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sábado, 14 de fevereiro de 2015

View-Master regressa através de parceria entre Mattel e Google.


O famoso dispositivo para visionamento de diapositivos está de volta, adaptado à era digital. Será lançado em Outubro.
Os maiores de trinta anos lembram-se certamente do View-Master, os "óculos" que nos permitiam ver diapositivos, ou melhor, que nos permitiam entrar diapositivo dentro, em visão estereoscópica. Apresentado originalmente em 1939, popular em Portugal algumas décadas depois, terá uma versão digital no mercado em Outubro deste ano, fruto da parceria entre a Google e a Mattel, passando de protótipo a verdadeiro dispositivo de realidade virtual.
Em vez das bobinas de cartão onde estavam dispostos os diapositivos contendo imagens de locais distantes ou fotos pessoais, o novo View-Master, apresentado sexta-feira na Feira Internacional do Brinquedo, em Nova Iorque, requer a utilização de um telemóvel Android que se encaixa no novo dispositivo, adoptado do design original, permitindo assim aceder às imagens descarregadas através da aplicação criada para o efeito – o Google Cardboard é a tecnologia utilizada.
Segundo a Mattel, foram vendidos 100 milhões dos View-Master originais, bem como 1,5 mil milhões de bobinas. “O nosso objectivo, usando esta nova tecnologia, é criar a marca View-Master para os próximos 75 anos”, afirmou àWired Doug Wadleighm, vice-presidente de Marcas Globais da Mattel. Tendo em conta que que o novo produto tem como alvo preferencial os consumidores em idade escolar (para além, obviamente, dos nostálgicos do velhinho View-Master), Wadleigh anunciou que também serão comercializadas bobinas em formato físico. “Os miúdos gostam de ter colecções que possam guardar no quarto”, justificou.
Este será apenas o primeiro passo da Mattel para, através da parceria com a Google, actualizar à era digital o seu vasto catálogo de brinquedos. “O nosso objectivo com a marca View-Master é tornar a realidade virtual acessível, fácil de utilizar, divertida, educativa e para toda a família”, referiu Wadleigh.
A jornalista da Wire Issie Lapowsky experimentou o novo dispositivo e viajou pelas ruas de São Francisco, passando pela prisão de Alcatraz, comparando a experiência a “ver o mundo em redor como uma fotografia gigante a 360 graus”. Visitou também por paisagens pré-históricas, observando um gigantesco Brontossauro em movimento, criado com tecnologia CGI.

O novo View-Master terá o preço de 29,99 dólares (26,33 euros). As bobinas serão vendidas em pacotes de quatro por 14,99 dólares (13,16 euros). Na altura do lançamento, será apenas compatível com Android. A versão para iOS a surgir algum tempo depois. (Jornal Público – 14.Fev.2015)


domingo, 12 de outubro de 2014

Aproveita a vida - O último filme de Robin Williams.



Foi um dos últimos filmes de Robin Williams, que se suicidou em Agosto, e salvo melhor informação o derradeiro estreado em vida dele. Não haverá muito mais razões para a história lembrar Aproveita a Vida, Henry Altmann senão esta, contudo.
O filme de Phil Alden Robinson (autor, nos idos de 80 e tal, de um curioso filme com Kevin Costner, Field of Dreams) até tem um bom princípio ficcional, ao erguer toda a sua narrativa em torno da limitada duração de vida que é estimada ao seu protagonista: exactamente 90 minutos, mais ou menos a duração do filme. Ideia que faz lembrar um clássico da série B dos anos 50 (o D.O.A. de Rudolph Maté), onde tudo girava à volta da iminente, e inexorável, morte da personagem principal.
Bom, mas as semelhanças param aí, isto não é um thriller negro mas na melhor das hipóteses uma suave comédia romântica com o objectivo de animar os espíritos e trazer-lhes “filosofia” positiva. De resto, os 90 minutos são mentira, é apenas o primeiro que vem à cabeça da médica estagiária (Mila Kunis), aliás um bocado desaustinada, quando aquele zangado paciente (o “homem mais zangado de Brooklyn”, como diz o título original) lhe exige saber, na sequência do diagnóstico de um aneurisma cerebral, quanto tempo tem de vida. Ele não acredita mas, nunca fiando, decide “aproveitar” a vida que lhe resta e tentar resolver em hora e meia os inúmeros problemas - com a mulher, com o filho - que tem pendentes. E ela, a médica, depois de se aperceber da asneira, vai atrás dele para tentar remediar a situação. A mecânica dos primeiros dois terços do filme é esta - ela no rasto dele, por Brooklyn fora.
Mas estas premissas - tempo e espaço - são tratadas de forma canhestra e indiferente, sem relevância formal, tudo se apagando em função da história que há a contar, a de um homem revoltado (uma das primeiras cenas, Williams entalado no trânsito da hora de ponta, parece vinda do “Falling Down” de Joel Schumacher) à procura do apaziaguamento quando confrontado com uma morte próxima. Tudo se passa dentro dum esquematismo mole e apressado, que se acerta nalguns momentos cómicos (a cena em que Williams descobre a que a mulher tem um amante, por exemplo) falha por completo a dimensão dramática - como tentativa de suicídio na Ponte de Brooklyn, que pedia um Frank Capra que já não há. Robin Williams, fisicamente mais esquisito (o pescoço parece que desapareceu por inteiro) e envelhecido do que nunca, com uma voz como nunca a ouvimos, suja e roufenha (uma voz de “velho”), é uma figura interessante, sobretudo quanto tem que interpretar a ira descontrolada do seu protagonista – mas mesmo nessas alturas o filme nunca consegue dar o salto para fazer da personagem uma presença realmente perturbante, que traga ao espectador alguma incerteza. Williams merecia mais filme, como provavelmente merecia ter tido mais filmes ao longo da carreira. Acabou assim, e sendo as coisas o que são, é o filme que há para se lhe fazer a despedida. (Jornal Público)

sábado, 3 de maio de 2014

Secretaria de Estado da Cultura autoriza mudança de actividade do cinema Londres.


O Governo autorizou a mudança de actividade do antigo cinema Londres, em Lisboa, que está arrendado a chineses para ser transformado numa loja, disse à Lusa fonte do movimento de comerciantes do bairro onde se localiza o espaço.
Segundo a mesma fonte, que cita uma decisão oficial da secretaria de Estado da Cultura (SEC), foi dada autorização de afectação do recinto para "actividade de natureza distinta", ou seja o antigo cinema Londres poderá acolher outra actividade sem ser a exibição cinematográfica.
No entanto, alerta a SEC na decisão, "a desafectação assim decidida não implica necessariamente a subsequente alteração do uso do espaço, sendo que essa avaliação compete, nos termos legais, à Câmara Municipal de Lisboa".
O cinema Londres está encerrado desde 2013, depois da exibidora Socorama ter declarado falência, e os proprietários assinaram contrato com comerciantes chineses para a abertura de uma loja.
As obras de transformação foram iniciadas sem autorização (obrigatória por lei) de desafectação por parte do Governo e acabaram por ser suspensas em Fevereiro, aguardando resposta da tutela.
O caso suscitou polémica no final do ano passado, levando o movimento MaisLisboa a lançar uma petição pública – Salvem o Cinema Londres –, que chegou ao parlamento, propondo um modelo cooperativo, sem fins lucrativos, para gerir o espaço.
Em paralelo a esta petição, o movimento dos comerciantes da avenida Guerra Junqueiro, praça de Londres e avenida de Roma avançaram com uma outra petição – que foi aprovada por unanimidade pela assembleia municipal - propondo também um projecto cultural e comercial.
Na justificação para a desafectação do espaço, a tutela afirma que "até à data não foi encontrada qualquer solução que permita manter o recinto afecto à actividade cinematográfica nem houve a materialização de qualquer evidência ou sinal de investimento efectivo e demonstrado com base no modelo proposto".
A lei estipula que "a demolição de recintos de cinema ou a sua afectação a actividade de natureza diferente depende de autorização do membro do Governo responsável pela área da cultura".
Considerado uma das últimas salas em Lisboa a existir fora de centros comerciais, o cinema Londres foi inaugurado a 30 de Janeiro de 1972, com o filme Morrer de amar, de André Cayatte, tendo uma área com mais de mil metros quadrados, que incluiu uma vertente comercial, com restauração.

A agência Lusa tentou obter, há várias semanas, mas sem êxito, esclarecimentos junto da SEC sobre a situação dos antigos cinemas Londres, Quarteto e King, em Lisboa, todos encerrados. (Jornal Público – 03.05.2014)


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Casa onde viveu Manoel de Oliveira classificada como Monumento de Interesse Público.


A Casa Manoel de Oliveira, na freguesias de Aldoar, foi construída em 1940 para habitação do cineasta, estando instalada "na área mais elevada de um lote estruturado em plataformas, apresentando dois pisos confinantes com a rua da Vilarinha e três voltados para o jardim".
De acordo com a portaria do DR, "para além da relevância do promotor do projecto, que habitou a casa durante grande parte da sua vida", o imóvel está igualmente ligado "a grandes nomes do modernismo português".
José Porto foi o autor do projecto arquitectónico, Viana de Lima detalhou o projecto do interior e Cassiano Branco foi o responsável pelos seus espaços exteriores, pormenoriza o documento governamental, assinado no início da semana passada pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
Os arquitectos Eduardo Souto de Moura, Gonçalo Ribeiro Telles e Alexandre Burmester estão também ligados ao imóvel, no âmbito das "alterações posteriores da casa e jardins".
Souto de Moura "traçou os campos de jogos, a piscina e o ginásio, Gonçalo Ribeiro Telles, [foi o] autor de um estudo dos jardins e Alexandre Burmester projectou a recuperação da casa, distinguida com o prémio [municipal] João de Almada", acrescenta a portaria.
Manoel de Oliveira encomendou aquele conjunto formado por habitação unifamiliar e jardins, tendo lá vivido durante 42 anos (entre 1940 e 1982).
A casa "está implementada na área mais elevada de um lote estruturado em plataformas, apresentando dois pisos confinantes com a Rua da Vilarinha e três voltados para o jardim", lê-se na portaria, que acrescenta ainda que "a planta articula dois corpos rectangulares através de um corpo central em forma de leque, cujas superfícies curvas e orgânicas contrastam com a linearidade dos volumes externos, um deles encimado por terraços".
As comemorações para assinalar no Porto o aniversário do mais velho realizador do mundo, Manoel de Oliveira, têm o seu ponto alto hoje, dia em que cumpre 105 anos de idade. O programa inclui a inauguração, no Museu Nacional da Imprensa, da exposição Manoel de Oliveira. 105 Revistas, um momento que deverá contar com a presença do realizador.

Ao final do dia, o realizador deverá marcar também presença no lançamento de uma peça de porcelana da Vista Alegre, com motivos do filme Aniki-Bóbó. (Jornal Público)


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cinema King, em Lisboa, deverá fechar as portas no domingo.


O cinema King, que integra duas salas – chegou a ter três em funcionamento - para exibição sobretudo de cinema de autor, é gerido desde 1990 pela exibidora Medeia Filmes, de Paulo Branco
O cinema King, em Lisboa, deverá encerrar no domingo e os sete trabalhadores serão colocados noutras duas salas de cinema da mesma exibidora, disse à agência Lusa fonte sindical.
Contactado pela agência Lusa, o exibidor Paulo Branco remeteu esclarecimentos para segunda-feira, numa conferência de imprensa nas instalações do cinema King.
No início de novembro, Paulo Branco tinha explicado à Lusa que a decisão de encerramento do cinema estava em cima da mesa, por causa de uma proposta de atualização do valor da renda por parte do proprietário do espaço, mas que os postos de trabalho estavam garantidos.
Fonte do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV) disse hoje que os trabalhadores foram informados que o cinema irá fecharno domingo e que serão recolocados nos cinemas Fonte Nova e Nimas, ambos em Lisboa.
O cinema King, que integra duas salas – chegou a ter três em funcionamento - para exibição sobretudo de cinema de autor, é gerido desde 1990 pela exibidora Medeia Filmes, de Paulo Branco.
A Medeia Filmes detém ainda o cinema Monumental, Nimas e Fonte Nova, todos em Lisboa, e tem programação no Cine Estúdio Teatro do Campo Alegre, no Porto, Auditório Charlot, em Setúbal, no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, no Theatro Circo de Braga e no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra.
De acordo com dados do Instituto do Cinema e Audiovisual, até outubro a exibidora Medeia Filmes (incluindo o cinema Fonte Nova) contabilizou 186.367 espetadores.
O Cinema King abriu no espaço onde antes funcionou o Cinema Vox, inaugurado em abril de 1969.
Em 2011, Paulo Branco encerrou os cinemas Saldanha Residence, que funcionavam praticamente frente ao cinema Monumental, deixando nove pessoas sem trabalho.
Este ano, a rede de exibição de cinema em Portugal sofre uma mudança depois da exibidora Socorama ter aberto falência, fechando algumas das salas que detinha (mais de cem) de norte a sul do país, incluindo o cinema Londres, em Lisboa.

Algumas dessas salas de cinema, em particular as que estão localizadas em centros comerciais, têm estado a reabrir gradualmente por iniciativa da exibidora brasileira Orient. (Jornal I – 21.11.2013)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Morreu Zé da Guiné, ícone da boémia e cultura dos anos 1980.


Morreu na sexta-feira Zé da Guiné, personalidade marcante da vida nocturna e cultural da Lisboa dos anos 1980. Sofria há mais de dez anos de uma doença degenerativa do foro neurológico, impeditiva de qualquer actividade. Morreu durante a noite, no Hospital de São José, em Lisboa.
Nos últimos anos, passava por dificuldades materiais, tendo-se avolumado as iniciativas públicas, promovidas por amigos artistas, cineastas, jornalistas ou músicos em seu auxílio e foi produzido o documentário Zé da Guiné – Crónica de Um Africano em Lisboa, da autoria de José Manuel S. Lopes, que reflectia a sua vida, desde a chegada a Lisboa, nos anos 1970, passando pela sua relevância na fervilhante actividade cultural e na vida boémia dos anos 1980.
O realizador lembra o amigo como alguém que "teve a particularidade de ter modificado os hábitos de Lisboa, tanto na forma de estar como de usufruir da cidade". "Foi um precursor e arrastou outras pessoas nesse movimento", diz ao PÚBLICO. "Não consigo encontrar outra pessoa como ele: inovador, de espírito aberto, aventureiro e, ao mesmo tempo, cuidadoso, amigo e óptimo em relações públicas." Durante 14 anos, continua, lutou contra a doença, esclerose lateral amiotrófica, a mesma que vitimou Zeca Afonso, "o que revela a sua grande capacidade de luta e resistência."
Como escreveu na altura da homenagem Miguel Esteves Cardoso numa crónica no PÚBLICO: "Zé da Guiné é um grande artista. Não foi só uma inspiração, um exemplo e um catalisador, embora também fosse essas coisas. Criou ambientes e criou mentalidades. Abriu caminhos e diversões. A noite de Lisboa era fechada, triste, mesquinha e clandestina antes do Zé e do Manuel Reis [Frágil/Lux], cada um à maneira dele. Contra todas as más vontades, burocracias, pessimismos e letargias, estes dois artistas públicos conseguiram abri-la, alegrá-la, engrandecê-la e mergulhá-la no presente."

Natural da Guiné-Bissau, onde nasceu a 4 de Janeiro de 1959, José Osaldo Barbosa teve uma passagem breve pela guerrilha na luta pela libertação. Chegou a Lisboa nos anos 70, depois do 25 de Abril.
No final dessa década, foi ele um dos primeiros a aventurar-se no território de prostitutas e de má fama que era então o Bairro Alto, abrindo o espaço Souk. Mais tarde, viria a embarcar no projecto Rock House (mais tarde, Juke Box), assumindo várias funções, entre elas a de porteiro, participando na emergência do Bairro Alto como o lugar por excelência de afirmação da Lisboa cultural dos anos 1980.
Era conhecido de todos, artistas, músicos, cineastas ou jornalistas. De alguma forma, era um símbolo de uma cidade que, depois do 25 de Abril, se queria abrir à modernidade e ao exterior. Não é por acaso que muitas das publicações de referência internacionais da época – como a revista inglesa The Face –, quando abordavam as dinâmicas culturais em ligação com as actividades nocturnas da época, o procuravam.
Uma das suas paixões era a moda, tendo sido uma personalidade inspiradora, assistindo à emergência da geração que consolidou a moda em Portugal através de iniciativas como as Manobras de Maio.
Mas o projecto onde se envolveu e que talvez mais marcas deixou foi as Noites Longas, ao largo do Conde Barão, em Santos, num palacete do século XVI, que mais tarde viria a albergar o B. Leza e que hoje se encontra desactivado. Ideia partilhada com Hernâni Miguel, viria a transformar-se numa das experiências mais cosmopolitas da época.

A meio dos anos 1980, era ali que a Lisboa artística se misturava, até de manhã, com a Lisboa castiça do Cais do Sodré e do mercado da Ribeira e com a Lisboa do roteiro das discotecas africanas. Depois dessa aventura, surgiram outras, como a abertura, já nos anos 1990, do Be Bop, no Bairro Alto, onde se ouvia jazz, a sua grande paixão. (Jornal Público – 01.11.2013)

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Livraria Sá da Costa fecha no ano do centenário.


A Livraria Sá da Costa, em Lisboa, foi declarada insolvente pelo Tribunal de Comércio de Lisboa e deverá fechar as portas nos próximos dias, pouco mais de um mês depois de ter comemorado o centésimo aniversário.
Segundo fonte do tribunal citada pela Lusa, a assembleia de credores realizada na passada segunda-feira não aprovou o plano de viabilização da empresa, que tinha sido apresentado no dia 2 de Julho, pelo que foi decretada a liquidação total. Essa liquidação concretizar-se-á com a venda de todo o património da Sá da Costa, para pagamento aos credores, e com a extinção da empresa.
Para sábado às 21h está marcado aquele que poderá ser o derradeiro acto da livraria situada na Rua Garrett, no Chiado: o lançamento do “Manifesto contra o desastroso encerramento das livrarias da Cidade de Lisboa no centenário da Livraria Sá da Costa”. O evento está a ser divulgado no Facebook e ao fim da tarde de ontem já mais de 800 pessoas tinham confirmado a sua presença.
Em 2010 a livraria tinha sido levada a leilão pelas Finanças, com uma base de licitação de 175 mil euros e no ano seguinte o tribunal decretou a venda judicial por um valor mínimo de 415.498 euros. Na ocasião terão sido apresentadas, segundo a Lusa, duas propostas, mas a venda da livraria não foi avante. Desde então a sua gestão foi assegurada por cinco funcionários, que têm promovido a realização de uma série de eventos para dinamizar o espaço.

A livraria surge na lista de “bens imóveis de interesse municipal e outros bens culturais imóveis” do Plano Director Municipal de Lisboa. O Fórum Cidadania Lisboa já manifestou o seu “profundo pesar” pelo encerramento de “uma das últimas livrarias históricas de Lisboa”, criticando “a total inoperância da política de urbanismo comercial por parte da CML [Câmara Municipal de Lisboa], ao não prevenir as situações nem tão pouco demonstrar interesse em as remediar”. (Jornal Público – 19.07.2013)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Céu Guarda fotografou a Islândia a esconder a crise.


Em 2009, a fotógrafa Céu Guarda passou uma semana na Islândia, acompanhando os repórteres de um jornal nos seus trabalhos de agenda, num projecto do colectivo que ajudou a fundar, o Kameraphoto. Agora, quatro anos depois, mostra a sua Islândia, em crise — "mas uma crise que não era visível como é a de Portugal", sublinha, em entrevista ao P3. Céu ficou impressionada com o facto de existir uma "vontade de esconder a crise": as pessoas não tinham vontade de falar sobre ela, nem de a aceitar. "Fui uma outsider durante uma semana", conta, sempre com perguntas. A exposição "Iceland — Welcome to my place" inaugura às 19h de 6 de Junho, n' A Pequena Galeria, em Lisboa, e pode ser vista até 22 de Junho. A entrada é livre. (Jornal Público)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Viagem Ilustrada ao Passado - Linha de Cascais.



"Em cada estação havia um chefe....

Ele usava além da farda do ofício, e para despacho do comboio, duas bandeirolas e duas lanternas, uma vermelha e outra verde, que muito intrigavam as crianças. Mas o seu adorno principal era uma enorme campainha de cabo, uma campainha do tamanho de um sino pequeno, que empregava com ares de comando".

Quem diariamente, com olhar distraído, faz o percurso entre Cais do Sodré e Cascais, dificilmente imaginará o pitoresco e emoção de uma viagem, neste trajecto, feita pelos nossos avós, no século passado.
"A viagem era morosa, poeirenta, fatigante, sacudida de solavancos. Vestia-se às vezes um guarda-pó para ir a Cascais. Uma poeira grossa, encarvoada, entrava pelas janelas do comboio e metia-se sem pedir licença, nos olhos de cada um mas não alterava a alegria do passeio, nem a beleza da paisagem marítima, nem o encanto da serra de Sintra a coroar o horizonte terrestre".
A Linha, que então era apelidada de ramal, começou por ter o seu início em Pedrouços e não no Cais do Sodré, como viria a acontecer anos mais tarde. 

(Pedrouços)
(Cais do Sodré)
Vindo do lado da Baixa Pombalina, o alfacinha tomava um dos vapores da empresa Lisbonense  e rumava a Pedrouços, para aí fazer transbordo e seguir viagem em direcção a Cascais. A viagem de omnibus ou de "americano" além de morosa não era muito agradável, pois a estrada municipal que ligava Lisboa aos arredores, para além do Aterro (Santos), era poeirenta e esburacada, sendo o caneiro de Alcântara, mais um obstáculo para quem o quisesse  fazer  por via terrestre.

(Estação Vapores Lisbonense)

Iniciada a viagem, de costas voltadas para a Torre de Belém e para o Mosteiro dos Jerónimos, o comboio atravessava a Ribeira de Algés e parava nesta estação, que estrategicamente se situava na confluência da estrada de Carnaxide com a estrada Real.
(Algés)

Algés era então uma pequena aldeia, dos arredores de Lisboa cujo núcleo de casario se situava na sua parte alta.
Seguia então o comboio, em linha recta para o Dafundo, que tinha apenas um apeadeiro, que se situava junto ao aquário Vasco da Gama.
Cruz Quebrada, a próxima estação, está situada na margem direita da Ribeira do Jamor, tal como hoje, junto à pequena praia de banhos.

(Cruz Quebrada)

A linha segue depois junto ao sopé das colinas da Boa Viagem e da Gibalta, em terrenos conquistados ao rio. Os mais velhos quando aqui passam, ainda recordam o desabamento de terras, que em Agosto de 1958, provocou a morte a muitos passageiros que seguiam nessa altura no comboio.
Caxias, a próxima paragem, fica virada para o forte de S. Bruno. Aqui terminava a via dupla e a linha afasta-se um pouco do rio. 

(Caxias)

Dirigia-se depois a Paço d'Arcos, com a sua elegante praia de banhos. Passava por enormes pedreiras em Santo Amaro, que ainda não tinha estação, e, atravessava a Ribeira da Laje, pela maior ponte da linha, alcançando Oeiras. 

(Paço d' Arcos)

(Oeiras)

Carcavelos está à vista, e por entre pinheiros e vinhas (que davam o famoso Carcavelos) a linha continua dirigindo-se à Parede, cuja praia era, e ainda é, considerada como uma bênção da natureza para quem tem problemas de ossos, atravessando-a pelo meio da povoação. Passa-se a Baforeira e a linha flecte um pouco para o interior. Atinge-se os Estoris.

(Carcavelos)

(Parede)

No traçado original, apenas S. João do Estoril tinha estação de comboio. Só posteriormente foram construídas, além da do Estoril propriamente dita, a de S. Pedro e a do Monte.
S. Pedro do Estoril, que ainda nos anos vinte se chamava de Cai-Água , teve a sua estação de caminho de ferro, graças aos esforços de Nunes dos Santos, proprietário dos antigos Armazéns do Chiado, que ali tinha comprado uns terrenos e que ofereceu o espaço e o dinheiro necessários para a construção de um apeadeiro, certamente tendo em conta, a valorização dos terrenos de que era proprietário. 

(Estoril)

(Monte Estoril)

No troço entre os Estoris e Cascais, a linha volta a aproximar-se do Oceano, tendo também por companhia, o verde dos pinheiros do Estoril e o escarpado das terras do Monte.
Cascais,  vila piscatória, com os seus palacetes é o fim da viagem e da Linha.

(Cascais)

Inaugurada a 30 de Setembro de l889 e electrificada em 1926, a exploração de linha, começou com 18 carruagens de 1ª classe, igual número de 2ª classe, e, 30 de 3ª classe, custando a viagem entre os dois extremos, 480 réis 240 e 150 réis, respectivamente.
No primeiro ano, foram vendidos 615 592 bilhetes, sendo 14339 de 1ª classe, 285 564 de 2ª e, 315 689 de 3ª classe.
No período compreendido entre 1918 e 1976, a linha foi explorada pela Sociedade Estoril.
O traçado da linha, durante a sua centenária existência foi apenas modificado em pequenos troços, com vista a encurtar distâncias a suprimir passagens de nível ou ainda, aproxima-la do Tejo e do Atlântico.

Imagens de Postais comerciais e  de postais editados pela CP por ocasião do centenário de Linha de Cascais, da  colecção particular do autor.

Parágrafos  em itálico da autoria  de Branca Gota Colaço e Maria Archer (in  Memórias da Linha de Cascais ) 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Fantasporto recorre a despedimento colectivo para evitar fim.


Director admite que pode ser o "pré-fim" do festival. Mulher de Dorminsky é uma das duas assalariadas que ficam na cooperativa.
A direcção da Cooperativa Cinema Novo, responsável pelo festival de cinema Fantasporto, avançou para um despedimento colectivo na tentativa de conseguir “um mínimo de equilíbrio financeiro que permita a continuação da sua actividade”.
Mário Dorminsky, da direcção, confirmou ao PÚBLICO o pré-aviso datado de 20 de Março, adiantando que as cartas aos seis trabalhadores afectados foram enviadas na segunda-feira. “Pode ser um pré-fim do Fantasporto mas fizemos isto para evitar o pior, uma insolvência”, refere, desolado.
O futuro do Fantasporto será jogado nos próximos meses. Depende agora (mais do que nunca) de subsídios do Estado, de patrocínios e pode ainda passar pela venda ou hipoteca de bens pertencentes à cooperativa. “Temos o fabuloso prédio do ex-Cinema Jardim, na rua da Constituição, no Porto, à venda por 430 mil euros mas não o conseguimos vender”, exemplifica, ao mesmo tempo que assegura o “pagamento de todas as dívidas a credores”.
Para já, a Cinema Novo contraiu um empréstimo para pagar as indemnizações às pessoas despedidas. Para que a próxima edição do Fantasporto se realize é também imprescindível o apoio do Estado que Dorminsky espera que seja assegurado “pelo menos, nos valores atribuídos em 2012”, mantendo os 100 mil euros do Instituto do Cinema e do Audiovisual. É preciso mais, reconhece. “Temos feito contactos regulares com a secretaria de Estado da Cultura, ainda hoje enviámos mais uma carta, e defendemos que o Fantasporto deve ser considerado um evento de interesse público. Para a próxima edição até já temos um programa suportado pelos 75 anos do Feiticeiro de Oz e com uma especial ligação à música. Concorremos ao ICA e a concursos da União Europeia. Já contactámos mais de 500 empresas à procura de patrocínios. Já fiz coisas que nunca pensei fazer colocando-me numa posição em que estive quase a mendigar apoios a amigos”, para rematar: “Espero algum milagre”.
A “dolorosa decisão” era inevitável. “Conseguimos aguentar o último ano a lutar pelo equilíbrio”, diz, lembrando que em Março de 2012 chegou a ser proposto em assembleia geral uma redução de 50% dos salários mas que acabou por ser chumbada. Para uma imagem rápida da situação financeira, resume: “Há cinco anos tínhamos um encaixe de um milhão de euros e despesas de 200 mil euros com salários, em 2012 tivemos um encaixe de 300 mil euros e os mesmos 200 mil. Era impossível continuar assim”.