uma sociedade (nas pinturas de Celestino Mudaulane, na proposta da artista brasileira Berna Reale) ou explorar narrativas da história política (Bouchra Khalili). Na maioria destes trabalhos, o que se evidencia não será um gesto de denúncia, menos ainda de activismo, mas uma inquietação provocada pelas condições sociais e políticas do real; inquietação que só se mostra, só emerge se transfigurada pela arte. Repare-se nas imagens de Bruno Boudjelal. Ao longe, parecem pinturas de paisagens e são paisagens o que vemos representado. Um olhar mais aproximado, permite descobrir outra coisa: são fotografias, tomadas, ofuscadas pela luz, da costa argelina e da costa da Europa do Sul que o artista fez durante uma série de viagens. A alusão às travessias do Mediterrâneo por jovens africanos que tentam chegar à Europa vai-se revelando. Escreve o artista no catálogo: “Virando as costas a África, diante das margens europeias de Espanha ou Itália, regressei aos locais onde embarcam estes migrantes clandestinos. Estas paisagens brancas fixam numa mesma fotografia o encandeamento da luz, o desaparecimento da paisagem e as construções da memória.”
Apesar da articulação entre temas próximos ou comuns, refira-se que grande parte dos artistas não se conhecia pessoalmente. “Não houve colaboração entre eles, mas existiu um processo de debate interno”, nota Pinto Ribeiro. “Houve conversas, leram-se textos, houve reflexão. Verificou-se um processo de partilha, com propostas e contra-propostas, trocas de imagens. E mostrei-lhes a história da exposição anterior, para terem uma perspectiva com que se pudessem relacionar”. O curador, embora participante, assumiu a fragilização da sua função, atitude que, no seu entender, modera a autoridade excessiva do mediador. Podemos intuir, na opção, uma crítica ao mundo da curadoria? “É hoje uma evidência o excesso de mediação entre os artistas, o público e as instituições. E isso tem uma razão de fundo que é grande diversidade e a ausência de cânones da arte contemporânea. Cabe muito do poder de selecção aos curadores. Mas o problema não são os curadores, e sim o excesso da sua influência e autoridade, que vai personificando um star-system”. A este problema, acrescem outros obstáculos que desvirtuam a produção artística: “Há muitas situações de promiscuidade entre curadores, responsáveis por colecções e críticos. E isso não é nada saudável para os artistas e as programações”.
Comprometimento com o futuro
Dos participantes em Artistas comprometidos? Talvez só se contam dois nomes portugueses: Pedro Barateiro e João Ferro Martins. Que conclusões se podem tirar desta parca representação? Que a inquietação que anima esta colectiva não é partilhada pela actual arte portuguesa? António Pinto Ribeiro admite que sim. “A responsabilidade não é, contudo, dos artistas. Eles estão inseridos num processo histórico onde o mercado e as galerias se lhes impõem, não permitindo outro tipo de orientações. Também não encontro essa inquietação na arte que se torna panfletária ou naïve. Há uma falta de comprometimento radical. O Pedro Barateiro e o João Ferro Marins, para mim, têm esse comprometimento com o futuro, com o devir, mas por razões que terão a ver com os limites de produção, tendem a fazer obras minimais, com escalas mais reduzidas”.
Uma escala reduzida é algo que não se encontra emTeoria, peça de Eduardo T. Basualdo, uma enorme rocha negra, suspensa sobre o foyer da Fundação. A sua localização inusitada (parece rasar as cabeças dos visitantes) e a sua queda latente (um fio segura-a ao tecto) interpelam quem passa. Primeiro, o receio face à possibilidade de uma catástrofe, logo a seguir o encontro com uma presença surreal, fantasiosa, plena de ilusão. Não é ferro ou granito o que a constitui, mas folha de alumínio. Entre a aparição violenta e a ironia, testemunha-se uma transfiguração semelhante à realizada pelas imagens de Bruno Boudjelal, com a diferença de que aqui é a relação entre os homens e os objectos, e menos entre os homens e os lugares, aquilo que o artista vem interrogar.

Regresse-se à sala principal. Acolhe filmes da autoria de Bouchra Khalili, de Miguel Jara, de Pedro Barateiro e Solon Ribeiro. Todos lidam com questões distintas, quanto muito contíguas: a performance, a montagem, a memória do cinema, a animação, a documentação. Em comum, sobressai um envolvimento com a cultura das imagens e os arquivos que ela vai construindo. Esse é também um aspecto relevante do projecto. Mas há outro que surge mais interpelador. A aparição da pintura mural, nas propostas de Conrad Botes, vindo da BD experimental, de Celestino Mudaulane (que tem apresentado desenhos e esculturas em edifícios devolutos de Maputo) e do mexicano Demián Flores, que retoma um “movimento” que marcou a história da arte do seu país. Pergunta “provocadora”: por que não levar estes trabalhos para o exterior, para o interior da cidade? “Isso seria um gesto de falsa rebeldia”, responde o curador. “Não faz sentido, neste contexto instalar e pintar um muro numa rua da cidade. Seria uma situação de extrema hipocrisia. Esta é uma exposição que decorre numa instituição. É mais transparente e honesto propor essas obras no interior da exposição, com os limites possíveis, do que ir para os subúrbios”. A presença ameaçadora de “Teoria”, do Eduardo T. Basualdo, sobre as nossas cabeças, no foyer da Fundação, parece dar razão ao curador. (Jornal Público)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Google Cultural Institute lança colecção de Street Art no seu arquivo de arte online.


A Google Cultural Institute, um arquivo online de exposições e colecções de todo o mundo, lançou esta terça-feira uma colecção de Arte Urbana que conta, em Portugal, com o apoio da Galeria de Arte Urbana de Lisboa.
Desta colecção faz parte o mural da rua das Murtas, em Lisboa, Rostos do Muro Azul, resultado de uma parceria da Google com a Galeria de Arte Urbana, refere um comunicado hoje divulgado.
 Promovido por esta galeria, em parceria com o Hospital Psiquiátrico de Lisboa, o projecto Rostos do Muro Azul continua a animar a rua das Murtas, em Lisboa, e estará disponível para todo o mundo através do Street Art Project.
Considerado um ícone da arte urbana na capital portuguesa, o mural é “uma apaixonante viagem por mais de um quilómetro de pinturas que têm o azul como cor dominante”.
Em Novembro último, este mural acolheu a edição do Writer’s Delight Burnersde 2013, organizado pela Dedicated Store Lisboa, com um trabalho colectivo de intervenientes alemães e nacionais. Mais recentemente, em Março passado, 29 artistas nacionais e internacionais intervencionaram 54 novas pinturas, naquela que é a sétima fase do projecto Rostos do Muro Azul.
“Neste arquivo de arte online será possível analisar com detalhe todas as obras de arte, conhecer melhor as origens deste movimento urbano e ainda descobrir como se está a utilizar esta técnica para revitalizar as cidades, por exemplo na Polónia”, refere uma nota informativa.
O Street Art Project possibilita também aos seus utilizadores uma visita guiada às origens do movimento graffiti em Nova Iorque nos anos 90. Para quem deseja ir até ao outro lado do oceano, é possível ainda comparar a natureza global da arte urbana produzida no México, onde existe uma grande tradição de pintura mural.
Permite igualmente conhecer os primeiros passos no contexto artístico das Filipinas, onde a arte urbana começa agora a florescer.
Street Art Project é uma iniciativa que congrega mais de 5 mil exemplares de obras de arte urbana de vários países e que tem o objectivo de conservar digitalmente as expressões artísticas que geralmente acabam por desaparecer nas cidades de todo o mundo.
A iniciativa reúne uma grande variedade de estilos e inspirações urbanas e algumas das obras que podem ser consultadas neste arquivo online da Google Cultural Institute correspondem a “autênticas formas de expressão e activismo político e social” em épocas turbulentas da história dos vários países que fazem parte do projecto.
Alguns exemplos são os trabalhos do português Alexandre Farto - mais conhecido por Vhils -, o surrealismo dos brasileiros Os Gémeos, ou ainda os retratos fotográficos a grande escala do francês JR.

O Street Art Project é a primeira iniciativa de captura digital de imagens de arte urbana e representa a união entre aquela que é considerada a plataforma online do presente, a Google, e aquela que é a expressão artística da actualidade, a arte urbana.  (Jornal Público – 10.06.2014)

sexta-feira, 28 de março de 2014

Oslo Abriu livraria que só vende "Livro do Desassossego" de Pessoa.


O escritor norueguês Christian Kjelstrup, que considera o "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, a melhor obra literária do mundo, decidiu abrir hoje no centro de Oslo a "Livraria do Desassossego", onde venderá exclusivamente aquele livro.
Em comunicado enviado à Lusa, a Casa Fernando Pessoa indica que Christian Kjelstrup, grande admirador não só da obra do heterónimo pessoano Bernardo Soares, como do resto da obra do escritor português, aproveitou a oportunidade única de arrendar apenas por uma semana um espaço comercial no centro da capital norueguesa para realizar aquele sonho antigo.
E, para dar um ambiente português à nova livraria, contará, ao longo de toda a semana, com a ajuda do emigrante português Joel Oliveira, que tocará, para os visitantes, a sua guitarra portuguesa.
No dia da inauguração, esta iniciativa do autor norueguês, que contou com o apoio da Embaixada de Portugal em Oslo, é já um êxito, refere a Casa Fernando Pessoa, tendo merecido uma reportagem no canal televisivo norueguês NRK, além de muitas referências e elogios nas redes sociais, que ainda não pararam de divulgar a 'pop-up store' (nome dado às lojas com tempo de vida limitado).
Na próxima segunda-feira, 31 de março, decorrerá a "Noite de Pessoa", a partir das 19:00 -- um evento que contará com a participação de algumas personalidades da cultura norueguesa.
A "Livraria do Desassossego" terá as portas abertas apenas até 02 de abril, de segunda a sexta-feira das 09:00 às 16:00 e ao sábado das 12:00 às 15:00.

Além do "Livro do Desassossego", estão traduzidas em norueguês outras obras de Pessoa, como "A Hora do Diabo", "A Educação do Estóico", "O Banqueiro Anarquista" e a Poesia do heterónimo Alberto Caeiro. (Notícias ao Minuto – 27.03.2014)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Maior edifício do mundo já abriu na China.


São 500 metros de comprimento, 400 metros de largura e cem metros de altura, num total de 1,76 milhões de metros quadrados onde cabem dois hotéis, centros comerciais, escritórios e até uma praia artificial e uma pista de patinagem no gelo.
O maior edifício do mundo foi inaugurado este mês em Chengdú, capital da província chinesa de Sichuan.
Na praia artificial, um ecrã LED gigante permite assistir ao "pôr" do Sol.

Edifício vai ainda ter uma réplica de uma aldeia mediterrânica, a juntar às 14 salas de cinema Imax e ao parque aquático. (DN – 10.07.2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

É uma caneta, escreve em 3D e já é um fenómeno do crowdfunding.





Imagine um dinossauro. Pode desenhá-lo no papel e pendurar a folha na parede. Ou então pode pegar na 3Doodler, a primeira caneta que desenha a três dimensões, e criar um verdadeiro boneco com a forma do animal. A ideia está a agradar a muitos: para comercializar esta caneta, os criadores pediam uma ajuda de 30 mil dólares. Em quatro dias conseguiram 50 vezes mais.
O anúncio foi colocado na passada terça-feira na página da Kickstarter, uma plataforma online de crowdfunding – conceito que se traduz no financiamento colaborativo – em que qualquer pessoa pode doar uma determinada quantia para apoiar um projecto. Os criadores da 3Doodler, que fundaram a empresa WoobleWorks, pediam ajuda para financiar a fabricação das canetas e o controlo de qualidade do produto.
Nesta sexta-feira, já tinham conseguido quase 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,13 milhões de euros) – e ainda têm um mês para angariar mais. (jornal "Público")